quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

FOLCLORE POLÍTICO


Castelo era diretor da Escola Superior de Guerra, convidou Renato Archer para fazer conferência sobre minérios atômicos. E lhe avisou que o regulamento da Escola proibia a divulgação dos trabalhos. Mas Medeiros Lima, que na época assinava a mais importante coluna da Última Hora, assistiu à conferência e no dia seguinte publicou com o maior destaque.

Castelo ficou uma fera, certo de que Renato tinha traído o compromisso. Telefonou para reclamar. Archer explicou o equívoco, mas em vão. Dias depois, Archer vai almoçar na Maison de France e encontra Castelo Branco almoçando com Augusto Frederico Schmidt, presidente da Orquima, empresa que explorava as areias monazíticas de Guarapari e tinha provocado a famosa Comissão Parlamentar de Inquérito sobre contrabando de minérios atômicos.

Dia seguinte, Medeiros Lima publica na UH que Castelo Branco almoçava com Schimdt. O general se enfureceu. Não havia dúvida de que fora Renato Archer quem dera a notícia para Medeiros publicar. E não tinha sido. É que Samuel Wainer também estava na Maison, vira Castelo com Schimdt e passara a notícia para Medeiros. Castelo liga para Archer, irritado. Archer desmente, Castelo não acredita. O telefonema ia acabando ríspido, quando Castelo muda o tom:

- Está bem, deputado, acredito que não foi o senhor. Então me faça um grande favor.

O senhor é amigo do doutor Samuel Wainer. Peça-lhe que consiga do jornalista Medeiros Lima publicar amanhã, na mesma coluna, que eu e o doutor Augusto Frederico Schimdt estávamos de fato almoçando na Maison, mas em mesas separadas. Medeiros corrigiu a verdade e morreu o segundo equívoco de Renato Archer com o general Castelo Branco.
Sebastião Nery

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