AUMENTO DO DESEMPREGO NO 1º
TRIMESTRE DE 2014 É SAZONAL
Entre os últimos três meses de 2013 e o primeiro trimestre deste ano,
a taxa média de desocupação do Brasil saiu de 6,2% para 7,1%, de acordo
com a PNAD Contínua, do IBGE, divulgada ontem. A variação, segundo Rodrigo Leandro de Moura, pesquisador da área de Economia Aplicada
da FGV/IBRE, é explicada por um movimento de ajuste sazonal. “Isso se
deve, principalmente, devido às contratações de fim de ano, em virtude
do aumento das vendas das festas natalinas. Logo após o Natal vários
setores demitem”, diz ao completar que o setor de comércio, às vezes,
segura as demissões para depois do carnaval. “Mas de qualquer forma,
esse aumento do desemprego é devido a essas demissões sazonais”. Se
comprado ao mesmo período do ano passado (1º tri de 2013), a taxa sofreu
uma queda, de 8% para 7,1%.
Chama atenção da pesquisa o nível ainda elevado do desemprego entre
os jovens de 18 a 24 anos que chegou a 15,7%, média nacional nos
primeiros meses de 2014. Dentre as cinco regiões do país, Nordeste é a
que apresentou a maior taxa entre os jovens: 20,1%, contra 16% do Norte,
15,8% do Sudeste, 12% do Centro-Oeste e 9,1% do Sul. Segundo Moura,
esse o grupo sempre registou taxa elevadas de desocupação, em diversos
países, por terem menor experiência e por ainda estarem em processo de
escolarização. “Não chega a ser preocupante, mas medidas de políticas
ativas de emprego podem ser aperfeiçoadas. Algumas delas já estão
surtindo efeitos como o PRONATEC, PROUNI e FIES que têm estimulado o
jovem a alongar seu ciclo de estudos, o que eleva a sua empregabilidade à
medida que amplia o tempo de entrar no mercado de trabalho”, analisa.
As mulheres também ajudam a engrossar o grupo que atingem níveis
maiores de desemprego. De acordo com o IBGE, as análises apontaram
diferenças significativas na taxa de desocupação entre homens e mulheres
em todo o país. No primeiro trimestre deste ano, a taxa foi estimada em
5,9% para eles e 8,7% para elas, sendo no Norte, a maior diferença —
10,5% entre as mulheres contra 5,8% entre os homens. No Nordeste são
11,9% mulheres desempregadas e 7,9% homens desocupados. “Acredito que
esse problema seja mais preocupante e pode indicar algumas
possibilidades: menor nível educacional das mulheres nessas regiões ou
discriminação. Mais importante do que o nível do desemprego delas ser
alto nas regiões Norte e Nordeste é que a diferença para os homens é
mais alta também nessas regiões. Essas duas possibilidades deveriam ser
verificadas empiricamente”, destaca Moura.
Fonte: FGV-IBRES

















































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