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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

PRÉVIA DO PIB SOBE O,15% EM 

SETEMBRO, MAS FECHA O 3º 

TRI COM QUEDA DE 0,78% 

O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado uma "prévia" do PIB (Produto Interno Bruto), subiu 0,15% em setembro na comparação com o mês anterior, informou o BC nesta quinta-feira (17).

O índice terminou o terceiro trimestre com contração de 0,78% sobre o período anterior.

A comparação é feita já descontando as diferenças sazonais entre os períodos analisados.

Sem descontar as diferenças sazonais, houve queda 2,98% em setembro.

Na comparação com setembro de 2015, o indicador registrou tombo de 3,67% sem o ajuste sazonal, porque considera períodos iguais. Com ajuste, a queda foi de 3,44%.

No acumulado de 12 meses, a atividade econômica encolheu 5,23%. Descontando as diferenças sazonais, o encolhimento foi de 5,42%. 

IBC-Br


O indicador do BC é visto pelo mercado como uma antecipação do resultado do PIB. Ele é divulgado mensalmente pelo Banco Central, enquanto o PIB é divulgado a cada três meses pelo IBGE.

O IBC-Br serve de base para investidores e empresas adotarem medidas de curto prazo. Porém, não necessariamente reflete o resultado anual do PIB e, em algumas vezes, distancia-se bastante.

O indicador do BC leva em conta a trajetória das variáveis consideradas como bons indicadores para o desempenho dos setores da economia (agropecuária, indústria e serviços).

A estimativa do IBC-Br incorpora a produção estimada para os três setores, acrescida dos impostos sobre produtos. O PIB calculado pelo IBGE, por sua vez, é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país durante certo período.

 
Fonte: UOL Economia
(Com Reuters) 
 

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

POLÍTICA MONETÁRIA
Deixemos de chorumela. Superemos a covardia. É tempo de reconhecer que se, de fato, os bancos centrais fossem capazes de entregar o que prometem, deveriam mesmo ser independentes e autônomos! Independentes com relação à miopia imposta pelo poder desregrado do sistema financeiro privado, que põe em risco o regime democrático. Autônomos ante os Estados que os criaram e a quem devem prestar contas claras e transparentes do cumprimento da missão que lhes foi confiada.

A pergunta é: por que uma agência autônoma, com evidente déficit democrático (uma vez que conduzida por cidadãos não eleitos), a quem é transferida a responsabilidade de suprir um dos mais importantes bens públicos, a relativa estabilidade do valor da moeda? E a resposta é: porque se trata de tarefa eminentemente técnica, cuja execução exige alguma arte.

O controle da inflação e a manutenção da higidez do setor financeiro de qualquer economia envolvem problemas complexos, cuja solução requer conhecimentos especializados executados por agentes experientes e habilidosos, capazes de ajudar a mitigar as flutuações ínsitas às economias de produção monetária. Há outra razão para a autonomia, desta vez em benefício da democracia: ela é o remédio eficaz contra a tentativa de todo (todo!) poder incumbente de ocasião, de forçar uma oportunística expansão de crédito às vésperas de eleições para desequilibrar, a seu favor, o resultado das urnas.

Um governo eleito reconhece sua incapacidade para projetar a ponte que “prometeu” na eleição e contrata, para fazê-lo, um grupo de “experts”, engenheiros treinados em calcular o equilíbrio de forças naturais contraditórias e que conhecem a resistência dos materiais. Da mesma forma, reconhece que não tem capacidade direta para administrar o valor da moeda com o qual se comprometeu na campanha eleitoral e “contrata” um grupo de “experts” economistas que, aprovados pelo Senado Federal, serão encarregados de fazê-lo.

A narrativa é bem-arrumada e parece convincente. O problema com a analogia é que ela deixa uma dúvida no observador inocente: ele vê pontes projetadas por “engenheiros” na antiguidade romana que continuam entregando a sua mercadoria. Não vê, entretanto, os bancos centrais (independentes, autônomos ou “farsantes”) entregarem as suas promessas, o que lhe recomenda um ceticismo cauteloso.

A história da criação dos bancos centrais é longa. Há pelo menos 350 anos, por diversos motivos (em geral, problemas fiscais) alguns governos decidiram dar apoio à criação de instituições bancárias. O primeiro foi o Swedish Riskbank, em 1668. O Bank of England foi criado em 1694, para ajudar a financiar a guerra contra a França! O Banque de France, em 1800, para facilitar o financiamento das guerras napoleônicas. Dois exemplos mostram outra faceta dessa história.

O famoso Federal Reserve, o Fed americano, foi criado em 1913, depois da grave crise financeira de 1907, “para garantir a estabilidade financeira”. Depois da Segunda Guerra Mundial, a absoluta estabilidade monetária tornou-se um dogma religioso na Alemanha, com a criação do Bank Deutscher Land, em 1948 e foi entronizado na lei do Bundesbank, em 1957.

Toda essa discussão tem pouca importância diante de um fato concreto e incontornável: a política monetária não pode ser independente da política fiscal por motivos técnicos (como se vê em Sims, C.A. – “Fiscal Policy, Monetary Policy and Central Bank Independency”, que tanta confusão causou em Jackson Hole, August 26, 2016) e por motivos políticos: o regime democrático a rejeita, pelo enorme custo que impõe aos “perdedores” majoritários.

É por isso que, ao contrário da opinião de muitos economistas, cremos que se deve ver com aprovação o voto cauteloso, mas de confiança, do Banco Central, sob o comando do competente Ilan Goldfajn, na expectativa de melhora da situação fiscal. As condições objetivas para uma redução da taxa de inflação parecem confirmar-se, o que significa que a taxa de juro real ex-ante está crescendo, desestimulando os investimentos, valorizando o câmbio, reduzindo o PIB e aumentando o desemprego. É imperioso e urgente, portanto, dar ao Banco Central o conforto que ele precisa para acelerar a baixa da taxa de juro. A aprovação definitiva da PEC 241 pelo Senado será um bom começo.

 Fonte: CartaCapital
Por Delfim Netto
 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O NOBEL DA ECONOMIA
Observando os economistas honrados com o Prêmio Nobel nos últimos quatro anos, temos a impressão de que alguma coisa se move em Estocolmo. Infelizmente, a lista dos premiados de 1969 a 2016 não revela alguém que tenha, de fato, contribuído para melhorar o bem-estar da humanidade, como é o caso dos agraciados com o Nobel de Física, Química e Medicina.

Estamos diante de um clamoroso fracasso da ciência “macroeconômica”, revelado não apenas na sua incapacidade de antecipar a maior crise econômica desde 1929, mas porque, pela teoria, ela não poderia ocorrer...

De 2009 até 2016, entretanto, dos 15 premiados, nove, pelo menos, são “microeconomistas” que avançaram em novas soluções nos problemas de alocação de bens em mercados eticamente sensíveis e na harmonização de conflitos, como é o caso da chamada “teo­ria dos contratos”.

Os prêmios nesse período parecem reconhecer, implicitamente, o desencanto com a macroeconomia e aceitar que os avanços do conhecimento econômico eficaz, capaz de gerar maior eficiência produtiva e aumentar a harmonia entre os membros da sociedade, inclusive na relação público-privada, reside na microeconomia. É o caso dos trabalhos de Jean Tirole, prêmio de 2014, e de Bengt Holmström e Olivier Hart, o de 2016.

Essencialmente, trata-se de desenvolver instrumentos que facilitem a cooperação entre pessoas que têm interesses não necessariamente alinhados e garantam que os benefícios e os riscos dela decorrentes sejam distribuídos de uma forma sentida como “justa”, sem que haja coerção física ou institucional.

Temos, aqui, uma certa equiparação de poder entre as partes, apoiada num “contrato” garantido pelo Estado. Como o comportamento dos participantes é condicionado pelos “incentivos” que recebem, constrói-se uma relação (um “contrato”) entre um indivíduo ou uma organização (a que se dá o nome de “principal”) e um outro indivíduo ou uma organização (a que se dá o nome de “agente”), pela qual o “agente”, no seu próprio interesse, tem vantagem em obedecê-la, mesmo quando não vigiado diretamente pelo “principal”.

Deve ser claro que tal “contrato” transcende aos aspectos puramente econômicos da relação entre o “principal” e o “agente” que lhe deu origem: é um instrumento que, mediado pelas instituições que dão materialidade ao Estado, equilibra a relação de poder entre eles.

A teoria dos contratos, em parte criada pelos ganhadores no Nobel, é muito útil para explicar como melhorar as relações entre acionistas e administradores; como controlar a remuneração extravagante de “geniais” CEOs; como aumentar o valor das empresas com “fusões”; como avaliar os efeitos de transferência de atividades do Estado para o setor privado; como criar consórcios intermunicipais; como entender as eventuais vantagens da verticalização ou terceirização das empresas etc.

No Brasil de hoje, talvez a sua maior utilidade seja a de chamar a atenção para o nosso “contrato de trabalho”, de clara inspiração corporativista como então era moda, incluindo na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), outorgada por Getúlio Vargas em 1943.

Ela prestou excelente serviço civilizatório, mas, depois de 70 anos, carece de um aggiornamento em benefício da liberdade e do aumento da produtividade do trabalho, que, por definição, é sinônimo de desenvolvimento econômico.

Na última semana, por coincidência, dois magníficos artigos no Estadão, um publicado pelo competente economista, professor José Márcio Camargo (“Contratos falsos”, 9 de outubro) e outro pelo reconhecido jurista Ney Prado (“Disfuncionalidade do modelo trabalhista”, 12 de outubro), analisam o problema. Expõem as contradições internas de uma regulação que pretende proteger o trabalhador, porque ele é um hipossuficiente incapaz de entender onde está o seu interesse e o empresário é um contraventor “enrustido”, o que exige a mediação externa do juízo trabalhista.

O problema que se coloca na negociação direta é como buscar a “paridade de poder” exigida na teoria dos contratos, incentivo à criação de um autêntico sindicalismo. Ao contrário do que temos hoje, ele deve passar longe da unicidade e do financiamento obrigatório que – a história revela – são instrumentos que induzem à manipulação política dos trabalhadores nos estados corporativos, como em 1934...

Fonte: CartaCapital
Por Delfim Netto 
 

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

PARA ONDE VÃO OS R$ 50,9 BILHÕES 

ARRECADADOS COM A REPATRIAÇÃO?


Nem bem chegou aos cofres públicos, o dinheiro amealhado com a repatriação de recursos do exterior já tem destino certo. Parte dele irá para Estados e municípios. E outra parte será usada para tapar o buraco nas contas do Governo Federal.

A negociação para que o projeto fosse aprovado Congresso envolveu algumas contrapartidas, entre elas que governadores e prefeitos recebessem parte dos R$ 50,9 bilhões que foram arrecadados, segundo informações da Receita Federal.

Em uma conta ainda imprecisa, considerando-se o que foi pactuado, a União ficaria com R$ 28 bilhões (55% do total), os municípios com  R$ 11,96 bilhões (23,5%) e os Estados com R$ 10,94 bilhões (21,5%).

“Para o governo foi um excelente negócio, pois o que se arrecadou equivale quase a cobrança de uma CPMF por um ano”, diz o economista Gilberto Braga, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec- RJ). “Em um período de arrecadação em queda, de vacas magras, este dinheiro é muito bem-vindo.”

O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, informou nesta terça-feira, 1, que 25.011 contribuintes pessoas físicas e 103 empresas aderiram ao programa de repatriação. A maior parte dos ativos (R$ 163,87 bilhões) referem-se às pessoas físicas. Já as empresas declararam R$ 6,06 bilhões em ativos no exterior.

“Dinheiro carimbado”


A expectativa do Governo Federal é que o dinheiro obtido com a repatriação ajude a abater parte das contas que estão no vermelho neste ano. A previsão é de que as despesas do Planalto superem a arrecadação (meta fiscal do déficit) em R$ 170,5 bilhões em 2016.

 Um outro destino da parcela destinada ao governo federal com a repatriação de recursos será quitar  a conta de “restos a pagar” (dívida de outros anos) no orçamento, de acordo com informações divulgadas. Hoje essas dívidas somam cerca de R$ 180 bilhões.

Fonte: Isto É Dinheiro 
 

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

JURO DO CHEQUE ESPECIAL SOBE

 A 324,9%, E ROTATIVO DO 

CARTÃO CHEGA A 480,3%


A taxa de juros do cheque especial subiu em setembro e atingiu 324,9% ao ano, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (26) pelo Banco Central. 

É a taxa mais alta desde julho de 1994, quando a pesquisa começou a ser feita. 

O resultado do cheque especial mostra uma alta de 3,8 pontos percentuais em relação a agosto e um salto de 61,2 pontos na comparação com setembro de 2015.

Os juros do rotativo do cartão de crédito também tiveram alta e ficaram em 480,3% ao ano. Houve aumento de 5,3 pontos na comparação com agosto, e um salto de 66,1 pontos em relação a setembro do ano passado. Também é a maior taxa registrada desde 2011, início da série histórica. 

Os dados são referentes apenas aos juros cobrados das famílias. Esses são números médios e podem variar para cada situação específica, porque os bancos oferecem taxas diferentes de acordo com o plano contratado pelo cliente e a relação entre eles (quem tem mais dinheiro no banco paga menos taxas).

Confira a variação de outras modalidades de crédito monitoradas pelo BC:

  • Cartão de crédito parcelado: de 152,2% ao ano em agosto para 154,7% ao ano em setembro;
  • Crédito pessoal não-consignado: de 132,3% ao ano em agosto para 135,1% ao ano em setembro;
  • Crédito pessoal consignado: manteve, em setembro, os 29,3% ao ano registrados em agosto;
  • Crédito renegociado: de 53,1% ao ano em agosto para 54,9% ao ano em setembro;
  • Compra de veículos: de 26,2% ao ano em agosto para 26,1% ao ano em setembro;
  • Compra de outros bens: de 92,8% ao ano em agosto para 96,6% ao ano em setembro;
  • Financiamento imobiliário: de 11,1% ao ano em agosto para 11% ao ano em setembro.
 Fonte: UOL Economia
 

terça-feira, 25 de outubro de 2016

A SOCIEDADE CIVILIZADA
Há 74 anos, com 14, fui trabalhar, como office-boy na Companhia Gessy Industrial. Criada por um inteligente imigrante italiano fabricava, em 1942, produtos de higiene pessoal que competiam bem com os das concorrentes estrangeiras aqui instaladas. Os tempos eram lentos. A única comunicação direta com os clientes era por meio da correspondência escrita, sujeita às vicissitudes do velho Correio nacional. A qualidade e a precisão da comunicação da empresa com seus compradores eram, assim, absolutamente decisivas para o seu sucesso.

Na Gessy, tive a sorte de trabalhar com o correspondente-chefe que garantia aquela interlocução, o senhor Ayrton Alves Aguiar, um verdadeiro “triple A”! Cultura aberta (médico sem exercer a profissão), generoso, crente da objetividade da ciência, era um libertário que beirava o anarquismo. Cultivava o socialismo “enrustido” da Coleção Espírito Moderno. Dirigida por Anísio Teixeira e Monteiro Lobato, publicava obras de socialistas “fabianos”, como H.G. Wells, que ele me convenceu a ler. Cheguei assim, aos 17 anos, um convicto “socialista fabiano”, com a certeza de que era possível construir uma sociedade melhor onde houvesse liberdade individual e relativa igualdade, desde que fosse gerida por uma burocracia esclarecida e generosa num regime de propriedade coletiva dos meios de produção.

Não me lembro de qualquer menção, naquela literatura, de como na tal sociedade se coordenariam os desejos de milhões de consumidores livres, com a ação de milhões de agentes estatais que deveriam produzir os bens que os satisfariam. Em 1948, no primeiro ano do curso de Economia da FEA-USP, provocado por meu exibicionismo, o ilustre professor Paul Hugon, pacientemente, abalou as minhas crenças. Explicou os problemas daquela coordenação estudados por economistas entre 1920 e 1930 e chamou a minha atenção para Marx, que os fabianos detestavam por sua “metafísica”, que se esquivara do problema com uma platitude: “De cada um de acordo com suas habilidades e para cada um de acordo com as suas necessidades”...

É difícil entender a deliberada ignorância desse problema diante do fracasso de centenas de experiências pioneiras na construção de sociedades inspiradas nos pensamentos socialistas de Robert Owen e Charles Fourier, por exemplo.

É perigoso generalizar, mas todas começaram com fervor quase religioso de abdicação, altruísmo e esperança. E todas terminaram muito mal, quer por pressões externas, quer porque a prática mostrou que a coordenação das atividades autogeridas encontra dificuldades cuja solução exige alguma hierarquização, e isso desperta forças desagregadoras. Nunca foram comunidades importantes. A macroexperiência foi apoiada no pensamento de Marx. Começou como a esperança de libertação da humanidade, sob a admiração quase unânime da inteligência internacional: a construção de Lenin na Rússia. Terminou, também, de forma trágica. Mesmo com o poder absoluto durante 70 anos, não foi capaz de resolver o velho problema da coordenação.

Talvez já seja tempo de deixar de lado a busca do grande sonho da sociedade “perfeita” e reconhecer a possibilidade de construção de uma sociedade “civilizada” mais modesta, que atenda a pelo menos três condições: 1. Dar a todos a plena liberdade para realizar as suas potencialidades. 2. Igualizar as oportunidades de cada um, reduzindo o acidente do local de seu nascimento e mitigando as transferências de poder intergeracional que a acumulação da riqueza confere. 3. Resolver o problema da coordenação por meio de um Estado forte, constitucionalmente controlado, capaz de regular o bom funcionamento dos mercados, o que, com sólidas instituições, permite uma “acomodação” da liberdade com a igualdade e a eficiência produtiva, valores não inteiramente compatíveis.

Os “mercados” estão longe de ser perfeitos. São uma construção do homem – um instrumento – que resolve de forma satisfatória o problema da coordenação, aumenta a produtividade do trabalho e reduz o tempo que ele precisa para atender à sua subsistência material, o que lhe dará cada vez mais tempo livre para realizar a sua humanidade. 

Fonte: CartaCapital
Por Delfim Netto 
 

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

DOCENTES DA UERN DEFENDERÃO 

GREVE GERAL A PARTIR DE 

11 DE NOVEMBRO


Professores e professoras da UERN se reuniram na manhã de hoje (19) na sede da ADUERN, a fim de deliberar qual será o posicionamento dos docentes na Assembleia Geral do Funcionalismo Público, que será realizada no dia 21, em Natal. Na oportunidade os servidores paralisarão suas atividades para discutir e encaminhar ao lado de outras categorias as estratégias de resistência aos ataques empreendidos pelos Governos.

Por ampla maioria, os docentes da UERN definiram que defenderão Greve Geral a partir do dia 11 de novembro. A proposta será levada à Assembleia Geral na sexta-feira e apreciada pelos trabalhadores e trabalhadoras das demais categorias.

Fonte: Assessoria de Imprensa da ADUERN
Por Cláudio Palheta Jr. 
 

terça-feira, 18 de outubro de 2016

O QUE FAZER COM AS

 RESERVAS INTERNACIONAIS?
O nível “ótimo” das reservas internacionais de um país é mais um daqueles conceitos abstratos de difícil estimação empírica por estar subordinado a um grande número de variáveis, algumas subjetivas. Depende, ao menos:

1. Do nível e da importância das importações para sustentar a atividade econômica interna e da probabilidade de suspensão dos fluxos normais de comércio e seu financiamento (a famosa “parada súbita”).

2. Da qualidade da sua política econômica interna (fiscal, monetária e cambial).

3. Da situação da economia mundial e das políticas econômicas (fiscal, monetária e cambial) dos grandes parceiros internacionais (Estados Unidos, União Europeia, Japão e China), que exercem influência assimétrica sobre as políticas econômicas internas dos países sob sua influência, particularmente os emergentes.

4. Da magnitude da dívida externa, da distribuição de sua amortização e da qualidade do seu financiamento.

5. Do custo, em relação ao PIB, de carregá-las.

6. Da qualidade e confiabilidade das hipóteses com as quais se “inventa” o futuro para projetá-las.

Hoje as nossas reservas são da ordem de 380 bilhões de dólares, nível confortável, provavelmente acima do nível “ótimo” se as condições de pressão e temperatura da economia no Brasil e os seus parceiros externos fossem normais, o que, obviamente, está longe, muito longe, de ser verdade.

Ao contrário, a confusão produzida pelas políticas monetárias do Fed, do BCE, do BCJ e tutti quanti sugere que eles navegam num mar desconhecido e perigoso, sem bússola e com céu encoberto. Os “derivativos”, um dos instrumentos com os quais fazemos as intervenções no mercado cambial, e que já andaram próximos de 120 bilhões de dólares, estão hoje perto de 40 bilhões.

O custo anual para carregar a reserva é igual à diferença entre a taxa de juros da dívida interna que a financia e a taxa de juros em dólares que a remunera, multiplicado pelo seu nível médio no ano, somado aos resultados (positivos e negativos) das operações de swaps liquidadas no período.

Ele é mesmo muito elevado, não apenas porque o nível da reserva parece exagerado, mas, também, porque a diferença entre a taxa de juros interna de seu financiamento (uma das maiores do mundo) e a taxa externa que a remunera (que hoje namora o espectro negativo) é extremamente exagerada.

O efeito de uma redução de 20% no nível da dívida com relação ao seu custo é o mesmo de uma redução de 20% entre as taxas de juro, que estará ao alcance de nossa mão se o Congresso aprovar a PEC 241.
 
A discussão sobre o nível ótimo de reservas é, hoje, tão diversionista quanto todas as outras sugestões para a miríade de reformas infraconstitucionais que deveremos fazer depois que tivermos criado a condição necessária (mas não suficiente) para controlar os gastos públicos e a expectativa de que a relação dívida bruta/PIB convergirá para a estabilidade num horizonte razoável.

No momento, a redução das reservas não parece ser nem necessária, nem a melhor solução: implicará reduzir o “seguro” quando a probabilidade da “catástrofe” é ainda assustadora. O problema do Tesouro Nacional não é excesso de dólares. É a escassez de reais!

A venda de dólares físicos no mercado de câmbio introduzirá mais incerteza sobre o nível adequado da taxa cambial, aumentará a necessidade de intervenção com os swaps e reduzirá ainda mais as expectativas de crescimento do PIB.

É preciso insistir: sem a aprovação de alguma coisa parecida com a filosofia da PEC 241 (que pode ser aperfeiçoada, mas não afrouxada no Congresso), a instabilidade fiscal não será corrigida e continuará a pressionar a taxa de juros.

Ao contrário, a sua aprovação, combinada com as expectativas de redução da taxa de inflação (em torno de 5%, para 2017, e seu retorno à meta, em 2018), induzirá, naturalmente, uma redução sustentável da taxa de juros real que terá, para o Tesouro, o mesmo efeito que a “venda” física de parte das reservas e estimulará, ainda, a sustentação de uma taxa de câmbio adequada.

Serão somados dois efeitos fundamentais para a recuperação da produção industrial, sem a qual o crescimento saudável não voltará:

1. A queda da taxa de juros real.
2. A manutenção de uma taxa de câmbio real competitiva. 

Fonte: CartaCapital
Por Delfim Netto 
 

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

INFLAÇÃO DESACELERA

 PARA 0,08%, A MENOR PARA 

SETEMBRO EM 18 ANOS


A inflação oficial no Brasil fechou o mês de setembro em 0,08%, o representa uma desaceleração em relação a agosto, quando a alta dos preços havia sido de 0,44%, segundo dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) divulgados nesta sexta-feira (7) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

Este é o menor índice desde a taxa de 0,01% de julho de 2014. Em relação aos meses de setembro, a taxa é a mais baixa desde 1998, quando ficou em -0,22%. Em setembro de 2015, a inflação havia sido de 0,54%.

Com a alta dos preços em setembro, o acumulado no ano é de 5,51%. Em 12 meses, a inflação é de 8,48%. 


O resultado ainda está muito acima do limite máximo da meta do governo. O objetivo é manter a inflação em 4,5% ao ano, mas com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos, ou seja, podendo oscilar de 2,5% a 6,5%. Em 2015, a inflação foi de 10,67%. 

Inflação e juros

A inflação alta tem sido uma das principais dores de cabeça para o Banco Central nos últimos anos. A taxa de juros é um dos instrumentos mais básicos para controle da alta de preços.

Quando os juros sobem, as pessoas tendem a gastar menos e isso faz o preço das mercadorias cair (obedecendo à lei da oferta e procura), o que, em tese, controlaria a inflação.

Porém, a taxa de juros já está alta e aumentá-la ainda mais poderia comprometer a retomada do crescimento da economia. O Banco Central tem dito que buscará deixar a inflação dentro da margem de tolerância deste ano. Atualmente os juros estão em 14,25% ao ano.

Perspectivas


A projeção para a inflação no final de 2016 caiu para 7,23%, segundo o último Boletim Focus, com as expectativas de economistas consultados pelo Banco Central. 

Para os próximos 12 meses, a projeção de inflação caiu de 5,16% para 5,15%. Para 2017, os analistas mantiveram a previsão de 5,07

Fonte: UOL Economia
(Com Reuters)
 

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

PRODUÇÃO DE VEÍCULOS CAI 3,9% 

E FICA NO MENOR NÍVEL PARA

 SETEMBRO DESDE 2003


As montadoras instaladas no Brasil terminaram setembro com o menor nível de produção para o mês desde 2003. Foram 170.815 veículos produzidos no nono mês do ano, queda de 2,2% em relação a igual período do ano passado e baixa de 3,9% em comparação a agosto, informou nesta quinta-feira, 6, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

No acumulado de janeiro a setembro, 1.533.951 unidades saíram das fábricas, recuo de 18,5% sobre o resultado alcançado em igual intervalo de 2015.

Por segmento, os automóveis e comerciais leves, juntos, somaram 163.825 unidades em setembro, retração de 1,9% em relação a setembro do ano passado e tombo de 4,2% ante o volume do mês anterior. No acumulado do ano, a queda é de 18,3%, para 1.493.022 unidades.

Entre os pesados, foram 4.846 caminhões produzidos no mês passado, baixa de 16,7% ante igual mês de 2015 e declínio de 7% sobre o volume de agosto. O segmento acumula queda de 21,7% no ano até setembro, para 46.447 unidades.

Já no caso dos ônibus, as montadoras produziram 2.144 unidades em setembro, expansão de 24,1% sobre o resultado de igual mês do ano passado e alta de 46,4% em relação a agosto. No ano, no entanto, há baixa acumulada de 22,5% - 14.482 unidades.

Com o corte na produção da indústria automobilística como um todo, as demissões continuam nas montadoras. Só em setembro, 1.368 vagas de emprego foram eliminadas. Considerando os últimos 12 meses, são 8.979 vagas a menos. Com isso, o setor conta hoje com 124.630 funcionários, recuo de 6,7% em relação ao nível de setembro do ano passado.

Fonte: Isto É Dinheiro 
 
SECRETÁRIO DE DESENVOLVIMENTO 

DO RN DESTACA REAÇÃO E ANALISA 

SITUAÇÃO ECONÔMICA


O Rio Grande do Norte comemora a reação do setor de comércio e serviços nos últimos meses, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi o estado com maior crescimento proporcional nestes segmentos. O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Flávio Azevedo destacou o resultado.

“O RN sempre respondeu muito bem na área de comercio e na área de serviço já e uma tradição do estado. Quando a economia dá sinais de melhora, esses setores são os que primeiro sentem a evolução. O estudo do IBGE aponta em termos proporcionais que o estado foi o que mais cresceu nessa pequena melhoria do país”, disse o secretário.

Em 2015 segundo a Junta Comercial do Estado, o RN fechou com um saldo de 2500 novas empresas, além de crescimento em atividades como o turismo e hotelaria. Sobre a continuidade da reação, Flávio explicou o momento da situação econômica brasileira e a expectativa do mercado.

“A chegada da nova equipe econômica, liderada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles e o presidente do Banco Central gerou um estímulo e deu credibilidade à classe empresarial. Agora é esperar que a classe política dê a resposta esperada com as medidas sugeridas pela equipe econômica, assim gerando melhoria no setor empresarial. Agora se a classe política falhar nas medidas, mesmo que sejam impopulares, o Brasil ficará sem alternativa, continuando no fundo do poço, precisamos aproveitar as sugestões dessa equipe econômica de reconhecimento do mercado mundial”, afirmou.

Fonte: Portal no Ar
Por Júlio Rocha
 
TRIBUNAL DÁ GANHO DE CAUSA PARA

 ADUERN EM AÇÃO MOVIDA CONTRA 

ATRASOS SALARIAIS


Em julgamento realizado na manhã de hoje (05) em Natal, o plenário do Tribunal de Justiça do RN, formado pelo corpo de Desembargadores do Estado, considerou procedente a ação movida pela ADUERN – Associação dos Docentes da UERN – que exige que o pagamento dos professores e professoras da universidade seja realizada até o último dia do mês trabalhado.

A decisão dos magistrados foi de que o Governo deve se responsabilizar pela remuneração dentro do prazo estabelecido pela Constituição do Estado do RN. A ADUERN pedia também que em caso de novos atrasos fosse aplicada uma multa diária pessoal para o Governador Robinson Faria. O Plenário entendeu, porém, que a contabilização de juros e correções monetárias é a melhor forma de inibir a morosidade no pagamento dos salários.

De acordo com o assessor jurídico da ADUERN, Lindocastro Nogueira, a decisão foi importante, porém insatisfatória. Ele explicou que esta é a primeira vez que todo o plenário decidiu de maneira favorável ao pagamento dos salários dos servidores em dia, mas que isso só se cumprirá mediante a aplicação de multa diária que pressione o Governador a resolver o impasse o quanto antes.

Lindocastro ainda afirmou que o Tribunal seguirá avaliando a conduta do Governo do Estado e que poderá voltar atrás em sua decisão caso ele siga atrasando os salários. “Caso o Governador não comece a pagar os salários em dia, existe a possibilidade de o Tribunal reavaliar a determinação e garantir o pagamento de multa, como desejamos”, afirmou.

Segundo Lindocastro, a decisão do Plenário deverá ser publicada nos próximos dias e o Governo do Estado pode recorrer das determinações. A ADUERN vai aguardar pela publicação do documento oficial, que vai explicitar de que forma se dará a cobrança dos juros e correções monetárias, para definir as próximas estratégias.  

Decisão

Para o relator do Mandado de Segurança, desembargador Saraiva Sobrinho, é inquestionável que a mantença do pagamento do funcionalismo estadual em atraso afronta mandamento constitucional, além de ofender ao princípio da dignidade da pessoa humana ante a natureza estritamente alimentar do salário, indispensável a sobrevivência do servidor e da sua família, enquanto reembolso pelos serviços prestados.

Saraiva Sobrinho entende que a adversidade trazida pela crise econômica vivenciada pelo Estado do RN jamais poderá servir de elemento a justificar agressão à garantia intangível inserta na Carta Magna estadual. “Por derradeiro, ainda que não se despreze no todo, as razões de cunho financeiro discutidas pelo impetrado, o eventual retardamento, deve ser, necessariamente, procedido com o acréscimo de correção monetária, em obséquio à segunda parte do § 5º art. 28 da CE”, decidiu.

Fonte: Assessoria de Imprensa da ADUER
Por Cláudio Palheta Jr.
Com informações do TJRN
 

terça-feira, 4 de outubro de 2016

A NATUREZA DA ECONOMIA
A economia é um tipo de conhecimento muito diferente daquele das “ciências naturais” como a física ou a química, onde se pode, às vezes, estudar efeitos da causa “x” sobre o evento “y”, isolando, cuidadosamente, a alteração de outras variáveis que poderiam, eventualmente, perturbá-la.

A diferença é que a descoberta de “leis” naquelas ciências deixa a natureza imperturbada. Depois que Galileu descobriu a lei da aceleração do movimento, Newton formulou a lei da gravidade universal e Faraday descobriu a lei da indução eletromagnética, a natureza não tomou conhecimento. Não pensou em reagir alterando a constante gravitacional!

A “natureza”, na economia, é a “sociedade humana”. Uma combinação de indivíduos heterogêneos que reagem aos estímulos de formas diferentes, pensam, têm memória e interesses. Formam um sistema complexo de inter-relações que se alteram conforme seus membros tomam consciência de que, pela organização desses interesses e pelo “sufrágio universal”, podem mudá-las!

É por isso, e algumas outras coisas, que a economia não tem relações estáveis (“leis”) e os economistas têm de construir sempre novos modelos, sujeitos à extraordinária hipótese de que “todo o resto permanece constante”. 

O objeto da economia não muda. Muda o comportamento da sociedade, à medida que ela se conhece. O fato de ser uma modesta disciplina e não uma ciência “dura” não impede, entretanto, que ela tente usar a mesma metodologia para acumular conhecimentos úteis à administração privada e pública. 

É por isso que a discussão entre ortodoxos e heterodoxos é uma lamentável perda de tempo. Em economia, toda ideia realmente nova é, por definição, “heterodoxa”. Depois, dependendo da qualidade retórica da narrativa e da sua sobrevivência ao teste empírico é, ou não, incorporada à ortodoxia. Keynes foi um grande heterodoxo bem-sucedido.

Hoje está incorporado à ortodoxia pelo neokeynesianismo, que infecciona os modelos de equilíbrio geral dinâmico estocástico (DSGE) de quase todos os bancos centrais. Robert Lucas foi, sob alguns aspectos, um heterodoxo malsucedido. Foi afoitamente abraçado pela ortodoxia mal informada que acreditou na racionalidade “divina” exigida pela teoria das expectativas “racionais”.

A economia recepciona boa parte do que sugere o mainstream, principalmente que existem limites físicos insuperáveis; deve existir equilíbrio entre a expansão do consumo e a do investimento; há necessidade de boa ordem fiscal e monetária para que haja espaço para políticas anticíclicas; as tentativas de violar as identidades da contabilidade nacional sempre terminam muito mal; o desenvolvimento econômico é apenas o codinome do aumento da produtividade do trabalho e requer um Estado forte, constitucionalmente controlado, capaz de regular e garantir o bom funcionamento dos mercados.

Mas não recepciona a ideia de que os mercados são autorreguláveis, obedecem ao imperativo categórico kantiano e levam ao pleno emprego, nem que há harmonia entre os membros da sociedade. Sabe que ela é dividida em “ganhadores” e “perdedores” e que, portanto, toda política econômica altera essa relação. 

A sociedade democrática pretende combinar três objetivos não inteiramente compatíveis: liberdade individual, mitigação das desigualdades produzidas pelo acidente do local do nascimento e eficiência produtiva.

No Brasil, só o exercício permanente e paciente da política – acompanhado do esclarecimento da maioria (“perdedora”) – poderá vencer, nas urnas, o “ganhador”, o estamento estatal que se apropriou do poder. 

Fiquemos com a boa e modesta economia e aceitemos que ela não é “ciência”, mas pode ser muito útil na administração pública e privada. Como confessou Alan Greenspan (“o Maestro”, suposto portador da “ciência monetária” transformada em “arte”), no seu depoimento ao Congresso dos Estados Unidos, em outubro de 2008, no auge da crise: “Ela é muito maior do que qualquer coisa que eu poderia ter imaginado... Estou chocado e incrédulo. Cheguei à conclusão de que nossos modelos (os do Fed) não perceberam a estrutura crítica que define o funcionamento do mundo”.

Você ainda acredita que agora o Fed sabe o que está fazendo?

Fonte: CartaCapital
Por Delfim Netto 
 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

DIFICULDADES DE TEMER
No dia 31 de agosto tomou posse como presidente da República do Brasil o senhor Michel Temer. A situação social e econômica que enfrentará é difícil. Entre o segundo trimestre de 2015 e o de 2016, destacaram-se: 1. Um déficit fiscal de 10% do PIB (10,3% em 2015), quatro vezes maior do que a média de 2009-2013, de 2,7%. 2. Uma relação entre a dívida bruta e o PIB que ronda 70% (era de apenas 52% em 2013). 3. Uma retração do PIB per capita da ordem de 6%, que deixou atrás de si quase 12 milhões de desempregados.

Desde o início de sua interinidade, em meados de maio, Temer disse a que veio. Primeiro, estabeleceu uma espécie de “parlamentarismo” informal. Em seguida, apresentou um programa sensato de enfrentamento do desequilíbrio fiscal, que é condição necessária, mas não suficiente, para a volta ao desenvolvimento inclusivo e sustentável, que deve ser o objetivo do governo.

Sem uma maioria forte, consciente, decidida e bem coordenada, tanto na Câmara quanto no Senado, de nada adiantarão bons programas. É preciso reconhecer, por outro lado, que a sociedade é heterogênea e composta de “ganhadores” e “perdedores”, e as medidas propostas vão modificar a relação de força entre eles. Portanto, deve-se esperar, como já é visível, a defesa dura e incisiva de quem tem o que “perder”, não só do setor privado, mas, principalmente, do corporativismo estatal que se apropriou do poder em Brasília, por causa do laxismo e da tibieza de todos os presidentes desde Sarney.

Sem nenhum constrangimento, a “casta estatal” recusa-se a tomar conhecimento das consequências da recessão (redução de horas de trabalho, desemprego, redução do consumo etc.) que a maioria explorada e desorganizada que produz – e que com seus impostos a sustenta – está vivendo. A gritaria no Congresso que defende o corporativismo organizado é da “esquerda infantil”, com alguns integrantes pertencentes à “casta” e em licença de suas atividades funcionais.

A situação só pôde chegar aonde chegou porque à irresponsabilidade do Poder Executivo somaram-se os indispensáveis adesão e entusiasmo dos Poderes Judiciário e Legislativo. Hoje, os números do Orçamento mostram que a “casta” de rentistas corporativamente organizada controla o poder e apropria-se de parte exorbitante do excedente produzido pelo setor privado (o que reduz os investimentos produtivos) e é um importante impedimento ao desenvolvimento econômico.

Para se ter uma pequena ideia da gravidade da situação, basta saber que a “casta”, cuja expectativa de vida ao se aposentar é pelo menos cinco ou seis anos maior do que a dos trabalhadores, recebe uma aposentadoria média pelo menos dez vezes maior que as do setor privado que a sustenta!

O governo Temer, se quiser ter o sucesso de que o Brasil precisa, tem de mostrar essa dura realidade à sociedade e convencê-la de que nenhum direito constitucional dos trabalhadores será atingido. Que as mudanças são uma necessidade imposta pela demografia que nos envelhece. Que republicanamente deseja, em nome da igualdade de oportunidades, que, no futuro, os setores público e privado sejam sujeitos à mesma lei.

Qualquer programa econômico só será salvo se o Executivo puder construir uma maioria no Congresso capaz de sustentá-lo. Temer fez isso com relativo sucesso enquanto presidente interino. Esperemos que possa fazer ainda mais como definitivo. É hora de dedicar-se ao que faz melhor: reafirmar com clareza sua capacidade de intermediar conflitos. Isso criará as condições de confiança na antecipação do equilíbrio fiscal num horizonte previsível.

Dará condições para que o Banco Central comece a diminuir a taxa de juros real, que está aumentando pela queda da inflação esperada para os próximos 12 meses, reduza o custo da dívida e libere recursos do governo para usos mais nobres. Essa é a preliminar para a volta do desenvolvimento inclusivo e sustentável que todos esperamos. 

Fonte: CartaCapiral
Por Delfim Netto 
 
JULGAMENTO SOBRE ATRASO NOS

 PAGAMENTOS DE DOCENTES DA

 UERN SERÁ REALIZADO AMANHÃ


O Julgamento da ação movida pela ADUERN- Associação dos Docentes da UERN –  que exige que a remuneração dos professores e professoras da universidade seja realizada até o último dia do mês trabalhado, será julgada no dia 21, próxima quarta-feira.

De acordo com Lindocastro Nogueira, assessor jurídico da ADUERN, essa será uma decisão definitiva, pois será proferida pelo plenário dos Desembargadores do Tribunal de Justiça do RN. Na oportunidade, os juristas irão se pronunciar sobre a ilegalidade dos atrasos nos pagamentos dos vencimentos pelo governo do Estado.  Esses atrasos vêm ocorrendo desde o mês de fevereiro desse ano, com dias de atraso sendo ampliado a cada mês. Se a decisão for favorável aos docentes, o Governador pode até ser responsabilizado pessoalmente em caso de novos atrasos.

Lindocastro afirmou ainda que a ação tem base o que dispõe o artigo 28 § 5º  da Constituição do Estado do RN, que expressamente afirma que “ Os vencimentos dos servidores públicos estaduais, da administração direta, indireta, autárquica e fundacional são pagos até o último dia de cada mês, corrigindo-se monetariamente os seus valores, se o pagamento se der além desse prazo”.

A Diretoria da ADUERN e a assessoria jurídica estarão presentes na audiência em Natal e convidam toda a categoria a acompanhar a decisão dos desembargadores, a partir das 8h da quarta-feira. Lindocastro Nogueira destaca que há a possibilidade do julgamento não se encerrar no dia 21, caso algum dos juristas peça vistas para reavaliar o processo.  

Precedente – Embora outros sindicatos também tenham entrado com ações judiciais contra os atrasos,  Lindocastro explica que esta será a primeira decisão de plenário sobre o tema.  Ele acredita que a decisão dos desembargadores vai criar um precedente jurídico que impactará as demais determinações sobre o tema. O assessor reitera que  no caso específico da ação da ADUERN, a exigência é de que os vencimentos sejam pagos até o último dia do mês trabalhado e não com o ressarcimento dos dias atrasados através de juros ou correções monetárias

Fonte: Assessoria de Comunicação da ADUERN 
Por Cláudio Palheta Jr.