DELÍRIO COLETIVO
O clássico de sábado foi uma espécie de delírio diante de um quase nada (aquele clássico, disputado quase às moscas no Engenhão).
Derrotado, mesmo com atuação acima da média para quem tinha tantos desfalques, o Vasco deu corda a um resultado que muito pouco acrescenta ao seu ótimo momento. Nem vou entrar no mérito do pênalti (entendo que não foi, mas aceito opinião contrária, algo difícil de ser recíproco no mar de covardões, professores de jornalismo e donos da verdade que habitam as redes sociais). Absolutamente fora do tom o cerco ao árbitro, tentativas de agressão ao trio, excesso verbal de Roberto Dinamite e as declarações pós-partida. Ali, naquele excesso verborrágico, o Vasco perdeu muito mais do que três pontos num clássico inútil. Teve cinco jogadores expulsos e terá que se virar para montar time para a reta final.
Foi uma revolta retroativa. Da parte dos torcedores é até compreensível – menos as cadeiras quebradas no Engenhão. Faz parte do direito universal das arquibancadas que o apaixonado pelo clube ponha a boca no trombone. O desespero de sábado passado remete, principalmente, aos dois pênaltis evidentes a favor do Vasco, claríssimos e escancarados, que Péricles Bassols deixou de marcar nos dois clássicos que terminaram empatados no Brasileirão-2011. Naqueles equívocos, o Vasco perdeu quatro pontos. E viu escorregar o seu quinto título brasileiro.
Entende-se a dor, o inconformismo e a tentativa de mudar o quadro. Só não se compreende o uso da força e da verborrargia inconsequente. Nos últimos anos, o Vasco se esforçou para recuperar sua imagem e fidalguia. Conseguiu. Conseguiu montar um bom time. Voltou a ser campeão. Recuperou o respeito. Não se pode manchar tantas conquistas pór uma derrota para o maior rival. É ruim perder, com ou sem polêmica de apito. Perder a cabeça é pior ainda.
O delírio prossegue entre os vencedores. O Flamengo não jogou melhor do que o Vasco. Pelo contrário: o Vasco mostrou mais a partir da parada técnica do primeiro tempo e em boa parte do segundo. O Fla teve determinação, alguns lampejos de RG, o sempre bom desempenho de Vagner Love e inteligência para explorar os buracos do Vasco a partir das substituições de Cristóvão Borges. Mas não foi uma grande atuação. Longe disso. Os erros continuam crassos e a desordem tática, claríssima. No fim, comemoração por quase nada e, como a lei na Gávea é viver num Mundo Paralelo, com cara de reino-do-faz-de conta, todos os problemas foram convenientemente varridos para debaixo do tapete. Mais do que um choque de ordem, o Flamengo necessita de uma choque de realidade.
No sábado de aleluia, muito barulho para quase nada.
Fonte: Blog Jogos que eu vi

















































Nenhum comentário :
Postar um comentário