sexta-feira, 6 de junho de 2014

Por Carlos Escóssia

 MOSSORÓ CIDADE JUNINA

PROPOSTA DE REDIMENSIONAMENTO


Há exatamente nove anos atrás, escrevi três artigos propositivos relacionados ao evento Mossoró Cidade Junina, mostrando a necessidade do seu redimensionamento, com o objetivo de profissionalizar o evento e substituir o alto investimento da Prefeitura Municipal de Mossoró,  por investimentos privados.

Até o presente, muito pouco - ou, quase nada - foi feito no sentido de reduzir os custos do evento para o município, evitando desequilíbrio ou desvio de fins que implique prejuízos para a comunidade mossoroense, como vem ocorrendo desde a sua implantação.

Concordamos que em relação a segurança, o evento melhorou um pouco.

Também concordamos, e temos a real convicção, que apenas a melhoria do item segurança não viabiliza um evento de tamanha envergadura.

Leia os artigos publicados no ano de 2005.
 
PRIMEIRA PARTE

O “Mossoró Cidade Junina” lançou Mossoró como um dos destinos turísticos regionais para os festejos juninos, colocando-se ao lado das outras cidades de maior expressão nacional para este tipo de evento, como Caruaru (PE) e Campina Grande (PB). A exemplo destas cidades – e de grande parte das iniciativas que mobilizam as sociedades em geral, e em especial no Brasil – coube à Prefeitura Municipal de Mossoró iniciar todo o processo, financiando o investimento inicial como forma de despertar a percepção pelo projeto.

Também é importante destacar que iniciativas como o “Mossoró Cidade Junina”, cujo objetivo principal é mobilizar as pessoas no sentido cultural e de lazer, precisa envolver a sociedade mossoroense para poder ser absorvido como uma tradição local e se perpetuar, e consolidar-se, como um evento que possa despertar o interesse - tanto do cidadão, quanto do turista em geral - e assim promover o beneficio cultural desejado e, ainda, promover benefícios econômicos para a população.

Como se pode perceber pelos altos valores investidos no evento desde a sua criação, a tendência é há de que ano após ano este volume de investimento deva absorver, cada vez, mais recursos do orçamento do município, provocando um efeito contrário para a população, pois desviará recursos das atribuições mais precípuas do orçamento da prefeitura (finalidades sociais), para suportar o crescimento anual do evento. Por outro lado, é necessário que a população tenha a nítida sensação de que o evento como um todo não lhes é danoso enquanto cidadãos - ou que ele só beneficie aqueles que vêm aqui se divertir à custa do tesouro municipal - privando-o dos seus direitos de munícipe. É preciso que o evento se caracterize como um movimento inteiramente nosso, da cidade e de seu povo, para que ele sobreviva e seja bem-vindo a todos.

É nesta linha que apresentamos a presente proposta, com a finalidade de apresentar uma saída viável para a manutenção e o crescimento do Projeto “Mossoró Cidade Junina”, principalmente por percebermos que este evento tende a crescer e, pela crescente demanda de recursos, pode transformar-se num problema em médio prazo e ser extinto, implicando grande prejuízo para a nossa comunidade.

A idéia central é substituir o investimento da PMM por financiamento privado, até que a parte do município seja reduzida a proporções e cifras que não provoque nenhum tipo de desequilíbrio ou desvio de fins que implique prejuízos para a comunidade mossoroense.

O primeiro passo seria montar uma estrutura de parcerias entre os eventos promovidos pelas cidades acima (Caruaru e Campina Grande), inclusive com a elaboração de uma programação comum - contratação de atrações de nível nacional e regional dentro de uma programação entre as três cidades - onde as diferenças ficassem restritas às programações locais características de cada uma delas. Desta forma, a começar do custo de contratação, todos os custos comuns seriam compartilhados e, obviamente, barateados, diminuindo o volume total de inversões necessárias, criando as condições para atrair capital privado.

Por outro lado, também o material publicitário e todo o investimento em marketing seria conjunto, possibilitando também uma redução drástica de custos. Por exemplo, as publicações impressas (revistas, jornais, outdoor etc.), campanhas de rádio e televisão, Internet e outras, também seriam conjuntas, criando a percepção no turista das demais regiões do país, de que esta é uma região de festas juninas em que ele poderia escolher o destino de sua viagem e teria a possibilidade de distribuir sua permanência na região em algumas cidades e, neste caso, poderíamos absorver boa parte destes turistas que viriam conhecer as nossas belezas naturais. Finalmente, o fluxo de turistas que se hospeda em hotéis e faz compras no comércio, e não somente daquele que vem se hospedar na casa de parentes e amigos, será estimulado e trará uma demanda adicional aos serviços e ao comércio local, sobretudo por que o atual modelo não trás esta demanda em si. A isto chamamos de “profissionalização” do evento do ponto de vista turístico.

Pelo que os empresários do setor têm passado de informações, é praticamente nulo o efeito do evento sobre o percentual de ocupação dos hotéis no período, ou sobre o uso de serviços de táxis, ou de restaurantes, ou de compras no comércio etc. É preciso fazer com que o dinheiro do cidadão seja muito bem utilizado, em seu beneficio!

O impacto da substituição do investimento da PMM pelo investimento privado sobre as contas do município será bastante positivo, pois se de um lado teremos a redução do aporte de recursos diretos, e líquidos, por parte do tesouro municipal, ainda teremos uma elevação do faturamento das empresas do setor de serviços onde, justamente, incide uma das fontes de recursos da prefeitura que é o ISS - Imposto Sobre a Prestação de Serviços. Em outras palavras, a diminuição da despesa com o evento ainda será cumulativamente benéfica por implicar na elevação da arrecadação municipal, através do referido imposto, diretamente carreada para os cofres do município. Na verdade, não classificamos como um erro a adoção do atual modelo, mas sim, será um erro se o projeto não obedecer ao curso natural das coisas e não se profissionalizar e passar por um processo de parceria com empresas privadas.

Um exemplo do que propomos é o Carnatal, iniciativa de sucesso implementada na capital do nosso Estado, que se iniciou com um forte investimento da Prefeitura do Natal e hoje é praticamente financiado inteiramente pelas empresas promotoras do evento e parceiros patrocinadores. No caso especifico do “Mossoró Cidade Junina”, é fundamental a formalização de parcerias com um grande patrocinador nacional para poder dar a dimensão social, cultural e econômica que o evento precisa ter e pode ter.

Nossa percepção é de que um evento deste porte, com tamanha potencialidade de benefícios para a população e à economia local, deva ser fortalecido para evitar algum retrocesso. Em assim sendo, ele tem que existir e ser atrativo independentemente de haver, ou não, participação da prefeitura municipal com recursos orçamentários. Afinal de contas, uma série de outras iniciativas serão colocadas em prática pela prefeitura demandando também o aporte de recursos deste tipo.

Por outro lado, é preciso liberar recursos do orçamento do município para realizar mais investimento social, sem perda do efeito gerador de emprego e renda que o evento passe a possuir. Isto significa que a PMM dará todo o apoio necessário para que o “Mossoró Cidade Junina” consolide-se de fato, e cresça, sem esquecer que os compromissos sociais jamais serão abandonados.

*Esse artigo foi publicado no Jornal Página Certa, em 16 de janeiro de 2005.
 
 SEGUNDA PARTE

Com o sucesso do projeto “Mossoró Cidade Junina” já consolidada no calendário turístico do Rio Grande do Norte, garantindo a população de Mossoró o direito ao lazer e ao entretenimento, deverá ser uma prioridade para a atual administração, tendo em vista o caráter irreversível do projeto, que conta com uma significativa participação popular. O crescimento progressivo da participação popular, por si só, justifica a manutenção do evento, redimensionando, inclusive a sua área, hoje em torno de 25 mil metros quadrados com o objetivo maior de sua transformação do terceiro São João do Nordeste, para o primeiro.

Um problema enxergado no “Mossoró Cidade Junina” é a grande concentração do evento, fazendo com que esvaziem os demais eventos que por ventura aconteçam nos bairros periféricos, um exemplo, é a festa da Paróquia de São João que em anos anteriores era uma grande festa, que reunia um significativo número de famílias, ao contrário do que acontece no “Mossoró Cidade Junina”. Na festa da Igreja São João as famílias iam inteiras, cooperando para a tranqüilidade da festa. Pensando nisso, apresentamos a atual administração, como proposta, expandir o “Mossoró Cidade Junina”, para a periferia da cidade, fazendo com que os moradores dos bairros mais distantes não precisem se deslocar até o centro da cidade para assistir a um show e deliciar os momentos de lazer e entretenimento.


Hoje o “Mossoró Cidade Junina” se resume a shows de bandas, na maior parte de outros Estados e concursos de quadrilhas matutas. Na presente proposta estão os grupos teatrais nos bairros, gincanas e leilões, concurso da maior fogueira, seminário de Cultura Popular do Nordeste, festival de bonecos, cinema na roça, entre outras iniciativas, com o objetivo de contar com a participação nos eventos de pessoas de todas as classes sociais e faixa etária.

A estrutura atual deverá ser mantida no mesmo formato que vem acontecendo desde o ano de 1996, na Estação das Artes Elizeu Ventania, durante todo o mês de junho. O seu redimensionamento tem entre os seus objetivos, a sua expansão para a periferia da cidade, que contará com diversão e cultura de verdade nos quatro cantos da cidade. Estruturas independentes serão montadas em locais pré-determinados, segundo especificações técnicas, para dar espaço a shows musicais, apresentações teatrais, cinemas, leilões das paróquias, bares e restaurantes. Como sugestão de locais, podemos citar: Igreja de São João, Planalto 13 de Maio ou Vingt Rosado, Santo Antonio e Abolição IV ou Santa Delmira.

Outro problema crucial enfrentado pela população quando da realização do “Mossoró Cidade Junina”, esta relacionada com a segurança. Para minimizar esta problemática e propiciar o bem-estar e a tranqüilidade dos mossoroenses, se faz necessário à instalação de uma Central de Monitoramento com 12 câmeras para dar apoio a Policia Militar, civil e a guarda municipal na segurança da população, ao mesmo tempo viabilizando a participação de turistas, que a cada dia estão prestigiando o investimento na sua segurança. Entendemos que a insegurança pública, além de ser extremamente prejudicial à qualidade de vida dos cidadãos, também afasta investimentos nacionais e estrangeiros do município, tornando-se nocivo ao turismo regional e de eventos.

Um dos pontos negativos do “Mossoró Cidade Junina” é o seu alto custo aos cofres da Prefeitura Municipal de Mossoró. Para se ter idéia do impacto econômico para o município e a sua relação beneficio/custo para a economia de Mossoró, apresentamos para conhecimento público o orçamento do “Mossoró Cidade Junina” no ano de 2002 e uma estimativa do realizado em 2004, pois até o momento a atual administração mostrando total falta de transparência ainda não apresentou aos munícipes a prestação de contas do referido projeto. No ano de 2002, o orçamento total do “Mossoró Cidade Junina” foi de R$ 1.307.898,40, assim dividindo: R$ 136.662,55, com a pré-produção; R$ 744.585,92, com a execução da produção e R$ 426.650,00, para a divulgação do evento. Para o ano de 2004, estimamos com dados extra-oficiais em torno de R$ 2.795.000,00, assim distribuído: R$ 275.000,00 pré-produção; R$ 1.567.500,00, execução da produção e R$ 952.500,00, para divulgação. Como se pode notar um altíssimo gasto sem retorno ou beneficio para a economia local em setores, tais como: comércio, rede, hotelaria, restaurantes, serviços de táxi, vendedores ambulantes, transporte coletivo etc. Como já foi explicada no artigo anterior a proposta de redimensionamento do “Mossoró Cidade Junina”, buscar parceria com as cidades de Caruaru e Campina Grande no sentido da divulgação conjunta dos três eventos, elaboração de uma programação comum, venda de pacote para os turistas que contemplem as três cidades, fomentando o turismo e a economia como um todo, além de baratear em mais de 1/3 o investimento dessas prefeituras na divulgação e execução da produção. Além dessa iniciativa a atual administração, buscará parceria com o Governo do Estado e com a iniciativa privada no sentido de minimizar ao máximo os custos da prefeitura com o “Mossoró Cidade Junina”, e ao mesmo tempo com essas parcerias transformá-lo no maior São João do Brasil.

*.Esse artigo foi publicado no Jornal Página Certa, em 23 de janeiro de 2005

 
 TERCEIRA PARTE

Não sei com qual objetivo a ex-prefeita Rosalba Ciarlini criou o projeto “Mossoró Cidade Junina”, se político, econômico, cultural, de incentivo ao turismo ou se mesmo eleitoreiro. A verdade é que o evento cresceu e consolidou-se no calendário turístico do Rio Grande do Norte, garantindo a população local o direito ao lazer e ao entretenimento.

Tendo em vista o caráter irreversível do projeto, que conta com uma significativa participação popular, é hoje, no meu entendimento o maior desafio da atual administração, trabalhar o seu redimensionamento, sua ampliação e principalmente a profissionalização do evento dentro de uma nova formatação técnica, na busca dos objetivos que devem ser delineados dentro desta nova realidade, tais como: propiciar à população o direito ao lazer e ao entretenimento, gerando emprego e renda, beneficiando economicamente o município; incentivar a atividade econômica que envolva o comércio, rede hoteleira, restaurantes, serviço de táxi, vendedores ambulantes etc; criar um ambiente propício à realização de negócios e a exposições de talentos manifestando na arte e no artesanato; ressaltar a importância do resgate da cultura regional, preservando as manifestações artístico-culturais, principalmente de caráter popular; despertar nos empreendedores o lado lúdico da vida e do investimento na cultura, nas artes e no lazer com viabilidade econômica, servindo de exemplo e incentivo para a implementação de novos projetos.

Diante do exposto e do entendimento que “o planejamento é o exercício sistemático da antecipação” e que as diretrizes que norteiam o desenvolvimento visam patrocinar o bem-estar e a qualidade de vida do ser humano e de sua relação com o meio ambiente e deve ser concebido como portador de uma relação constituída da liberdade, entendida em duplo sentido: como garantia de direitos individuais e coletivos, além priorizar a geração de emprego e renda, buscando para Mossoró, um novo modelo de desenvolvimento auto-sustentável, no qual a questão social assuma posição fundamental em toda sua dimensão.

Daí que, é necessário e de importância capital que a prefeita Fátima Rosado, através de mecanismos de planejamento, adote diretrizes bastante arrojadas, com iniciativas escolhidas considerando a viabilidade de sua realização, o seu planejamento e, sobretudo a relação custo/ beneficio direto que possa gerar emprego e renda, sem depender unicamente da ação investidora da prefeitura, como é o caso atualmente do “Mossoró Cidade Junina”. O novo modelo, além de propiciar à população o direito ao lazer e ao entretenimento, contribuirá concretamente para o incremento da economia local, sobretudo para geração de emprego e renda.

Dentro desta perspectiva, poderá o gestor público municipal, através de parcerias implementar novas iniciativas neste mesmo viés, tais como:

1) Rua 24 horas (um incentivo à cultura, os turistas e ao lazer) - A criação da “Rua 24 horas”, cujo objetivo central seria a criação de um espaço que atenda as necessidades básicas e que tenha estrutura para: lazer, cultura, entretenimento, compras, tais como: Lazer (lanchonetes, bares com shows ao vivo, sala de projeção parque infantil etc.); Cultura (apresentações teatrais, folclore, artesanatos, apresentações de artistas locais etc); Serviços (banco 24 horas, farmácias de plantão, plantão médico, unidade policial, posto telefônico, livraria, sorveteria, praça de alimentação regional, locadoras, central de informação e outras gamas de serviços que poderão ser fornecidos às pessoas que nos visitam e a nós mossoroenses);

2) Centro de Lazer, Cultura e Economia de Bode - Mossoró, cidade pólo do semi-árido nordestino, tem dentre os seus pilares gastronômicos, o bode. O referido centro congregará a iniciativa privada, com instalação de bares e restaurantes servindo essa iguaria, bem como espaço para promoção de shows e eventos da nossa cultura, com destaque para o forró;

3) Construção de um Centro de Convenções - A nossa cidade tem vocação para o turismo de eventos, demonstrando que ações direcionadas e com objetivos definidos podem render bons frutos para a geração de emprego e renda, entretanto ainda existem muitas carências a serem atendidas, como por exemplo, a inexistência de local adequado e com capacidade de acomodação para a realização de eventos de grande porte em Mossoró;

4) Parque de Exposição - Será de grande importância socioeconômica para o município a construção do parque de exposições de Mossoró e principalmente o resgate das grandes exposições de animais e máquinas agrícolas que aconteceram durante muito tempo na Esam. É fundamental também a instalação de um Centro de Treinamento Municipal de Agricultura e Pecuária;

5) Parque Municipal de Mossoró - Dentro do objetivo estratégico de promover o bem-estar da população, deveria está inserida a implantação do Parque Municipal de Mossoró, dentro das condições controladas de prevenção, para que todos os cidadãos possam estar em contato direto com os elementos da nossa rica natureza.

*O referido artigo foi publicado no Jornal Página Certa em 30 de janeiro de 2005.

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