
Conheci Ruy Pereira como prefeito de Serra Negra do Norte. Esteve no meu gabinete, em Brasília, e pediu-me que o apoiasse em algumas reivindicações para o seu município, todas relacionadas à área da saúde. Sabia que eu fazia parte da Frente Parlamentar da Saúde e das ligações pessoais com setores administrativos do ministério. A partir desse momento, fomos várias vezes à Fundação Nacional de Saúde, onde as solicitações fluíam com facilidade. Depois é que fui saber que Ruy era funcionário da Fundação, onde tinha bom relacionamento e amigos influentes. A função política foi mais direcionada para o acesso às autoridades, pois o prefeito já era conhecido de todos.
O prefeito de Serra Negra era pontual, observador de horários, aspecto positivo para mim. Certa vez, agendamos encontro com o presidente da Funasa para as 14 horas. Cheguei alguns minutos antes e fiquei na antessala esperando por Ruy. Dez minutos depois, quando convidado a entrar pedi desculpas ao presidente e falei que, inexplicavelmente, o prefeito não havia chegado. Pedi ao meu gabinete que procurasse saber o motivo do atraso e qual não foi minha surpresa, ao saber do ocorrido. Ruy Pereira estava em uma enfermaria da Fundação Nacional de Saúde. Havia tido uma crise hipertensiva e estava sendo medicado, e em observação médica. Quando me viu, pediu alta e entrou no elevador para cumprir a audiência agendada.
Com o apoio oferecido em Brasília, o prefeito de Serra Negra acenou com a possibilidade de apoiar o meu nome como candidato a deputado federal. Convidou-me a participar de comícios em seu município, onde pretendia concorrer à reeleição. Filiado ao PMDB, era aliado do governador, com quem mantinha vínculos de amizade. Para sua surpresa, a política local, no Seridó, exigiu que o apoio ao seu nome fosse retirado e, num verdadeiro massacre, Ruy foi derrotado por poucos votos, o governador satisfazendo a vaidade de outros correligionários, mas a cidade perdendo um grande prefeito. Explicou-me que teria que mudar de partido e lamentava não poder apoiar meu nome.
Ruy Pereira era um político diferente? Claro que sim. Sério, honesto objetivo, aberto ao diálogo, foi amigo de todos, mesmo dos adversários. Coisas do destino, quando visitava as instalações do Serviço de Cirurgia Cardíaca e Hemodinâmica da Casa de Saúde Dix-sept Rosado, Ruy teve um ligeiro problema de saúde, uma hipotensão e terminou sendo o primeiro paciente a ser atendido no setor. Olhou para mim e disse, em tom de brincadeira, Laíre, estou consciente que recebi um sinal. A partir deste momento vestirei a camisa e me empenharei até que Mossoró tenha Cirurgia Cardíaca. Poderia escrever sobre muitas outras coisas, mas hoje é o dia de Ruy Pereira.
















































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