RESPEITEM A MULHER CERVEJEIRA
Por que propagandas de cervejas são tão machistas? Se você
pensa que mostrar mulheres peitudas e gostosas servindo cervejas a
machos beberrões que se divertem no bar é coisa de brasileiro, saiba que
está redondamente enganado. Comerciais e anúncios de cervejas são, em
sua maioria, sexistas em qualquer parte do mundo.
Embora a feitura da cerveja tenha sido – desde sua origem e
por séculos – uma tarefa quase que exclusivamente feminina isso começou
a mudar quando as cervejas deixaram de ser feitas em casa e passaram a
ser comercializadas em tavernas e pubs. A revolução industrial
praticamente tirou a manufatura das mãos das mulheres quando a cerveja
começou a virar negócio.
Se a cerveja era bebida e feita por mulheres desde os
tempos mais remotos, por que hoje a indústria cervejeira faz tanto
esforço para alijar a parte feminina do público consumidor? O marketing
da Grande Indústria sabe dos números que apontam que cerveja é bebida
mais por homens. Uma pesquisa da craftbeer.com sobre
o mercado americano apontou que apenas 25% das mulheres do país
consideram cerveja sua bebida alcoólica favorita. Podemos pensar o que
veio primeiro: o ovo ou a galinha? Mulheres bebem menos cerveja porque
não gostam mesmo ou porque sempre anunciaram a espumosa como “bebida
para homem”?
Outro resultado dessa mesma pesquisa pode indicar um
caminho: se considerarmos apenas o público amante de cervejas
artesanais, a porcentagem de mulheres que dizem ser a cerveja sua bebida
favorita cresce para 37%. A cultura cervejeira artesanal, por princípio
e em geral, valoriza produtos locais, faz parcerias para ajudar suas
comunidades, não tem ganas de distribuição de massa e, aparentemente,
tem maior potencial para atrair mulheres, tanto para a produção como
para a comercialização e apreciação de suas cervejas.
Mesmo assim, o meio cervejeiro artesanal é
predominantemente masculino e ainda traz resquícios do sexismo herdado
da Grande Indústria e que estão na memória de todos. Abundam imagens de
gostosas e pinups nos rótulos e no marquetismo baseado no “sou macho,
bebo cerveja forte pra pegar mulher”. Por exemplo: ainda que traga uma
gordinha no rótulo, a cerveja Gordelícia cai na vala fácil da exposição
da sensualidade da moça, assim como a Refrescadô de Safadeza. Note-se
que são duas ótimas cervejas, mas que no conceito ficam bambas entre a
piada botequeira e a fórmula “macho bebe, mulé estimula”. As americanas
da Acme e da Lagunitas (deliciosas) também gostam de estampar pinups em
suas garrafas. Vale lembrar que o comercial da Colorado para sua cerveja
da Copa foi considerado machista e bastante criticado, não apenas por
garotas, mas também por cervejeiros artesanais. Mas nada disso se
compara ao machismo bruto das ações da Grande Indústria, que usa e abusa
do corpo da mulher para vender cerveja.
Para nosso alívio, a maior parte dos rótulos das artesanais
é neutra e não explora a sensualidade da mulher. Nem sugerem que elas
permaneçam como espectadoras, serviçais ou estimuladoras. Alguns vão
além e chegam a ser quase feministas, como a gaúcha Maria Degolada, feita em homenagem a uma mulher vítima de violência machista.
Mas a questão é: se a Grande Indústria toma como base seu
público 75% masculino, as artesanais – que contam com maior público
feminino – não deveriam ignorar seu 37% de apreciadoras, cifra que
provavelmente cresce a cada ano. Uma boa maneira de atrair mais mulheres
para suas cervejas é passar a respeitá-las como bebedoras de cerveja.
Ah, e é bom lembrar também que já existem muitas mestras-cervejeiras no
mercado e, como dissemos lá no início, fomos nós mulheres que inicial e
secularmente fabricamos essa porra. Outra coisa a se considerar é que a
Grande Indústria poderia focar em homens que não são idiotas e amam
cervejas.
Ah! E se alguém vier comentar por aqui que nos falta humor
garanto que nós somos muito bem humoradas e adoramos a companhia de
mulheres e homens inteligentes.
Fonte: Lupulinas
Carta Capital

















































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