A DRAMÁTICA SITUAÇÃO
ECONÔMICA DA GRÉCIA
Mergulhada em uma profunda crise desde 2008, a Grécia viveu mais um
capítulo de seu drama na última terça, 30 de abril, com o não pagamento
de uma parcela da dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI), no
valor de € 1,6 bilhão, referente à última ajuda financeira. Com isso, o
país se tornou a primeira economia considerada avançada a dar um calote
no FMI.
“A Grécia está numa situação muito crítica, que já vem acontecendo
nos últimos anos, e pode ser vista, por exemplo, na dívida pública bruta
que pulou de quase de 110% do PIB em 2008 para quase 180% ano passado;
seis anos consecutivos de crescimento negativo (2008-13), revertendo
isso no ano passado, quando conseguiu crescer 0,8%”, afirma o
pesquisador do FGV/IBRE, Marcel Grillo Balassiano.
Esse cenário levou a um salto das taxas de desemprego, que passaram
de pouco menos de 8% em 2008 para quase 27% no ano passado. Para efeitos
de comparação, a Alemanha teve 5% de desemprego em 2014 e a zona do
euro, 11,6%. Para os gregos de até 25 anos, a situação fica ainda mais
dramática, com mais de 50% da população jovem sem ocupação.
“A decisão do governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras de
suspender a reforma e as privatizações, além de renegociar as condições
de socorro financeiro da Europa, levaram a essa situação atual. Olhando
para o saldo em conta corrente grego, também observamos o forte ajuste
externo pelo qual passou o país, saindo de déficit de quase 10% do PIB
em 2011 para superávit perto de 1% no ano passado. Vale lembrar que o
déficit em conta corrente da Grécia situou-se por volta ou acima dos 10%
do PIB por seis anos, entre 2006 e 2011”, acrescenta Balassiano.
O próximo capítulo desta “tragédia grega” será no próximo domingo,
quando a população vai às urnas dizer se concorda se as autoridades do
país devem aceitar ou não o acordo proposto pelos seus credores. Caso o
“sim” vença, é provável que o esquerdista Alexis Tsipras renuncie ao
governo, convocando novas eleições. A vitória do “não” significa a saída
da Grécia da zona do Euro.
Segundo pesquisa realizada pelo Instituto GPO, o percentual da
população que concorda com os termos dos credores europeus para ajudarem
a Grécia é de 47%; já o percentual que preferem o “não” a estes termos
está em 43% (o percentual de indecisos é de 6,3%). Já a pesquisa do
Instituto Alco mostra que o “Sim” tem 44,8%, enquanto o “Não” detém
43,4%. Ou seja, ainda não é possível prever qual será o resultado.
“Sem ajuda externa, o governo grego não terá recursos para honrar os
seus compromissos internos, como os salários dos servidores e pensões, e
terá de emitir uma moeda própria para quitá-los”, explica o
pesquisador.
De acordo com o FMI, a Grécia precisa de € 60 bilhões ao longo dos
próximos três anos em uma nova ajuda financeira. Ainda segundo o FMI, o
governo do partido de esquerda Syriza é um dos responsáveis por essa
situação atual de deterioração, já que após seis anos de crescimento
negativo, o PIB foi positivo em 2014; as taxas de desemprego, tanto
total como dos jovens, tiveram um leve recuo; além da trajetória da
dívida ter ido para um caminho um pouco mais sustentável.
Fonte: FGV/IBR

















































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