RECORRER A QUEM?
Há uma semana por motivos variados dois milhões de pessoas foram as ruas pedir a saída da presidente Dilma Rousseff do poder.
Quem
acompanha meu trabalho sabe que sou contra o afastamento da presidente
do cargo. Mesma posição que tive quando pediram os impeachments de
Micarla de Sousa e Rosalba Ciarlini. Entendo que os maus governos devem
ir até o final como forma de tornar o eleitor mais exigente.
Mas esse
não é o foco do quero abordar. O tema é o do título do artigo. Se Dilma
cair, quem assume é o vice-presidente Michel Temer. Trata-se de um
grande jurista e articulador político hábil. Mas ele é do PMDB, o
partido que mais atrapalha o país com seu fisiologismo a prática
constante do achaque, para usar um termo da moda.
Embora Temer até
tenha condições técnicas de pôr o país nos trilhos não vejo num
presidente do PMDB o caminho para o país. Temer não é alternativa embora
seja de um partido que é a cara do brasileiro médio, mas essa é uma
outra discussão.
A verdade é que não temos grandes alternativas.
Chamar o PSDB de volta ao poder é uma boa? Se com o PT está cada vez
mais difícil manter os programas sociais e direitos dos trabalhadores
imagine com uma agremiação que não tem compromisso histórico com os
menos favorecidos.
Se com o PT os bancos lucram aos borbotões e
oferecem péssimos serviços, imagine com o PSDB que tem uma parceria
histórica com os banqueiros?
Na minha opinião o político que poderia
ser uma alternativa segura no futuro seria Eduardo Campos, mas ele
morreu. Aí o leitor pode perguntar e Marina Silva? Tenho minhas reservas
quanto a tê-la como alternativa.
Com uma história de vida de
superação Marina é um grande exemplo para quem quer vencer na vida pelos
próprios esforços e entender que nunca é tarde para começar a estudar.
Mas
o país precisa de uma alternativa à PT e PSDB que vá além de uma
história de vida hollywoodiana. O Brasil carece de uma alternativa que
passe confiança, altivez e que ao mesmo tempo tenha habilidade. Marina
para ser alternativa vai ter que se reciclar politicamente.
Ela ainda é muito radical e no ecossistema político brasileiro isso é um perigo.
Torço
que Dilma termine o mandato dela com o mínimo de dignidade e que o PT
não apele para Lula em 2018. Não seria nada bom para a nossa democracia
trazer um ex-presidente de volta. Entendo que quem deu sua colaboração
no Palácio do Planalto deva se aposentar eleitoralmente e ficar atuando
como conselheiro ou até mesmo na função de líder político.
Também
torço para que nos próximos anos alguém surja com capacidade de ser essa
alternativa que não existe hoje. Existe um vácuo muito grande dentro da
polarização entre petistas e tucanos. Eduardo Campos tinha todas as
condições de ocupar esse espaço, mas as voltas que o mudo dá
atrapalharam.
Fonte: O Mossoroense
Por Bruno Barreto
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