SANDRA ROSADO: 'A DEPUTADA LARISSA
É NOME PARA DISPUTA MAJORITÁRIA'
O resultado das eleições 2012
parece não ter sido bem digerido pela deputada federal Sandra Rosado
(PSB). Inclusive, a líder do rosadismo ainda acredita que a Justiça
Eleitoral possa mudar o processo, por considerar que houve excessos por
parte da candidata vencedora, prefeita Cláudia Regina (DEM). A
parlamentar, mãe da deputada Larissa Rosado (PSB), que tentou pela
terceira vez consecutiva se eleger prefeita de Mossoró, diz que houve
abuso do poder econômico e que espera que a Justiça possa julgar os
processos o mais breve possível. Mesmo assim, Sandra avalia como
vitoriosa a performance do seu grupo nas eleições 2012, acreditando que a
votação de Larissa a coloca como um nome possível na disputa
majoritária de 2014. No finalzinho da manhã de quinta-feira, 31, Sandra
Rosado tomou um “Cafezinho com César Santos”, numa conversa longa e
reveladora. Sem tergiversar, a parlamentar falou de todos os temas
abordados, de forma aberta e direta. Disse que o PSB tem projeto
majoritário e proporcional para 2014; defendeu aliança do PSB com o PT
nacional, acreditando na chapa Dilma Rousseff/Eduardo Campos. Reafirmou o
voto no deputado Júlio Delgado (PSB) à presidência da Câmara Federal,
sem desmerecer o favorito Henrique Alves (PMDB). Leia a entrevista. As
fotos são de Cézar Alves e Marcos Garcia.
Deputada, o seu grupo político perdeu mais uma disputa pela
Prefeitura de Mossoró, porém, a votação da candidata Larissa Rosado, sua
filha, cresceu em números concretos. Diante do quadro relevado pelas
urnas, qual a avaliação que a senhora faz?
O nosso grupo saiu fortalecido e vitorioso. Explico: nós enfrentamos
uma campanha absolutamente desigual, desleal, em que o poder
político-administrativo e econômico funcionou abertamente, o que
resultou no desvirtuamento do resultado eleitoral. A deputada Larissa é
vitoriosa porque ela soube fazer uma campanha de alto nível, levando a
proposição de mudanças, do crescimento de Mossoró com desenvolvimento.
Ela foi uma candidata que sofreu agressões em todos os momentos da
campanha, mas soube mostrar a postura de uma mulher amadurecida, de uma
política competente. Mas quero dizer, também, que esse processo ainda
não terminou. Pode perfeitamente ocorrer mudanças.
Como assim, deputada?
Está nas mãos da Justiça. Muitas coisas aconteceram na campanha
eleitoral que geraram processos, iniciados tanto pelas ações do
Ministério Público como pela nossa coligação. Teve compra de votos,
abertamente feita, comprovada inclusive pela Promotoria. O alto índice
de abstenção comprova que houve uma manipulação nas caladas da
madrugada, com retenção de títulos. Eu mesma denunciei essa prática,
dando o nome do condomínio, o número do apartamento, a pessoa
responsável por esse trabalho, mas lamentavelmente a investigação não
teve prosseguimento.
Mas a senhora acha mesmo que o resultado da eleição foi
consequência de práticas alheias ao eleitor? Na Justiça Eleitoral também
tramitam processos contra a deputada Larissa Rosado…
Essa eleição teve o resultado do envolvimento da máquina
administração do Município e do Estado. O uso dessa máquina abusivamente
feita de forma aberta. Então, embora as eleições tenham tido esse
resultado (vitória da prefeita Cláudia Regina/DEM) nós sabemos que isso
foi provocado por atitudes lesivas à democracia e a um pleito correto.
Essa foi uma eleição que a candidatura de Larissa Rosado (a
terceira consecutiva) mais se aproximou da votação do grupo vencedor. A
diferença foi de menos de 6 mil votos. Esse resultado projetará o seu
grupo político a voos mais altos em 2014?
Quém é político sempre pensa fazer do seu mandato um caminho para
buscar novas postulações. O nosso grupo tem projetos. E diante de um
resultado eleitoral que foi eivado de distorções, de posturas
antiéticas, de uma prestação de contas que sequer incluiu o uso de um
helicóptero que todo mundo viu, que assustou a população, e que nós
estamos questionando na Justiça, creio que a votação de Larissa nos faz
pensar em projetos mais abrangentes. Mas quero dizer que estamos
confiantes que o resultado das eleições será modificado na Justiça. Eu
acredito que se houver justiça isso será modificado. Eu ainda acredito
na Justiça. E, certamente, com essa provável modificação, nós teremos a
ocupação de outros espaços na política de Mossoró e do Rio Grande do
Norte.
O grupo da senhora cresceu e avançou em todo Estado. Tem uma
deputada federal, uma estadual, um vereador em Mossoró (o filho Lairinho
Rosado) e a base formada por prefeitos do interior, presidentes de
Câmaras Municipais e vereadores. Enquanto isso, a ex-governadora e
vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria, perdeu liderança. Chegou a hora
de a senhora assumir o comando do PSL estadual?
Nós temos tido uma parceria muito interessante com o grupo da
vice-prefeita Wilma. Na última eleição no PSB, fui incentivada por
muitas pessoas, colegas deputados, para que eu fizesse essa disputa ou
ocupação. Não fiz isso. Eu entendo que um partido político não se faz
apenas por quem está no comando. Apresentei uma proposta, que foi aceita
pelos demais membros, que cada grupo, como o do ex-governador Iberê
Ferreira, da vice-prefeita Wilma e do nosso grupo, teria uma
participação igualitária no diretório. E nós temos essa participação
igualitária. Com a relação à questão do comando, é um fato que eu não
tenho buscado isso; entendo que a participação do nosso grupo, com o meu
mandato, o mandato da deputada Larissa, do vereador Lairinho, dos
prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e outras lideranças, tem sido
importante para a manutenção do PSB como um dos principais partidos no
cenário político do Rio Grande do Norte.
Qual é o projeto do PSB para 2014?
Nós queremos participar ativamente da disputa eleitoral, tanto na
chapa majoritária como na proporcional. Nós queremos participar da
disputa majoritária, quer com candidatura ao Governo do Estado, ou para o
Senado Federal ou para vice-governador. Também queremos e lutaremos
para o partido ocupar um espaço maior na Câmara Federal e na Assembleia
Legislativa. É importante que outro companheiro nosso, ou companheira,
como é o caso da vice-prefeita Wilma, venha somar e fortalecer a chapa à
Câmara Federal. Wilma já anunciou que será candidata à deputada
federal, mas isso também pode mudar. Uma pesquisa divulgada nessa semana
mostra que o PSB é um partido que tem a garra, a força e aceitação do
eleitorado, inclusive, Wilma se destacando na disputa majoritária.
Então, queremos participar das disputas majoritárias e proporcionais
para tornar o nosso partido maior.
Wilma de Faria seria o nome para a disputa majoritária, embora ela tenha dito que não?
Nós temos tanto o nome da ex-governadora e vice-prefeita Wilma, como
também temos outros nomes. A deputada Larissa Rosado é um nome que tem
se credenciado; é um nome muito forte para a disputa majoritária e,
também, para puxar votos na disputa proporcional.
A senhora é a única parlamentar do RN que não vai votar no
deputado Henrique Alves para presidência da Câmara Federal. Essa posição
é de partido, pelo fato de o PSB ter candidato próprio, ou revanchismo a
Henrique que participou da campanha de Cláudia Regina contra Larissa?
Não tenho revanchismo, não guardo mágoa de forma alguma. Luto, sou
uma guerreira nas disputas eleitorais, mas o rancor não faz parte do meu
temperamento. A minha posição é porque o meu partido tem um candidato à
presidência da Câmara. O deputado Júlio Delgado (MG) é um nome que tem
se credenciado e tem recebido muitos apoios. Meu voto é dele. Além de
ser do meu partido, sei que ele tem competência para ser presidente da
Câmara.
A senhora considera Júlio Delgado um nome melhor do que o de Henrique Alves para presidir a Câmara dos Deputados?
Não é uma questão de comparar. Henrique tem a sua história, tem o seu
trabalho. Não vou dizer aqui que voto em Júlio Delgado apenas por ser
do meu partido; ele também está preparado para ser presidente da Câmara
dos Deputados.
Henrique Alves é visto como favorito; todos ou quase todos
apostam na vitória dele nesta segunda-feira (4 de fevereiro). A senhora
tem uma perspectiva diferente?
A disputa na Câmara dos Deputados, assim como todas as disputas nas
casas legislativas, tem as suas surpresas. Já assistimos isso aqui em
Mossoró, por exemplo. Assistimos uma eleição que se decidiu 15 minutos
antes; havia um candidato que chegou à Câmara Municipal com a posição de
eleito, mas houve modificação e outro nome ganhou a disputa. Na Câmara
dos Deputados também é assim. Eu tenho acompanhado, tenho conversado com
muitos companheiros nossos e de repente pode haver uma mudança. Haverá
disputa. Estão colocados os nomes de Henrique, Júlio Delgado e da
deputada Rose de Freitas que, inclusive, é do PMDB de Henrique. Eu já
ouvi que o deputado Inocência de Oliveira, de Pernambuco, também vai
colocar um nome à disposição. Portanto, é uma eleição que ninguém pode
cantar vitória antes do resultado. A disputa pode inclusive ir para o
segundo turno; e o segundo turno é uma nova eleição, que muda tudo,
entram elementos que não existiam no primeiro turno, e provoca um quadro
diferente. Alguns ingredientes passam a ter importância maior.
Como assim, deputada?
Os deputados passam a questionar: qual o candidato que se aproxima
mais dos parlamentares? Qual o candidato que tem compromisso com o
mandato parlamentar? Veja que hoje vivenciamos uma Câmara cheia de
medidas provisórias, que nós estamos votando, combatendo isso e votando
lamentavelmente, e os projetos de deputados e deputadas não têm ido a
plenário. No encontro dos prefeitos agora em Brasília, os gestores
municipais pediram para que a merenda escolar seja estendida aos
professores. Eu tenho projeto desse há mais de um ano tramitando na
Câmara; então eu quero o compromisso para que os projetos que temos em
defesa da população estejam inseridos na proposta do candidato. Tudo
isso terá um peso importante num eventual segundo turno.
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, líder nacional do
PSB, é visto como nome certo à sucessão presidencial 2014. Lançado,
até, pelos mais apressados. A senhora, que tem relacionamento bem
próximo de Campos, acredita nessa candidatura ou defende aliança com o
PT da presidente Dilma?
Nós temos duas posições que eu considero que são importantes para o
nosso partido. Quero afirmar que Eduardo Campos é um nome que tem se
notabilizado no cenário nacional pela sua administração à frente do
governo de Pernambuco, pela sua competência, pelo jogo político que ele
sabe trabalhar honestamente. É um grande nome para presidente da
República. Agora, o nosso partido, no meu entendimento – pode ser até
que companheiros meus tenham divergência a respeito disso – é que o PSB
tanto poderá disputar a presidência da República como ser companheiro de
chapa da presidente Dilma. Eu gostaria imensamente que o PSB não
fizesse essa disputa com o PT. Mas é salutar, também, para a democracia
que o PSB tenha o seu candidato, que o PSDB lance o seu nome, que deverá
ser o senador Aécio Neves, e que o PT também tenha. Agora, eu vou
defender uma aliança, no sentido de Eduardo Campos compor chapa com a
presidente Dilma.
Nessa composição, deputada, sobraria o PMDB que já tem o
vice-presidente Michel Temer. Existe motivação para o PT se afastar do
PMDB?
Se o PMDB já está pleiteando a presidência do Senado (Renan Calheiros
foi eleito na sexta-feira, 1º), já está pleiteando a presidência da
Câmara, com Henrique Alves, pode também pleitear um outro espaço que não
seja a Vice-presidência da República, como por exemplo, o Governo do
Estado de São Paulo. O PT e o PSB apoiariam o nome do PMDB para eleger
governador de São Paulo. Então, nós poderemos partir para uma
composição, até porque eu não acredito que o PT possa ficar apenas como
aliado do PMDB, apesar da capilaridade que tem esse partido. O PT
precisa dos outros partidos. Quero dizer que o PSB tem sido muito
correto, muito leal com a presidente Dilma em todas as votações.
Mossoró
conta com dois mandatos na Câmara Federal, dois na Assembleia
Legislativa, tem o senador José Agripino que é filho da cidade,
portanto, é forte na política. Porém, essa força não se transforma em
luta para os grandes projetos de Mossoró. Por que essa falta de união?
Veja bem. O meu mandato tem olhado para Mossoró. Destaco aqui o
projeto do novo aeroporto da cidade. Eu apresentei uma emenda no valor
de 40 milhões para a construção desse novo equipamento. É a segunda vez.
Eu apresentei antes, mas não houve interesse do Município para se aliar
a essa luta, de buscar esses recursos que estavam no orçamento, mas não
foram utilizados. Pela minha teimosia, eu voltei a colocar emenda para o
aeroporto. Agora nós temos a oportunidade de uma grande aliança no Rio
Grande do Norte para concretizar o projeto do aeroporto de Mossoró.
Existe da parte do Governo Federal a intenção de fazer os aeroportos
regionais, então, precisamos lutar para que isso aconteça. Eu também
apresentei um projeto importantíssimo, mas não houve interesse do
Município, que foi do rio Mossoró. Queríamos tornar o rio saudável para a
sua utilização, beneficiando a indústria salineira, a pesca e o aspecto
urbanístico da cidade. Infelizmente, não ouve interesse, foi esquecido.
Também teve uma emenda, de autoria do deputado Betinho Rosado (DEM),
que voltou pela ineficiência da administração municipal. A emenda da
Cidade de Ciência, que certamente proporcionaria avanços importantes
nessa área. Então, é importante que haja uma compreensão não somente da
bancada federal; precisa que o Município se interesse pela concretização
dos projetos. Eu tenho certeza que a luta pelo novo aeroporto de
Mossoró não será em vão; ele vai sair.
Falta amadurecimento da classe política de Mossoró, no sentido de união para lutar pelo bem da cidade?
De alguns políticos de Mossoró, sim. Eles pensam muito pequeno.
Existem políticos que se utilizam da arma da perseguição. Nós assistimos
muito recentemente a perseguição implacável contra a Apamim (de
propriedade do grupo político-familiar de Sandra Rosado), numa atitude
pequena de quem não enxerga um espaço importante para a saúde. Foram
oito anos de perseguição. Anunciaram fechamento; anunciaram leilão. Esse
pensamento eu não posso aceitar que por conta das minhas diferenças
políticas e eleitorais prejudiquem a cidade de Mossoró. Infelizmente,
ainda existem posturas mesquinhas de pessoas que poderiam ter posições
mais sérias. Não podemos levar para o deboche disputas eleitorais, ações
públicas, gestos, que isso só faz tornar pequeno o mandato, a posição
política de quem se utiliza dessa forma de trabalho.
A senhora assumiu posição de destaque em Brasília. Foi líder
da bancada do PSB na Câmara dos Deputados, coordenadora da Bancada do
Rio Grande do Norte e tem participado de processos importantes. Essa
posição permite a senhora pensar numa disputa majoritária?
Como eu já disse, o nosso grupo tem a postulação de participar
ativamente da disputa majoritária em 2014. Quero dizer que eu fiquei
muito feliz com os resultados que tive na liderança do PSB, mas também
conquistei vitórias na coordenação da bancada federal do RN, cujo
mandato terminou agora no dia 1º. Uma dessas vitórias foi para a
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Quando as emendas
retornaram da Comissão do Orçamento, vinham 5 milhões de reais para
Ufersa, 5 milhões de reais para a UFRN e 500 mil reais para a Uern. Daí,
por conta da coordenação da bancada, procurei alguns companheiros para
me ajudarem nessa tarefa e conseguimos fazer com quê a Uern se nivelasse
em valores às outras universidades. Agora, a Ufersa vai ter 10 milhões,
a federal 10 milhões e a nossa Uern 10 milhões. Isso é um resultado
importante do espaço que nós ocupamos.
Mas, deputada, o nome da senhora estaria à disposição para uma disputa majoritária?
Não. Nós poderemos ter outros nomes. Eu sou candidata à reeleição.
Quero contar com apoio da minha cidade, com apoio do Rio Grande do
Norte, para renovar o mandato que tem sido de muita dedicação.
Fonte: Jornal De Fato

















































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