Nordeste cresceu proporcionalmente mais do que a economia nacional entre 2003 e 2009
Letícia Lins, O Globo
RECIFE - Entre 2003 e 2009, o Nordeste cresceu proporcionalmente mais do que a economia nacional, e sobreviveu à crise econômica mundial com melhor desempenho do que o país como um todo. É o que revela o Boletim Regional do Banco Central divulgado nesta terça-feira em Recife. De acordo com o documento, naquele período, o Brasil cresceu 28% enquanto o Nordeste registrou expansão de 30%. Já nos últimos doze meses estudados - de maio de 2009 a maio de 2010 - a economia brasileira decresceu 0,2%, mas a nordestina cresceu 2,6%. Os números foram apresentados pelo diretor de Políticas Econômicas do BC, Carlos Hamilton Araújo.
No último trimestre, no entanto, com a recuperação da economia, as diferenças estão menores. O Brasil cresceu 9% no último trimestre, quando comparado a igual período de 2009. Enquanto na região, o crescimento registrado foi de 9,6%. Mas, de acordo com prognósticos feitos pelo Banco do Nordeste do Brasil, em 2010, a região poderá ter níveis de crescimento menores do que o país. O BNB estima para o Nordeste 6,9% de expansão, contra os 7,3% projetados pelo BC para o Brasil.
- É cedo, no entanto, para se afirmar que o Nordeste vai crescer menos do que o Brasil em 2010, porque o primeiro trimestre apontou na direção contrária e o BC não faz projeções de crescimento regional. Vamos aguardar para ver o que acontece. E a divergência observada não é assim tão grande - afirmou Araújo.
Ele mostrou que nos principais estados da região - que representam 70% da economia nordestina - o crescimento econômico também ocorre em ritmo acelerado, conforme os números do primeiro trimestre do ano: 9,5% na Bahia, 7,8% em Pernambuco e 8,9% no Ceará.
De acordo com o BC, a indústria cresceu 5,5% no primeiro trimestre no Nordeste e as vendas varejistas aumentaram 5,5%. Considerando os últimos doze meses apurados - de maio de 2009 a maio de 2010 -, o crescimento varejista na região foi de 10,1%. O diretor do BC informou, ainda, que o estoque de operações de crédito superiores a R$ 5 mil realizados na região chegaram a R$ 158,2 bilhões no mês de maior, com expansão de 7,2% no trimestre e 36,7% ao longo do período de doze meses. Sendo que R$ 71,5 bilhões foram para pessoas físicas. Também chamou a atenção o baixo índice de inadimplência do crédito concedido pelo sistema financeiro na região: apenas 3,8% no mês de maio. No Brasil, a inadimplência ficou em torno de 4,2%.
- Isso não significa dizer que o nordestino é melhor pagador. Mas com certeza há maior número de pessoas entrando na economia formal e também há os empréstimos consignados - lembrou.
A região Nordeste, no entanto, ainda ostenta déficit na balança comercial, cerca de US$ 66,7 milhões nos seis primeiros meses do ano, com registro de expansão de 51,4% nas exportações e 78% nas importações. O volume de importações cresceu 14% nos primeiros seis meses de 2010 no Nordeste, com aumento de 56,1% no valor. Já as exportações cresceram 27,3% no volume e apenas 18,9% nos preços.
Conforme o mesmo boletim, foram gerados no Nordeste, no trimestre finalizado em maio, 55,3 mil novos postos de trabalho "ante a eliminação de 51,1 mil empregos formais em igual período do ano anterior".
Entre as razões apontadas para o crescimento da economia do Nordeste, acima da média do país, encontram-se os programas de transferência de renda, o aumento da oferta de crédito, as vendas do varejo, os investimentos públicos e privados na região e a ascensão de classes pobres.
- O importante é que o Nordeste está com desempenho bastante positivo e a tendência é que isso continue em 2010 - disse Carlos Hamilton Araújo.
O crescimento da economia começa a reverter, também, nos indicadores sociais. Um gráfico com as variáveis da participação de pobres e ricos na renda familiar demonstra a evolução entre 1996 e 2008. Em 1996, a participação dos 50% mais pobres na renda domiciliar do Brasil não passava de 12,9%. Em 2008, esse percentual era de 15,24%. No Nordeste, os 50% mais pobres respondiam por 12,13% da renda familiar naquele ano. Em 2008, subiu para 15,16%.
Já a fatia de participação dos 1% mais ricos no bolo da renda familiar em 1996 no Brasil era de 13,53% contra 17,09% no Nordeste. Esse percentual involuiu em 2008 para 12,31% e 14,39% respectivamente. De acordo com o relatório apresentado nesta terça-feira, em 1996, o Brasil tinha 34,73% de pobres contra os 61,42% no Nordeste. Em 2008, os números mudaram: 22,59% no Brasil e 42,06% no Nordeste. Ou seja, o número de pobres no período sofreu uma redução de 12,12 pontos percentuais no Brasil e 19,36 pontos percentuais no Nordeste em doze anos. Pelos números apresentados no Boletim Regional, o Ceará teve a maior redução proporcional de pobres: 22,33% entre 1996 e 2008, contra 20,53% da Bahia e 14,23% em Pernambuco.
Enviado por Flaubert Lopes

















































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