REABERTA A DISCUSSÃO SOBRE
DIVERSIFICAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES
Depois de divulgado o pior resultado da balança comercial brasileira
em 14 anos, que registrou déficit de R$ 3,9 bilhões em 2014, Armando
Monteiro assumiu ontem, 7, a pasta do Ministério do Desenvolvimento
Indústria e Comércio Exterior (MDIC) ressaltando, entre outros pontos, o
desafio de ampliar a participação do Brasil no comércio internacional.
“O boom das commodities impôs um ônus diante de nossa
acomodação na agenda de reformas. A dimensão da nossa economia não
encontra correspondência no tamanho das nossas exportações”, disse o
novo ministro em seu discurso de posse no Banco Central. Para ele é
falsa a contraposição entre commodities e bens manufaturados.
“O Brasil precisa ser competitivo nas duas áreas”, salientou. A questão
da necessidade de diversificação da pauta exportadora do Brasil que hoje
é, essencialmente, composta de matérias primas (principalmente, grãos,
petróleo, minério de ferro) é uma das teclas que vem sendo batidas há
tempos por analistas. “Esse ponto ficou meio mascarado durante os anos
2000 porque como estávamos exportando muita commodity, o debate
sobre o aumento da exportação de manufatura parecia que ficava nos
bastidores. Com a queda do preço desses produtos (câmbio desvalorizado),
o foco acaba voltando novamente para essas mesmas manufaturas no
sentido de expandir o volume de exportações e a balança comercial ter
uma melhora”, salienta Lia Valls, pesquisadora da área de Economia Aplicada da FGV/IBRE.
Quanto ao resultado do saldo deficitário da balança comercial
brasileira no ano passado, a economista lembra que, no início de 2014,
as previsões eram de superávit em razão do pequeno saldo positivo da
balança em 2013 (R$ 2,6 bi) e da esperada melhora da exportação de
petróleo — que registrou um déficit substancial de R$ 20 bilhões, em
2013 —, e de outros produtos, entre eles plataformas de petróleo. Porém,
não foi exatamente o que ocorreu. De fato, a diferença entre a
quantidade de petróleo que foi exportado e importado caiu para um
déficit de R$ 16 bilhões, em 2014, mas isso não foi suficiente para
compensar a queda de quase R$ 10 bilhões — de R$ 22,6 bi para R$ 13 bi —
do saldo superavitário da balança comercial dos demais produtos
exportados (todos, exceto petróleo).
Segundo Lia, o resultado ruim da balança comercial no ano passado se
deu, especialmente, pela situação econômica delicada da China, um de
nossos principais parceiros comerciais, que tem crescido menos; a
desvalorização do real que influencia no aumento dos preços da matéria
prima exportada ao ser balizada pelo dólar, o que a torna menos
competitiva; e o aumento do déficit no saldo das manufaturas que foram
exportadas em menor escala devido à crise econômica da Argentina,
principal comprador de produtos industrializados do Brasil (automóveis).
Além disso, a ampliação da concorrência de exportação a mercados da América do Sul, entre eles Chile, Bolívia, México e Peru — que passaram a importar mais da China — também jogaram contra o saldo comercial brasileiro em 2014. “A única boa notícia que pode ter tentado contrabalançar todos esses problemas foi a evolução do volume de exportações aos EUA. Cresceu 9%. O principal produto exportado continua sendo o óleo bruto de petróleo, mas em 2014 ampliamos a exportação de turbo hélice de avião e café torrado, por exemplo. Ainda assim, importamos mais dos americanos do que enviamos produtos para lá”, destaca Lia ao complementar que as importações devem sofrer redução este ano devido a alta do dólar.
Fonte: FGV/IBRE

















































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