PESQUISA APONTA MOSSORÓ
COMO UMA CIDADE SEGURA
Segundo dados de pesquisa realizada pelo Delta
Economics&Finance/América Economia para a revista Exame, Mossoró é a
50ª melhor cidade grande para se viver no Brasil. No ranking, são
apresentadas as 100 melhores grandes cidades no país, segundo 10
critérios. Contudo, algumas avaliações chamam a atenção dos
mossoroenses, como o fato de a cidade ter alcançado nota 1,7 em
segurança, quando o máximo na categoria seria a nota 2.
"Mossoró tem
carências em áreas fundamentais para ser uma das melhores cidades para
se viver", disse João Freire. Não entendo como puderam colocar a cidade
com nota quase máxima em relação à segurança se, no ano passado, tivemos
o maior número de assassinatos da história no município, com 193
mortes. A nota 1,7, quase a máxima, seria de índices baixíssimos de
violência, o que não representa nossa realidade", afirma o sociólogo
João Freire.
A consultoria avaliou itens como desenvolvimento da
economia, saneamento básico, finanças e gestão pública, bem-estar social
e educação, atribuindo notas de acordo com parâmetros. Ao todo, os 10
itens avaliados somariam nota máxima de 77 pontos, sendo que Mossoró
ficou com nota final de 42,99. A cidade também chamou a atenção por ser
um dos seis municípios das regiões Norte e Nordeste a ficarem entre os
50 primeiros.
Numa escala de zero a 10, Mossoró foi classificada com
nota 5,54 na área de saúde. Entretanto, usuários lembram que o município
tem enfrentado, desde o ano passado, sérios problemas em áreas como
ortopedia, realização de cirurgias de baixa e média complexidade e de
obstetrícia.
"A saúde na cidade está precária, pois muitas unidades
de saúde foram fechadas nos últimos anos, enquanto a população só
cresce. Além disso, ainda tem a greve dos anestesiologistas e
ortopedistas há cinco meses, fazendo a cidade ficar sem fazer
cirurgias", disse o estudante Edinal Salustiano.
Outras notas
atribuídas a quesitos na cidade causaram estranhamento e discordância
entre os entrevistados pela equipe do jornal O Mossoroense, como o item
"Domicílios", que avalia o acesso da população ao serviço de saneamento,
disponível a, em média, somente 56% dos mossoroenses, mas que, mesmo
assim, a cidade alcançou nota quase máxima, índice de 4,10 numa escala
de até 5. O quesito "Governança" também foi apontado divergente da
realidade municipal.
"Não entendo como essa empresa de consultoria
usou os parâmetros, pois vale ressaltar que acabamos de sair de um
período de dois anos de instabilidade política na Prefeitura.
Entretanto, quando a nota máxima de 'Governança' seria 27, Mossoró ainda
conseguiu 16,61", explica o economista Carlos Escóssia.
Especialista avalia que economia mossoroense pouco avançou nos últimos 30 anos
Ainda segundo o levantamento publicado pela revista Exame, Mossoró
recebeu nota 4,44 na área econômica, tendo como critérios os níveis de
desigualdade de renda, pobreza, renda e profissionais ocupados com
carteira assinada. Contudo, o economista Carlos Escóssia ressalta que a
desigualdade social no município ainda é alta, com maior parte da
riqueza concentrada nas mãos de poucas pessoas. Ele diz que a economia
mossoroense não mudou muito nas últimas três décadas.
"Acrescentaria
uma avaliação do impacto dos três setores da economia no município.
Hoje, o terceiro setor, de serviços e comércio, ainda é o mais forte da
economia mossoroense e o segundo setor, formado pela indústria, não
mudou muito nos últimos 30 anos, diria que ela quase inexiste. É preciso
diversificar as atividades econômicas do município", afirma o
economista.
Carlos Escóssia explica ainda que o setor do comércio e
serviços tem sustentado a economia local, mas é muito suscetível a
quedas em outros setores, como vivido no ano passado com a saída de
algumas empresas terceirizadas da Petrobras da cidade. Por isso seria
fundamental para o município realizar avaliação de potencialidades
econômicas para o desenvolvimento da indústria e aumento na produção
local.
"Seria muito bom se o poder público se unisse às universidades
e os diferentes setores para avaliar as potencialidades e problemas
pelos quais tem passado a economia local, sem se deixar iludir por
avaliações externas", explica Carlos Escóssia.
Fonte: O Mossoroense

















































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