QUE REI SOU EU?
Este
reinado desgovernado desta monarquia em Avilan entra para a história dos
trabalhadores em nossa província. Estas duas greves deflagradas dentro de um
curtíssimo espaço de tempo nunca antes visto são uma triste situação, expondo a
nociva personalidade de um reinado sem compromisso com seu povo, com toda a
sociedade arcando prejuízos da ingerência de uma rainha Valentine que não estava
preparada para governar; mas completamente dominada pelas recomendações de seus
conselheiros Crespy Aubriet, Gastón Marny, Bidet Lambert, Gerárd Laugier e
Vanolli Berval, além do bruxo Ravengar.
Merece
ressalva que o bruxo Ravengar é obcecado por Madeleine. Mas, Madeleine não lhe
dá bolas e não o quer ver nem pintado de ouro. Madeleine é uma exuberante Mulher
que sabe ler, educada, detentora de uma cultura transformadora da sociedade, consciente
de seus direitos, e não pode nem quer aproximação com alguém como o bruxo
Ravengar. Ele quer o poder e é voraz em medir forças com os trabalhadores de
Avilan. Madeleine, por sua vez, muda as pessoas através da transmissão de seus
conhecimentos, ajudando-as a vencer e progredir na vida com uso do saber. Mas, o
bruxo Ravengar quer torná-la submissa, subjugá-la. Quem conhece o fim desta
trama sabe que o bruxo não vai obter sucesso neste seu intento doentio com
Madeleine.
As
duas greves dos trabalhadores de Avilan, neste curto e já profundamente
desgastado reinado de Valentine (com estatísticas elevadíssimas de desaprovação
popular, cujo feedback será sentido pela rainha em breve), somados os períodos das
duas paralisações, já duram mais de 140 dias. Isto é um verdadeiro e absurdo recorde
nesta sombria e tenebrosa, porém passageira, idade média que momentaneamente atravessamos
em nossa província. Ressalte-se que a rainha Valentine não costuma cumprir com o
que escreve com o uso da pena feita de lápis, para assinar acordos.
A
palavra proferida no castelo e a assinatura da rainha Valentine só servem,
segundo seus conselheiros, para os poderosos que vão lucrar nos jogos mundiais de
peteca de Avilan. Projetos de lei no reinado de Valentine só tramitam
fluentemente os que forem em favor destes “importantes” jogos mundiais de peteca
de Avilan, com suas obras faraônicas. Já os projetos de lei com intuito de
cumprimento dos acordos firmados com trabalhadores são engavetados pelo bruxo
da corte, Ravengar. O bruxo Ravengar logo faz um encanto para o texto da
pretensa lei sumir do seu trâmite normal. E mesmo diante disto, deste
engavetamento do projeto de lei motivado por um gargalo criado com o feitiço do
bruxo, vemos com profunda tristeza (e põe profunda nisto) pessoas sérias de
Avilan contra esta greve.
Este
prejuízo social e imensurável não é suportado pelos nobres da corte, uns poucos
frequentadores das ostentações/festas nos voluptuosos e anestesiantes salões do
castelo da rainha Valentine. Os prejuízos vão para os plebeus, cidadãos de
Avilan. Revoltas como esta atual dos trabalhadores de Avilan contra a
ingerência deste reino são refletidas em vários setores da província, mas como não
estamos tratando de um mercantilista atacadista, onde possam ser quantificados/mensurados
os efeitos monetários do prejuízo das paralisações e protestos, de um movimento
grevista, o reino da corte busca fazer uso de suas armas, terrorismo e
bruxarias contra o seu povo.
Disto
resulta uma autoconfiança neste reinado em negar as palavras ditas em pronunciamentos
da rainha Valentine nos salões voluptuosos do castelo de Avilan, protagonizada
por seus conselheiros Crespy Aubriet, Gastón Marny, Bidet Lambert, Gerárd
Laugier e Vanolli Berval, alguns deles curiosamente/estranhamente de origem plebeia.
Estes conselheiros colocaram bilhetes nos pombos correios do castelo, afirmando
que não iriam pagar os salários referentes ao mês de maio de 1786 dos revoltosos
trabalhadores de Avilan. E chegaram ao cúmulo de negarem e desmentir descaradamente,
nestes bilhetes, que não foi feito acordo para o fim da maior greve/revolta
paredista de Avilan. Tudo isto como uma estratégia de amedrontamento. Ressalte-se,
porém, que a Associação dos Trabalhadores de Avilan é uma das entidades mais
vigilantes na defesa dos interesses de sua classe que conhecemos na nossa vida até
hoje, neste ano de 1786!
Nada
do que está acontecendo com Avilan nos dias atuais, porém, é novidade. Esta rainha
não é nossa soberana só agora, já o foi no passado por longos anos, como todos
sabem. Vale dizer que a postura estratégica da rainha Valentine, com seus fiéis
conselheiros, além do bruxo Ravengar, é linear ao longo de toda a tenebrosa idade
média. Não muda sua ação de minar as forças de Madeleine, enquanto liderança
intelectual de transformação da consciência dos cidadãos do reino de Avilan, com
uso de seu saber enquanto Educadora e formadora de opinião.
A
ação de Loulou Lion, a dona da Taberna, e Corcoran, bobo da corte que é um
rebelde infiltrado, além de Jean Pierre, filho bastardo do Rei falecido, está
equivocada só em um aspecto. Soltar bilhetes através de vários outros pombos correios
com a mensagem “RainhaValentineVergonhadeAvilan” não surte o efeito desejado.
Tem vergonha de Valentine só três tipos de pessoas: quem a apoia, a apoiou ou
precisa dela!!! O correto que deveria ter sido escrito nos bilhetes seria “RainhaValentineDesastredeAvilan”.
Já
que o reinado de Valentine busca com uso de todas as armas, terrorismo e
bruxarias minar a revolta dos trabalhadores de Avilan; vale ressaltar que a monarquia
está agora com os olhares e ouvidos sobre si de todo o continente, cenário
desta trama de desastre medieval. Melhor dizendo, com esta história de pombo
correio, todo o planeta está de olho neste reinado de Valentine. Os
desdobramentos estão previstos como cenas para os próximos capítulos. . .
Por
fim, cabe aqui uma homenagem a todas as ilustres pessoas corajosas, destemidas,
compromissadas, desbravadoras; colegas que na Associação dos Trabalhadores de
Avilan sempre mostram a cara nas lutas em defesa de Madeleine, em prol da Educação.
Lamentavelmente alguns poucos trabalhadores outros de Avilan, no rol de sua
zona de conforto, com triste omissão ou interesses difusos criticam seus pares (sem
direito a réplica de quem está recebendo a crítica), taxando-os de radicais
e/ou termos diversos, o que é muito ruim/maléfico. Pois, está escrito no
Evangelho: “um reino que luta contra si mesmo não subsistirá”. Madeleine é
acima de toda e qualquer argumentação política, interesse individual, pensamento
ideológico ou reinado. Madeleine é esta estonteante Mulher intelectual que
neste ano de 1786 completa 44 anos de relevantes, dignos e imensuráveis serviços
prestados; uma Educadora de Excelência enraizada no interior do Estado de
Avilan, que com seu saber transformador, nasceu entre lutas gloriosas com um
povo coeso, frise-se um povo coeso.
Portanto,
lutemos juntos, já que “a História se repete”. Lutemos coesos pela Resistência ao
reinado opressor da rainha Valentine com seus conselheiros que mandam mais do
que ela, Crespy Aubriet, Gastón Marny, Bidet Lambert, Gerárd Laugier e Vanolli
Berval, além do bruxo Ravengar; na defesa intransigente por Madeleine, pela
Educação neste reino de Avilan!
* Auris Martins é Professor M.Sc. da Faculdade de Ciências
Econômicas – FACEM.
Texto
inspirado na obra “Que Rei Sou Eu?” de Cassiano Gabus Mendes e Luís Carlos
Fusco.

















































Um comentário :
só sobrou o psol e o pstu, até eles chegarem ao poder, depois.... depois é outra história
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