sábado, 9 de junho de 2012

Por Auris Martins de Oliveira*


QUE REI SOU EU?

 
                   Este reinado desgovernado desta monarquia em Avilan entra para a história dos trabalhadores em nossa província. Estas duas greves deflagradas dentro de um curtíssimo espaço de tempo nunca antes visto são uma triste situação, expondo a nociva personalidade de um reinado sem compromisso com seu povo, com toda a sociedade arcando prejuízos da ingerência de uma rainha Valentine que não estava preparada para governar; mas completamente dominada pelas recomendações de seus conselheiros Crespy Aubriet, Gastón Marny, Bidet Lambert, Gerárd Laugier e Vanolli Berval, além do bruxo Ravengar.

                   Merece ressalva que o bruxo Ravengar é obcecado por Madeleine. Mas, Madeleine não lhe dá bolas e não o quer ver nem pintado de ouro. Madeleine é uma exuberante Mulher que sabe ler, educada, detentora de uma cultura transformadora da sociedade, consciente de seus direitos, e não pode nem quer aproximação com alguém como o bruxo Ravengar. Ele quer o poder e é voraz em medir forças com os trabalhadores de Avilan. Madeleine, por sua vez, muda as pessoas através da transmissão de seus conhecimentos, ajudando-as a vencer e progredir na vida com uso do saber. Mas, o bruxo Ravengar quer torná-la submissa, subjugá-la. Quem conhece o fim desta trama sabe que o bruxo não vai obter sucesso neste seu intento doentio com Madeleine.

                   As duas greves dos trabalhadores de Avilan, neste curto e já profundamente desgastado reinado de Valentine (com estatísticas elevadíssimas de desaprovação popular, cujo feedback será sentido pela rainha em breve), somados os períodos das duas paralisações, já duram mais de 140 dias. Isto é um verdadeiro e absurdo recorde nesta sombria e tenebrosa, porém passageira, idade média que momentaneamente atravessamos em nossa província. Ressalte-se que a rainha Valentine não costuma cumprir com o que escreve com o uso da pena feita de lápis, para assinar acordos.

                   A palavra proferida no castelo e a assinatura da rainha Valentine só servem, segundo seus conselheiros, para os poderosos que vão lucrar nos jogos mundiais de peteca de Avilan. Projetos de lei no reinado de Valentine só tramitam fluentemente os que forem em favor destes “importantes” jogos mundiais de peteca de Avilan, com suas obras faraônicas. Já os projetos de lei com intuito de cumprimento dos acordos firmados com trabalhadores são engavetados pelo bruxo da corte, Ravengar. O bruxo Ravengar logo faz um encanto para o texto da pretensa lei sumir do seu trâmite normal. E mesmo diante disto, deste engavetamento do projeto de lei motivado por um gargalo criado com o feitiço do bruxo, vemos com profunda tristeza (e põe profunda nisto) pessoas sérias de Avilan contra esta greve. 

                   Este prejuízo social e imensurável não é suportado pelos nobres da corte, uns poucos frequentadores das ostentações/festas nos voluptuosos e anestesiantes salões do castelo da rainha Valentine. Os prejuízos vão para os plebeus, cidadãos de Avilan. Revoltas como esta atual dos trabalhadores de Avilan contra a ingerência deste reino são refletidas em vários setores da província, mas como não estamos tratando de um mercantilista atacadista, onde possam ser quantificados/mensurados os efeitos monetários do prejuízo das paralisações e protestos, de um movimento grevista, o reino da corte busca fazer uso de suas armas, terrorismo e bruxarias contra o seu povo. 

                   Disto resulta uma autoconfiança neste reinado em negar as palavras ditas em pronunciamentos da rainha Valentine nos salões voluptuosos do castelo de Avilan, protagonizada por seus conselheiros Crespy Aubriet, Gastón Marny, Bidet Lambert, Gerárd Laugier e Vanolli Berval, alguns deles curiosamente/estranhamente de origem plebeia. Estes conselheiros colocaram bilhetes nos pombos correios do castelo, afirmando que não iriam pagar os salários referentes ao mês de maio de 1786 dos revoltosos trabalhadores de Avilan. E chegaram ao cúmulo de negarem e desmentir descaradamente, nestes bilhetes, que não foi feito acordo para o fim da maior greve/revolta paredista de Avilan. Tudo isto como uma estratégia de amedrontamento. Ressalte-se, porém, que a Associação dos Trabalhadores de Avilan é uma das entidades mais vigilantes na defesa dos interesses de sua classe que conhecemos na nossa vida até hoje, neste ano de 1786!

                   Nada do que está acontecendo com Avilan nos dias atuais, porém, é novidade. Esta rainha não é nossa soberana só agora, já o foi no passado por longos anos, como todos sabem. Vale dizer que a postura estratégica da rainha Valentine, com seus fiéis conselheiros, além do bruxo Ravengar, é linear ao longo de toda a tenebrosa idade média. Não muda sua ação de minar as forças de Madeleine, enquanto liderança intelectual de transformação da consciência dos cidadãos do reino de Avilan, com uso de seu saber enquanto Educadora e formadora de opinião. 

                   A ação de Loulou Lion, a dona da Taberna, e Corcoran, bobo da corte que é um rebelde infiltrado, além de Jean Pierre, filho bastardo do Rei falecido, está equivocada só em um aspecto. Soltar bilhetes através de vários outros pombos correios com a mensagem “RainhaValentineVergonhadeAvilan” não surte o efeito desejado. Tem vergonha de Valentine só três tipos de pessoas: quem a apoia, a apoiou ou precisa dela!!! O correto que deveria ter sido escrito nos bilhetes seria “RainhaValentineDesastredeAvilan”. 

                   Já que o reinado de Valentine busca com uso de todas as armas, terrorismo e bruxarias minar a revolta dos trabalhadores de Avilan; vale ressaltar que a monarquia está agora com os olhares e ouvidos sobre si de todo o continente, cenário desta trama de desastre medieval. Melhor dizendo, com esta história de pombo correio, todo o planeta está de olho neste reinado de Valentine. Os desdobramentos estão previstos como cenas para os próximos capítulos. . . 

                   Por fim, cabe aqui uma homenagem a todas as ilustres pessoas corajosas, destemidas, compromissadas, desbravadoras; colegas que na Associação dos Trabalhadores de Avilan sempre mostram a cara nas lutas em defesa de Madeleine, em prol da Educação. Lamentavelmente alguns poucos trabalhadores outros de Avilan, no rol de sua zona de conforto, com triste omissão ou interesses difusos criticam seus pares (sem direito a réplica de quem está recebendo a crítica), taxando-os de radicais e/ou termos diversos, o que é muito ruim/maléfico. Pois, está escrito no Evangelho: “um reino que luta contra si mesmo não subsistirá”. Madeleine é acima de toda e qualquer argumentação política, interesse individual, pensamento ideológico ou reinado. Madeleine é esta estonteante Mulher intelectual que neste ano de 1786 completa 44 anos de relevantes, dignos e imensuráveis serviços prestados; uma Educadora de Excelência enraizada no interior do Estado de Avilan, que com seu saber transformador, nasceu entre lutas gloriosas com um povo coeso, frise-se um povo coeso.  

                   Portanto, lutemos juntos, já que “a História se repete”. Lutemos coesos pela Resistência ao reinado opressor da rainha Valentine com seus conselheiros que mandam mais do que ela, Crespy Aubriet, Gastón Marny, Bidet Lambert, Gerárd Laugier e Vanolli Berval, além do bruxo Ravengar; na defesa intransigente por Madeleine, pela Educação neste reino de Avilan!

* Auris Martins é Professor M.Sc. da Faculdade de Ciências Econômicas – FACEM.

Texto inspirado na obra “Que Rei Sou Eu?” de Cassiano Gabus Mendes e Luís Carlos Fusco.



Um comentário :

ze mané disse...

só sobrou o psol e o pstu, até eles chegarem ao poder, depois.... depois é outra história