terça-feira, 8 de novembro de 2011

UFERSA



 PESQUISA APONTA SAÍDA PARA 

RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS


Na Fazenda Experimental Rafael Fernandes da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, no Distrito de Lagoinha, Zona Rural de Mossoró, há quase quatro anos o prof. Dr. Paulo Sérgio de Lima e Silva, do Departamento de Ciências Vegetais da UFERSA, desenvolve pesquisa voltada para a recuperação de áreas degradadas. Num experimento com um pouco mais de um hectare, o professor e seus bolsistas de graduação e pós-graduação, procuram alternativas para mitigar os impactos ambientais da degradação ao pesquisar duas espécies de plantas. O curioso é que a saída para o problema parece está na própria vegetação nativa. Pelo menos, é essa a conclusão que os estudos apontam.

As plantas que estão sendo avaliadas, a Gliricidia sepium, conhecida popularmente como gliricídia e, a Mimosa caesalpiniaefolia, como apenas Sabiá, são bem conhecidas da comunidade científica, não apenas no Brasil, como também fora do país, mas o diferencial da pesquisa denominada Efeitos da densidade de plantio no crescimento da gliricídia e sabiá é a sua utilização para a recuperação de agroflorestas e culturas anuais de subsistência como, por exemplo, o milho, o feijão, a melancia, entre outras.


“São plantas leguminosas de crescimento muito rápido, resistentes ao clima do semiárido nordestino e que devido a essas características podem facilmente recuperar áreas degradadass para fins de agricultura e reflorestamento”, afirma o professor Paulo Sérgio. A planta é utilizada ainda para a produção de madeira (estacas) e a alimentação animal.

A gliricídia é uma espécie exótica originária da Costa Rica, na América Central, que se adaptou facilmente a caatinga nordestina. A espécie também possui a capacidade natural de neutralizar o aparecimento de plantas daninhas. “Ao cair às folhas”, afirma o pesquisador da UFERSA, “é liberada uma substância que é nociva às plantas daninhas”, esclarece o professor. A gliricídia é definida pelos pesquisadores da área como “árvore de múltiplos usos”, inclusive, medicinais.

“A gliricídia por apresentar rápido crescimento, alta capacidade de regeneração, resistência à seca e facilidade em propagar-se sexuada e assexuadamente. A espécie vem sendo explorada como forrageira, pelo alto valor nutritivo, como produtora de estacas vivas e, ainda, como alternativa energética”, ressalta o professor. Na região Nordeste, diante do seu potencial, esta espécie vem despertando grande interesse pelo o seu cultivo.

SABIÁ

Já a espécie sabiá é bem mais conhecida por ser uma árvore nativa da caatinga e encontrada em quase toda região do semiárido nordestino. A planta é semelhante a gliricídia, tanto nas suas propriedade como utilidade, porém com o diferencial por possuir muitos espinhos. A exploração desordenada da espécie para a sua utilização como estacas usadas em cercados tem colocado o sabiá em risco de extinção.

O trabalho, que é financiado pela Fundação de Apoio a Pesquisa do RN – FAPERN – no valor de R$ 164 mil, é a primeira pesquisa realizada na UFERSA com espécies arbórea plantada e adaptada ao semiárido. Daí, a empolgação dos bolsistas em participar do projeto. “Além de importante, tem sido muito interessante participar de uma pesquisa que traz como proposta estudar espécies de plantas da própria caatinga para melhorar a fertilidade do solo”, opina a mestranda Patricia Liany de Oliveira Fernandes, que desenvolve dentro do Projeto coordenado pelo Prof. Dr. Paulo Sérgio Lima e Silva, a dissertação com o tema Fertilidade do solo sob a copa de duas espécies em diferentes densidades de plantio.

A pesquisa é voltada para a recuperação de áreas degradadas no semiárido nordestino, decorrente da exploração predatória da vegetação. “Com solos deficientes de nutrientes, principalmente nitrogênio e potássio, uma das maneiras de restaurar esses solos degradados e melhorar a qualidade química dos mesmos, com o uso de espécies arbóreas leguminosas”, afirma Patrícia Liany.


Outra vantagem é que tanto a gliricídia quanto a Sabiá, possuem associação com bactérias fixadoras de nitrogênio e podem ainda buscar os nutrientes das camadas mais distantes e devolvê-las a superfície através da serrapilheira. “É a camada de resíduos orgânicos constituída por folhas, gravetos, ramos, caules, cascas, frutos, flores, partes vegetais não identificadas, corpos e dejetos de animais; responsável pelo importante processo de transferência de nutrientes nos ecossistemas florestais”, explica a mestranda.

 Fonte: Assessoria de Comunicação da UFERSA - Passos Junior


Nenhum comentário :