sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

POR TOGO FERRÁRIO


“TIBAU COMO SEMPRE”


Com o título acima, li recentemente em uma coluna de um conceituado jornal diário de Mossoró, que a cidade-praia de Tibau-RN todos os anos, no mês de janeiro, transforma-se em um ‘formigueiro’ de gente, e esses visitantes despejam suas indignações com a falta de água, luz, segurança, caos no trânsito, e péssima assistência na saúde, e que neste ano de 2011, não seria diferente. E mais: que não se culpasse a administração municipal por todos esses problemas acima citados.

Eu, cá com os meus botões, fiquei a pensar: “Se a administração municipal não tem culpa pelos problemas de sua comuna, então a culpa é do povo?” Por que o povo é sempre o culpado pelas péssimas conseqüências de uma administração pública?  Entre o ano de 2007 até o final de 2010, a cidade de Tibau possuiu nada menos do que quatro prefeitos, um para cada ano. E o resultado, todos nós sabemos. Prefeitos que perderam o mandato por administrações fraudulentas, má aplicações de recursos públicos, dentre muitas outras irregularidades.

Somente para citar um fato, a famigerada CIP – Contribuição de Iluminação Pública, que cobrava míseros R$ 18,00 (dezoito reais) de cada residência por consumo de energia pública, jamais teve os recursos que foram arrecadados aplicados devidamente, e pior, não tinha o serviço prestado a contento. O resultado deste imbróglio, a justiça mandou suspender a cobrança, já a partir deste primeiro mês de 2011. Com um detalhe: os munícipes, através de um ato politiqueiro, tiveram a isenção de pagar a taxa em epígrafe, para satisfazer os administradores de plantão à época, desde março de 2006.

Por que nos demais meses do ano os administradores de Tibau estão, sempre, a esperar pelo mês de janeiro para aumentar sua arrecadação, principalmente em vendas de produtos de primeira necessidade, com preços exorbitantes, bem acima dos praticados na economia nacional? E o IPTU, imposto pago pela maioria dos mossoroenses possuidores de residências naquela comuna, para usufruir, às vezes, somente em janeiro de cada ano, e encontrar a cidade tomada de lixo, mesmo na baixa estação, como mostra a foto realizada em 21/11/2010, na praia que fica defronte à residência da atual governadora do estado do RN?

E o que dizer de notícias veiculadas nos jornais de Mossoró, inclusive no periódico onde foi publicado o referido artigo informando, em algumas oportunidades, o atraso no pagamento dos salários dos servidores públicos municipal? Será que o quadro de servidores do município é tão pequeno que não há número suficiente para limpar a cidade entre os meses de fevereiro e dezembro, ou tão grande que chega a comprometer o orçamento da prefeitura? Quem irá nos responder a essas questões? Ou será que pintar tronco de coqueiros, que estão plantados nas laterais da estrada que dá acesso à cidade, e colocar placas indicativas em algumas ruas, é suficiente para ‘maquiar’ os problemas apresentados pelo jornalista?

Não possuo bola de cristal para prevê o resultado do que possa acontecer em relação ao período de veraneio deste ano, como foi dito, mas acho que não é obrigação da prefeitura de Mossoró, por exemplo, contribuir, como foi informado, com o envio de uma ambulância do SAMU para Tibau, somente para suprir a ‘invasão’ dos mossoroenses àquele município. É obrigação do prefeito, mostrar aos ‘formigueiros’ e turistas, também, - sim, Tibau recebe visita de turistas vindos de outros estados da federação – o porque d’ele ter sido eleito, não só para comandar seus munícipes, como também os visitantes que, nunca imaginei, cheguem ao exorbitante número de 100 mil pessoas em cada veraneio, como sempre é noticiado, embora nunca confirmado por nenhum instituto de pesquisas ou órgão competente.

Se fizermos uma comparação entre Tibau e Mossoró de há 20 ou 30 anos atrás, a ‘metrópole do futuro’ também não se preparou para absolver uma população superior a 250 mil habitantes, com seus problemas idênticos, numa proporção bem superior aos da cidade litorânea. Para exemplificar melhor a comparação, basta citar o caos no conturbado trânsito da cidade, onde existem veículos demais, com seus condutores deseducados e, mesmo assim, os administradores mossoroenses impõem regras para seus moradores e visitantes, quase nunca respeitadas, o que faz chegarmos a uma conclusão simples: o trânsito de Mossoró é mais desorganizado do que corrida de pato.  

Mas esse é um assunto para ser tratado por jornalistas abalizados, não eu.

PS: Esse artigo é uma resposta ao escrito pelo jornalista Cézar Santos que, provavelmente, faz parte do time do ‘quanto pior, melhor’, transcrito abaixo.

 Tibau como sempre
 
Todo ano é assim. Chega o período de alta estação, Mossoró se transfere para Tibau. A partir do Réveillon, o município-praia se transforma em formigueiro de gente.  Na mesma velocidade com que chegam a Tibau, os visitantes despejam as suas reclamações: falta água, falta energia, trânsito caótico, insegurança e péssima assistência à saúde. Não será diferente no veraneio 2011. Vai faltar tudo. E, de antemão, um aviso: não culpe a administração municipal. O caos se instala por uma razão simples: um município com infraestrutura compatível com a sua população, menos de quatro mil moradores, não tem capacidade para atender a 100 mil pessoas que invadem o lugar. Pouco adiantará o esforço da Caern de manter equipes de plantão e ampliar a oferta de água. Vai falta água do mesmo jeito. A Polícia, com esquema especial, também não dará conta. Muito menos o sistema de saúde pública, que não conterá a demanda, mesmo com a ajuda da Prefeitura de Mossoró de enviar uma unidade do Samu. O interessante é que a Costa Branca oferece várias opções, como o litoral de Areia Branca, com as praias de Upanema, Baixa Grande, Morro Pintado, Cristóvão e Ponta do Mel. Mas, é Tibau que todo mundo quer. Então, nada de reclamação. Se fizer a opção pelo município-praia, como é provável que o faça, transfira-se de consciência tranquilo, espírito ameno, para enfrentar os problemas “comuns” nesta época do ano. No mais, é esperar que um dia Tibau possa ser vista e preparada, de fato, como um lugar de atração turística, para poder receber melhor seus visitantes e também contemplar seus moradores, que hoje são castigados pelas desigualdades crônicas. 

Cézar Santos – Jornal de Fato 24/12/2010





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