JOÃO BATISTA CASCUDO RODRIGUES
Aprendi muito com João Batista Cascudo Rodrigues, pois era verdadeiro dínamo ambulante de conhecimentos, mas também de ternura, respeito e consideração, animado pelo eterno amor ao saber, com ênfase àquele pertinente ao sagrado solo mossoroense, embora sua visão cosmopolita fosse impecável e aguçada.
João Batista achava que por merecimento tudo se equilibraria, razão pela qual se empenhava em ajudar quem desenvolvia tarefas que ele considerava sagradas, como as referentes à educação e cultura.
Através da amizade fraterna com o saudoso mecenas Jerônimo Vingt-un Rosado Maia fui apresentado a João Batista Cascudo Rodrigues. Logo fiquei privando de grande e sincera amizade com o fundador e primeiro reitor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, instituição de ensino superior da qual me orgulho de fazer parte através de quadro docente.
A primeira conversa com João Batista Cascudo Rodrigues foi sobre a importância da interiorização da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, idéia defendida imemorialmente pelo erudito filho de dona Ozelita Cascudo Rodrigues e de Seu Adolfo Rodrigues. Relatei-lhe sobre a luta travada em prol da expansão do processo ensino-aprendizagem por vários campi e núcleos espalhados pelo território potiguar.
Diversas vezes João Batista Cascudo Rodrigues buscou alguma informação comigo, ligando de Brasília, quando representava o governo do Estado do Rio Grande do Norte, ou então solicitava a Jorge Ivan Cascudo Rodrigues para me localizar a fim de saber notícias ou interesses, principalmente quando da criação da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste, de cuja composição da diretoria o grande amigo convidou-me para fazer parte.
João Batista Cascudo Rodrigues e Wilson Bezerra de Moura são os responsáveis pela proposta que viabilizou meu ingresso nos quadros do Instituto Cultural do Oeste Potiguar, também fundado pelo saudoso benfeitor mossoroense.
Intelectual extremamente preparado, homem educado, gentil, culto e simples, sertanejo autêntico que não dispensava cuscuz com leite e tapioca, pois testemunha do amor que João Batista Cascudo Rodrigues devotava ao sertão e suas coisas, inúmeras vezes tomei café da manhã com ele, na casa em que residiu com a família, hoje Fundação Ozelita Cascudo Rodrigues. Indubitavelmente o grande benfeitor da educação no Estado do Rio Grande do Norte transforma-se em ícone da mitologia do “País de Mossoró”.
Impossível quantificar com precisão milimétrica a importância social que vem sendo assumida pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte desde sua criação. O trabalho que vem sendo desenvolvido pela instituição de ensino superior impressiona pelo dinamismo, determinação, vontade de vencer obstáculos e galgar novos degraus no ensejo da ênfase à ascensão e evolução da melhoria da qualidade vida, tendo em vista a situação dramática apresentada pelos indicadores sócio-econômicos em nossa região.
Sempre concordei plenamente com João Batista Cascudo Rodrigues quando ele repetia com entusiasmo que educação e cultura são importantes molas propulsoras da ascensão social, da mudança de vidas sofridas para mais confortáveis. Ele me dizia que nosso povo merece chances de ser feliz. João Batista Cascudo Rodrigues era sinônimo de amor à terra e à sua gente.
A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte é a estrutura sagrada de ensino superior edificada pelo homem que capitaneou o processo de sua gênese e efetivação. Esse homem chamava-se João Batista Cascudo Rodrigues, dileto amigo, confessor paciente que sempre me aconselhou de forma positiva, marcando de forma indelével toda minha vida.
João Batista foi o responsável direto pela concretização de sonho que começou com Ulrick Graf de disponibilizar ensino superior de qualidade a Mossoró e ao estado do Rio Grande do Norte. Graf, além da estrada de ferro, defendia a importância da estruturação de lócus de conhecimento que permitisse melhor convivência do homem com as adversidades do semiárido.
João Batista Cascudo Rodrigues tem o mesmo valor que nosso grande e saudoso amigo particular Jerônimo Vingt-un Rosado Maia, o qual em comum acordo com Jerônimo Dix-huit Rosado Maia, foram os responsáveis pela criação da Escola Superior de Agricultura Mossoroense, hoje Universidade Federal Rural do Semiárido, de cuja luta para concretização João Batista Cascudo Rodrigues também deu contribuição importante.
Mossoró, Rio Grande do Norte, Nordeste e Brasil ficaram mais pobres com a ausência física de João Batista Cascudo Rodrigues, pois eterno e indestrutível, seu legado, perpetuar-se-á por gerações, levando as bases de sua filosofia de vida a tempos futuros incalculáveis cujas gerações serão beneficiadas pelo amor devotado por João Batista Cascudo Rodrigues ao gênero humano, sobretudo aquele que heroicamente desafia as intempéries causticantes de uma região desolada e sofrida do território brasileiro.
(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.

















































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