quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

CACHAÇA SERRA LIMPA


UMA CACHAÇA PREMIADA 

NACIONALMENTE

Aguardente, fabricada no Engenho Imaculada Conceição, no município de Duas Estradas, região do Brejo, recebeu este ano o selo do IBD Foto: Serra Limpa/Divulgação/D.A Press


Depois de conquistar os paraibanos, Serra Limpa ganha mercado brasileiro pela qualidade e sabor.
Rafael Oliveira

"A Paraíba tem cachaças brancas de ótima qualidade". Estas foram as palavras de Erwin Weitmann, um dos especialistas em destilados e mestres cervejeiros que fez parte do grupo de degustadores convidado pela Revista Veja para testar dez tipos de cachaças produzidas no Brasil. No ranking, duas cachaças paraibanas ficaram empatadas em primeiro lugar, e uma delas foi a Cachaça Serra Limpa, produzida na cidade de Duas Estradas (região do Brejo, distante 120 km da Capital). Sendo a única cachaça do estado produzida sem a utilização de agrotóxicos, a Serra Limpa recebeu este ano o selo de qualidade do Instituto Biodinâmico (IBD).


Anos atrás, antes de entrar neste filão de mercado, o empresário Antônio Inácio da Silva era comerciante e comprava cereais, sisal, açafrão e algodão e repassava para o varejo. Ainda na década de 80, utilizava sua fazenda, o Engenho Imaculada Conceição, exclusivamente na produção de cana destinada às usinas do Programa Nacional do Álcool (Pro-álcool), um programa de substituição em larga escala de combustíveis veiculares derivados de petróleo por álcool, financiado pelo governo federal. "À medida que o preço internacional do petróleo baixava, o álcool combustível foi ficando pouco vantajoso tanto para o consumidor quanto para o produtor. Com o fim do Pro-álcool, na década de 90, as usinas de Areia, Sapé e Lagoa Grande, que compravam minha produção, foram fechando. Não valia mais a pena investir neste mercado", conta o empresário.


O fim do Pro-álcool não fez com que Antônio desanimasse. Olhando para os quase 50 hectares de canaviais, o empresário começou a avaliar a possibilidade de produzir cachaça. "Na época, não tinha nenhum conhecimento nem experiência sobre o assunto. Nunca tinha ido sequer em um engenho. Comecei a pesquisar tudo o que podia para aprender a fazer cachaça", diz. Mas Antônio Inácio não queria fazer qualquer tipo de cachaça. Queria fazer a melhor cachaça possível. "A oferta de destilados já existia naquela época, mas todas elas eram meio rançosas, ácidas, não eram macias. Coloquei na minha cabeça que eu queria fazer uma cachaça boa, saborosa, não importava o quanto eu precisaria investir", conta o empresário.


Foi então que Antônio Inácio pediu ajuda ao professor da Universidade de São Paulo (USP), Fernando Valadares, químico especialista em fermentação de destilados. "Comecei a descobrir algumas falhas na produção das cachaças convencionais, e fui aperfeiçoando até ter a cachaça do jeito que eu queria", diz. Em 1992, o engenho estava a todo o vapor, com apenas 12 funcionários e uma produção entre 70 e 80 mil litros de cachaça por temporada. Hoje, o Engenho gera 32 empregos diretos, com uma produção de 120 mil garrafas por safra. "A produção acontece de outubro a fevereiro, mas ficamos com estoque armazenado para garantir a distribuição durante o ano inteiro", diz.

PRODUTO ORGÂNICO, COM PRODUÇÃO SUPER CONTROLADA

O controle de qualidade da bebida começa na escolha da matéria prima. O empresário faz questão de dizer que toda produção é feita sem a utilização de adubos químicos. "Da plantação da cana-de-açúcar até a destilação da bebida, utilizamos um procedimento natural. O mundo, hoje, clama por uma alimentação orgânica. Portanto, a nossa ideia foi aglutinar valor de qualidade e buscar não agredir o meio ambiente", afirma o proprietário.

O preparo da cachaça é constituído pela junção de bagaço de cana-de-açucar, cinzas e vinhoto. O composto fica em repouso durante um período de seis meses, antes de ser utilizado. "A nossa técnica necessita de mais dedicação, por isso que muitos produtores preferem utilizar produtos químicos ao invés do orgânico", disse o empresário.

Toda a cana utilizada na produção da cachaça vem das terras do engenho. "Não compramos cana-de-açúcar de ninguém. É cortada crua e moída no mesmo dia e toda a planta que tem bichos como a broca e a cigarrinha são descartadas e jogadas fora. Só através desta triagem nós teremos uma bebida de primeira qualidade", garante o produtor. Para ele, todo cuidado é pouco na hora de fazer a seleção da cana. "Vou lhe dar um exemplo: na hora de você fazer um suco de laranja, se tiver dez boas e uma estragada, então, o suco já não presta mais. Com a cachaça é a mesma coisa", diz.

O processo de fermentação deve durar 24 horas. "Se chegar a 48 horas, o álcool começa a querer virar vinagre, mas mesmo assim muitas empresas fazem o engarrafamento e vendem. Por isso que muitas vezes quando você vai beber uma cachaça, ela desce dura e ácida", explica o empresário.

Segundo Antônio Inácio, uma cachaça para ser considerada de boa qualidade deve ser cristal e apresentar rosário (Pequenas bolhas que se formam sobre o líquido quando a bebida é agitada) por cerca de 10 segundos. "Por sua vez, especialistas alertam que bolhas de aparência espumosa ou ausência delas são sinais de que a bebida é de baixa qualidade", diz.

O Engenho consegue atender a todo o mercado nacional, porém, quando oestoque diminui, é realizado um racionamento de vendas. "A gente controla a venda para podermos chegar próxima à safra. Confesso que no período de entressafra, a Serra Limpa é encontrada com certa dificuldade. Isso porque tem gente que quer comprar 100 caixas, mas só vendemos a ele vinte. Fazemos isso para que o produto não falte no mercado o ano todo, justifica o produtor.

Desde a inauguração de sua produção, em 1992, a Serra Limpa vem recebendo vários prêmios. A cachaça já recebeu nove prêmios consecutivos do Troféu Top of Mind, como uma das marcas mais lembradas no Estado. Em 2006, o Engenho Imaculada Conceição recebeu o prêmio FINEP de Inovação Tecnológica, uma premiação de nível regional. Ainda em 2006, em Brasília(DF), o empresário Antônio Inácio recebeu do então diretor de Serviços da Petrobrás, Irany Varella, um troféu em reconhecimento de qualidade e produtividade da cachaça Serra Limpa. "E bom saber que todo o nosso esforço de produzir uma cachaça de qualidade resulta nestes reconhecimentos. A gentefica muito orgulhoso de fazer parte do estado onde se fabricam as melhores cachaças do Brasil", ressalta, orgulhoso. 
Enviado por Cezimar Nascimento






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