quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O PETRÓLEO EM MOSSORÓ: UMA REALIDADE OU UM SONHO!?







Carlos Escóssia.





Com a descoberta do petróleo no Brasil, já se percebe que há uma espécie de aura envolvendo a existência desse óleo em nosso chão. A exploração do “ouro negro”, no entanto, reverteu lucros e problemas para a nação brasileira. 

Para evitar que essa tarefa passasse para mãos estrangeiras, desenvolveu-se ampla campanha de nacionalização do produto, que culminou com a criação da PETROBRÁS – Petróleo Brasileiro S.A. Embora aparentemente o problema estivesse resolvido, os fatos mostrariam que isso não era verdade. Em cantos variados do país, o óleo ia sendo descoberto e devidamente explorado por sondas da Petrobrás.

E Mossoró também se fez visível no cenário “petrolífero” do Brasil. A extração dos primeiros barris, como era de se esperar, configurou a idealização de Mossoró como grande produtor de petróleo. A cidade, até então interiorana, tomou ares de metrópole num espaço de tempo curto e, por isso incontrolável. Quando a Petrobrás instala-se na cidade, novos elementos passam a constar no repertório do seu cotidiano. Um cotidiano que surpreende pelas inovações que dia a dia vão se sucedendo; um cotidiano que enquanto destrói a tranqüilidade da cidade pacata que havia antes da descoberta da riqueza do seu solo, vai construindo o sonho da riqueza fácil e do reconhecimento que tirará do anonimato essa cidade esquecida nas entranhas do nordeste.

O petróleo chega com força avassaladora, tal qual jorra dos poços que perfuram pelo chão, mas traz consigo visíveis transformações para a população que habita Mossoró. Uma cidade que hoje se vê às volta com situações e atitudes que não sabe reverter ou enfrentar. Enquanto cresce o número de migrantes que aqui vêm em busca das melhorias de vida que o “ouro negro” suscita para as pessoas, cresce também as filas do desemprego, os índices de marginalidade e violência, além de um sem número de problemas sócio-econômicos que inviabilizam o pseudo progresso aqui desenvolvido.

É preciso desmistificar esse sonho. É preciso discutir em todas as instancias e com todas as pessoas, sobre esse vírus negro que brotou do chão e vem perfurando mentes e corações, numa corrida desenfreada em direção a um futuro que nem ao menos sabemos qual será. É preciso alertar a todos para os enganos que estão sendo veiculados em nome do petróleo e nos impõem à responsabilidade de administrá-los como única forma de escaparmos da miséria. É preciso sensibilizar as autoridades locais, que podem fazer algo a respeito, para que o façam com a certeza de estarem contribuindo para o verdadeiro desenvolvimento desta cidade. É preciso denunciar a irresponsabilidade dos últimos governos Estaduais e Municipais que não propiciaram as condições necessárias para que pudéssemos enfrentar esse momento, de forma mais honesta e menos agressiva.

Estamos assistindo a “invasão” de Mossoró, através do loteamento da cidade por grandes grupos que aqui estão chegando, inflacionando brutalmente o mercado imobiliário e outros, ao mesmo tempo em que viabilizam seus projetos, em detrimento dos projetos endógenos. É preciso denunciar o descaso e a apatia de instituições como: UFERSA, UERN, ACIM e CDL, em não valorizar a importância de se discutir este momento, promovendo em ações conjuntas debates e/ou estudos sobre as perspectivas futuras para Mossoró, bem como ações que minimizem os muitos problemas que assolam este município.

É preciso, apesar de tudo e contra esses que não empreendem qualquer atitude para reverter o caos que se instala em Mossoró, divulgar o outro lado que tem a exploração do petróleo. É preciso descobrir que acima do petróleo e para além dos poços e sondas que ele faz existir, sobrevivem à dignidade humana e a cidadania de um povo que não se vende, nem mesmo a preço de ouro... Negro

Rui Nascimento disse... 

Realidade: para aqueles que conseguiram através dessa fonte de riqueza alcançar objetivos, aproveitando as oportunidades que lhe foram proporcionadas. 

Sonho: para quem ao longo dos anos ainda batalha para buscar seu "lugar ao sol", talvez estes não estejam aproveitado de forma correta as oportunidades criadas. 

Pesadelo: para alguns, que tiveram nas mãos tudo e mais um pouco e não souberam aproveitar, deixaram o "cavalo passar celado". 

Carlos, seu comentário é profundamente realista. 

A sociedade e as instituições precisam abrir os olhos e ter atidude. 

O petróleo pode acabar, mas Mossoró terá que continuar, com e sem ele.

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