PESQUISA APONTA DESIGUALDADES
NO INGRESSO VIA ENEM
Um estudante potiguar com renda familiar
de no máximo um salário mínimo tem apenas 2% de possibilidade de estar
entre os 10% dos candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que
atingem as melhores notas. O dado integra a pesquisa “Desigualdade de
Oportunidades: O papel das circunstâncias do desempenho do Enem”,
realizada pelo professor Lauro César Bezerra Nogueira, da Universidade
Federal Rural do Semi-Árido – Ufersa –, e pela doutoranda Fernanda Leite
sob a orientação do professor Erik Figueiredo, ambos da UFPB.
Desenvolvida no Núcleo de Estudos em Economia Social (NEES) da
Universidade Federal da Paraíba, a pesquisa é pioneira no Brasil por
mensurar a desigualdade de oportunidades por meio da nota do Enem.
"O
estudo busca avaliar qual o papel das variáveis de circunstâncias
individuais no desempenho do aluno no Enem”, destaca o professor Lauro,
explicando que as variáveis são compostas pela renda familiar, sexo,
raça, tipo de escola em que o aluno estudou, e o background familiar
formado pela escolaridade dos pais. “Um estudante com baixa renda tem
que se esforçar 16 vezes a mais do que um estudante considerado rico,
com renda a partir de nove salários mínimos para conseguir ficar entre
os 10% melhores do Enem”, explica o professor.
NORDESTE
De acordo com o estudo, as variáveis sociais são influentes em todo o
Brasil, mas as desigualdades de oportunidades impactam ainda mais os
estudantes nordestinos. “Essas variáveis no Nordeste têm um peso maior
do que em relação ao Brasil, tanto que, a média das notas do Enem no
Nordeste é de 2.549 pontos, enquanto que a média nacional é 2.630, e do
Sudeste chega a 2.780. Por morar no nordeste o aluno já sai penalizado”,
afirma.
Segundo o pesquisador, as
condições desfavoráveis encontradas nas Regiões Norte e Nordeste podem
ser associadas à baixa qualidade das escolas. “A principal contribuição
do estudo é mostrar que devemos melhorar a qualidade das nossas escolas
se queremos compensar essas pessoas por serem menos favorecidas”.
Outro fator decisivo para a diminuição das desigualdades está no background
familiar. “Um pai com quatro anos de escolaridade ou analfabeto
funcional na região Sul tem um nível de qualificação superior a um pai
com menos de quatro anos de estudo que mora nas regiões Norte e
Nordeste”, frisa o pesquisador.
PESQUISA NA UFERSA
Em pesquisa futura, o professor Lauro pretende verificar a desigualdade
de oportunidade no ingresso dos alunos na Ufersa. “A partir do número
de alunos matriculados separaremos por grupos de circunstâncias e
verificaremos quanto cada aluno teve que se esforçar – em termos de
probabilidade - para ser aprovado na Ufersa”, vislumbra o professor.
Fonte: Assossoria de Comunicação da UFERSA

















































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