sexta-feira, 5 de abril de 2013


 PESQUISA APONTA DESIGUALDADES 

NO INGRESSO VIA ENEM


Um estudante potiguar com renda familiar de no máximo um salário mínimo tem apenas 2% de possibilidade de estar entre os 10% dos candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que atingem as melhores notas. O dado integra a pesquisa “Desigualdade de Oportunidades: O papel das circunstâncias do desempenho do Enem”, realizada pelo professor Lauro César Bezerra Nogueira, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido – Ufersa –, e pela doutoranda Fernanda Leite sob a orientação do professor Erik Figueiredo, ambos da UFPB. Desenvolvida no Núcleo de Estudos em Economia Social (NEES) da Universidade Federal da Paraíba, a pesquisa é pioneira no Brasil por mensurar a desigualdade de oportunidades por meio da nota do Enem.

"O estudo busca avaliar qual o papel das variáveis de circunstâncias individuais no desempenho do aluno no Enem”, destaca o professor Lauro, explicando que as variáveis são compostas pela renda familiar, sexo, raça, tipo de escola em que o aluno estudou, e o background familiar formado pela escolaridade dos pais. “Um estudante com baixa renda tem que se esforçar 16 vezes a mais do que um estudante considerado rico, com renda a partir de nove salários mínimos para conseguir ficar entre os 10% melhores do Enem”, explica o professor.

NORDESTE

 De acordo com o estudo, as variáveis sociais são influentes em todo o Brasil, mas as desigualdades de oportunidades impactam ainda mais os estudantes nordestinos. “Essas variáveis no Nordeste têm um peso maior do que em relação ao Brasil, tanto que, a média das notas do Enem no Nordeste é de 2.549 pontos, enquanto que a média nacional é 2.630, e do Sudeste chega a 2.780. Por morar no nordeste o aluno já sai penalizado”, afirma.

Segundo o pesquisador, as condições desfavoráveis encontradas nas Regiões Norte e Nordeste podem ser associadas à baixa qualidade das escolas. “A principal contribuição do estudo é mostrar que devemos melhorar a qualidade das nossas escolas se queremos compensar essas pessoas por serem menos favorecidas”.

Outro fator decisivo para a diminuição das desigualdades está no background familiar. “Um pai com quatro anos de escolaridade ou analfabeto funcional na região Sul tem um nível de qualificação superior a um pai com menos de quatro anos de estudo que mora nas regiões Norte e Nordeste”, frisa o pesquisador.

PESQUISA NA UFERSA 

Em pesquisa futura, o professor Lauro pretende verificar a desigualdade de oportunidade no ingresso dos alunos na Ufersa. “A partir do número de alunos matriculados separaremos por grupos de circunstâncias e verificaremos quanto cada aluno teve que se esforçar – em termos de probabilidade - para ser aprovado na Ufersa”, vislumbra o professor.

Fonte: Assossoria de Comunicação da UFERSA 

Nenhum comentário :