SEU LIBÓRIO NÃO SE CONFORMA
Como todos sabem seu Libório velho e rijo sertanejo, pequeno proprietário rural na Picada Um, é um amigo de longa data, não somente isso, o tenho como orientador e conselheiro político. Sua verve, não obstante como ele mesmo diz só ter o primário
incompleto, o antigo terceiro ano do grupo escolar, é profundo
conhecedor das coisas da vida, especialmente da política. Daí eu sempre
procurá-lo quando tenho minhas angustias e dúvidas sobre assuntos que estão me incomodando.
Assim aconteceu, semana passada fui
à sua fazenda que ele chama de sítio, quinhentos metros de frente por
uma légua de fundos, margeando o Rio Mossoró. O encontrei desolado, a
seca, o sol abrasador tinha destruído toda vegetação, o pequeno rebanho
bovino que possuía poucas eram as rezes sobreviventes, o gado ovino
tinha sido também atingido, morreram muitas cabeças e as que restaram
estavam magricelas.
O velho agricultor estava triste
com a situação, porém, altivo na luta pela sobrevivência da fazenda e
dos animais restantes. Estava igualmente revoltado com o
descaso dos governantes com o drama da seca que está assolando o sertão.
– Ora amigo, apesar da propaganda, ainda não vi o azul de qualquer
ajuda dos governos, seja municipal, estadual ou federal. Isso acontece com todos, meus vizinhos dizem a mesma coisa. Uma vez por
semana vem um carro pipa trazer água para nós bebermos, cozinhar - e
lavar algumas roupinhas, da sala gritou, dona Gertrudes esposa de seu
Libório, que escutava a conversa. – Pois é, temos de regrar á água se
não ela não dar para o gasto necessário até a chegada do caminhão pipa
novamente. Uma vergonha, em pleno século vinte e um, ficar-se a depender desse tipo de assistencialismo. – As periódicas grandes estiagens no semiárido
existem desde que o mundo é mundo, já era para se ter uma forma de
convivência com o fenômeno natural, que não se pode evitar de acontecer.
Mas não, tudo se repete quando as chuvas não vêm: a fome a sede
prevalecem, o homem do campo migra ou tem de enfrentar as piores
necessidades.
- O mais cruel dessa aflição, é ligarmos a televisão e vermos as notícias de corrupção de políticos, servidores públicos e empresários safados, surrupiando dinheiro do contribuinte sacrificado com uma carga tributária das mais alta do mundo. E,
para completar o drama, a violência imperando. Uma guerra civil não
reconhecida pelas autoridades, mas vivida pelo cidadão que sofre a
insegurança e o medo. Se não bastasse ainda a temos a Copa do Mundo dos
Larápios de 2014, que, no Rio Grande do Norte, está enterrando a
governadora nas areias movediças da famigerada Arena das Dunas. Não
posse me conformar com tanta canalhice.
Assim finalizou o velho guerreiro, seu desabafo na última conversa que tivemos.
* Rubens Coelho é Jornalista e editor do Jornal Poranduba.

















































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