FESTEJOS NA CONTRAMÃO
DA HISTÓRIA
Sempre
achei muito estranho que o aniversariante (Jesus) não seja o centro de todas as
homenagens nos festejos do Natal.
Até quinhentos anos após a morte
de Cristo, a contagem dos anos era feita a partir do ano da fundação de Roma. A
“era cristã” é contada – erradamente - a partir do ano 754.
Ou seja, nao se sabe o dia em que Jesus
nasceu, mas certamente não ocorreu em
25 de Dezembro.
Em
pleno inverno daquela fria região; sobretudo
de noite, a temperatura é muito baixa, seria improvável que pastores estivessem
nos campos depois das chuvas de Outubro.
Há muitos indícios que Cristo
deve ter nascido no ano de 749, ainda na “era romana”, portanto, pelo menos
quatro ou cinco anos antes da data festejada. Logo, estamos - na verdade - no
ano 2016 ou 2017.
O mais
provável é que Jesus
Cristo tenha nascido quando César Augusto decretou o primeiro recenseamento
(Ver Lucas 2, 1-2), e segundo os elementos históricos existentes, tal fato
teria ocorrido cerca
do ano quatro a.C.; aí pelo mês de Setembro do ano 749 da fundação de
Roma. Até porque Herodes teria nascido em 677 e morrido no ano 750.
O local do nascimento também é
questionável: teria sido em Nazaré, e não em Belém.
Celebrações
durante o inverno já eram comuns muito antes do Natal ser celebrado no dia 25
de Dezembro. Antes do nascimento de Jesus (cuja data é desconhecida), a
história do Natal tem início com os europeus, que já celebravam a chegada da
luz e dos dias mais longos ao fim do inverno. Tratava-se de uma comemoração
pagã do “Retorno do Sol”, retorno do “Deus Sol”.
Na
verdade, no início da história do Natal, esta era uma festividade sem data fixa
celebrada em dias diversos em cada parte do mundo. Os povos eram mais próximos
da Mãe Natureza, e menos consumistas.
Somente
no Século IV d.C, o então Papa Julius I (falecido em 352 d.C), fundador do
arquivo da Santa Sé, mudou a história do Natal decretando o dia 25 de Dezembro
como data fixa para a celebração.
A
Igreja adotou a data de 25 de Dezembro como o dia do nascimento de Jesus Cristo
porque o dia do Natal se sobreporia, assim, às celebrações do Solstício de
Inverno e à festa do deus Mitra, “Deus da Luz” ou “Deus Sol”, que os antigos
festejavam justamente nesse período.
Ou
seja, a data que comemoramos atualmente é somente uma convenção. Invenção de um
Papa.
Tem outra
dificuldade histórica: no ano de 1582, com o advento do Calendário Gregoriano,
a data da celebração do Natal foi adiantada em 11 dias para compensar esta
mudança no calendário.
O papa Gregório XIII publicou a bula
Inter Gravíssimas em 24 de Fevereiro de 1582, determinando que o dia
seguinte a 4 de Outubro de 1582 (quinta-feira) passasse a ter a data de 15 de
Outubro de 1582 (sexta-feira).
Sem
registro histórico preciso, ficou a imagem de um “salvador”, um símbolo de fé.
Em nossa
cultura, na contramão da história, a figura mais cultuada atualmente, em 25 de
dezembro, é o Papai Noel, ficando Jesus em plano secundário. Um estranho caso,
no qual o aniversariante não é o personagem principal. Continuo sem entender.
Tem mais.
Até o
início do século XX, o Papai Noel era representado por um gnomo ou monge,
magro, com uma pesada roupa de inverno, na cor marrom. Até aí ainda se referia
a uma figura religiosa.
Todavia, em 1931, o publicitário Haddon
Sundblom (1899 a 1976) criou novas imagens do Papai Noel (Pai Natal), gorducho
bonachão, em roupas vermelho e branco, para propaganda da Coca-Cola.
E é esta imagem (Papai Noel
criado pela Coca-cola), que a maioria dos brasileiros cultua - enganando as
crianças - na suposta data do nascimento do fundador do Cristianismo.
Aproveito para dar o meu recado
ao Papai Noel, corifeu da seita do consumismo.
Papai Noel, não me culpe por não
gostar mais da sua falsa imagem de bom velhinho. Sou um otimista incurável,
apesar de você, sua alienação e seu consumismo; e estou convicto de que meus
netos viverão num mundo melhor, mais justo e menos consumista.
E que Pedro, Maria Clara,
Isabella, João Enrique e Lucas possam encontrar motivos para continuar gostando
de sua pessoa, em muitos festejos, ainda que na contramão da história.
Eu, de minha parte, não consigo
mais gostar do senhor. Se quiser um dia ainda me encontrar, procure-me no olhar
triste das crianças de rua.
Feliz Coca-cola para todos!
(*)
Rinaldo Barros é professor - rn@opiniaopolitica.com

















































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