A ORIGEM DO TOPÔNIMO FAVELA
NA GEOGRAFIA URBANA BRASILEIRA
Forrageira nativa do semiárido
nordestino, encontrada em todos os Estados da região, a favela (Cnidoscolus
phyllacanthus (Muell. Arg.) Pax. Et K. Hoffman) é um arbusto de grande
porte da família das Euphorbiaceae bastante consumido pelo animais, sobretudo
quando das grandes secas.
Seus espinhos urticantes e o látex que exsudam quando os
galhos são cortados, consistem nas características botânicas mais proeminentes
apresentadas por esta planta das caatingas.
Quando da
guerra de Canudos, tropas do Exército Brasileiro concentraram-se no Morro da
Favela, o qual tinha essa denominação devido a profusão impressionante dessa
espécie vegetal bastante comum na região onde se desenrolavam os conflitos no
sertão baiano.
Diversos
soldados do contingente carioca que regressara após concluído o massacre do
aldeamento místico erguido sobre a ênfase das pregações carismáticas de Antônio
“Conselheiro”, devido razões econômicas, pois deixaram de receber o soldo
mensal e não puderam mais custear a permanência nas antigas habitações que
ocupavam antes do conflito sertanejo, começaram a ocupar o Morro da Providencia,
localizado atrás da Estação Ferroviária Central do Brasil, no centro da cidade do Rio de Janeiro.
Alguns
militares, veteranos da campanha de Canudos, trouxeram sementes da planta do
semiárido nordestino, a qual foi introduzida com sucesso no solo árido
existente nas adjacências do Morro da Providência.
Houve
impressionante expansão das faveleiras pela encosta do morro, dando ênfase para
que houvesse correlação com o acidente geográfico no qual se estabeleceram no
sertão baiano, pois à semelhança com o morro da favela imperava no lugar a ausência
de infraestrutura que permitisse mínima condição de existência para os
moradores que se instalaram na Providência.
Discussões
constantes, contendas por motivos fúteis e banais, integravam de forma indelével
a paisagem no Morro da Providência, referendando ainda mais a decisão dos moradores
em denominar de “Favela” o local onde construíram suas moradias insalubres.
Com a intensificação
da campanha sanitarista levada avante pela equipe comandada pelo médico Oswaldo
Cruz, cujo combate ao mosquito Aedes Aegypti, transmissor de doenças tropicais
como a febre amarela e a dengue, as quais transformavam o Rio de Janeiro no
calvário de estrangeiros e nativos, fomentou a vacinação obrigatória da
população e o desalojamento dos habitantes dos cortiços, bem como a destruição
destes, localizados em áreas atualmente hipervalorizadas, como a Avenida Vieira
Souto.
A população
de baixíssima renda, sem condições de ocupar outros espaços urbanos que não
fossem os morros, começaram a seguir os passos dos militares cariocas que
retornaram de Canudos.
Houve
exponencial formação de aglomerados subnormais que passaram a ser denominados
de “Favelas”, o que popularizou extraordinariamente o topônimo na geografia
urbana brasileira.
Ainda marcadas
pela ineficiência ou mesmo ausência da ação do Estado em prol da melhoria das
condições de vida da população, as “Favelas” brasileiras revelam indicadores
sociais e econômicos que atestam as diferenças interclasses que caracterizam a
sociedade desde os primórdios da colonização, pois a preponderância de negros e
mestiços instiga reflexão de que as mesmas constituem a reedição das antigas
senzalas de outrora.
* José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-adjunto
da UERN.


















































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