A VERDADEIRA MOSSORÓ
ÍNDICES DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL
NÃO ACOMPANHAM ACENTUADO
CRESCIMENTO ECONÔMICO
Na semana em que a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Federação das
Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) divulgaram o ranking das cidades
mais desenvolvidas do país e do Estado, respectivamente, os mossoroenses
puderam constatar, baseados nos resultados apresentados, que o
município, ao contrário do que é alardeado pelo poder público, não é
possuidor de números que o credenciem ao status de "metrópole do
futuro".
O ranking da Firjan, por exemplo, aponta Mossoró como a terceira
cidade mais desenvolvida do RN. A posição, apesar de significativa,
representa uma queda para a cidade no índice desenvolvido pela
Federação, uma vez que a "capital do Oeste potiguar" era detentora,
desde 2005, da segunda colocação no ranking, posição essa que agora
passa a ser ocupada pelo município de Parnamirim.
Levando-se em
consideração o ranking nacional, Parnamirim ocupa a 593ª posição,
enquanto Mossoró aparece em 678º lugar no Índice que considera três
áreas de desenvolvimento: Emprego e Renda, Educação e Saúde, utilizando
ainda estatísticas oficiais divulgadas pelos Ministérios do Trabalho,
Educação e Saúde.
Já o Indicador Social de Desenvolvimento dos
Municípios (ISDM), da Fundação Getúlio Vargas, aponta Acari, na região
do Seridó, como a cidade mais desenvolvida do Rio Grande do Norte,
enquanto Mossoró surge apenas na 6ª posição, atrás ainda de cidades como
São José do Seridó, Parnamirim, e Caicó. O estudo da FGV avaliou pontos
como habitação, renda, trabalho, saúde, segurança e educação.
Para o
professor do curso de Economia da Universidade do Estado do Rio Grande
do Norte (Uern), Carlos Escóssia, os resultados refletem a tese que ele
vem defendendo: Mossoró cresce, mas não se desenvolve da forma como
deveria.
"Eu sempre questionei essa imagem que tentam passar de
Mossoró. A cidade vem passando sim por um processo de crescimento
econômico, mas há uma diferença muito grande entre crescer e se
desenvolver. O crescimento está relacionado a capacidade produtiva da
economia, enquanto o desenvolvimento está acompanhado de uma melhoria na
qualidade de vida da população, atrelado a vetores sociais como saúde,
educação, segurança", argumenta o professor.
Na opinião do professor
universitário, o poder público não tem conseguido melhorar a qualidade
de vida dos mossoroenses. "A cidade cresce de forma desorganizada, e há
ainda o grave problema da concentração de renda. De um lado temos uma
cidade rica, do outro uma população pobre, sem renda", diz.
Segundo
Carlos Escóssia, uma das formas de reverter esse quadro é investir em
qualificação, principalmente para os setores da economia primária e
secundária, e planejar a cidade para as próximas décadas. "Mossoró é uma
cidade privilegiada devido a sua posição geográfica, mas é necessário
pensar o município para o futuro. Mossoró precisa de um gerente, não de
um prefeito", enfatiza.
Na opinião do cientista político, sociólogo e
pró-reitor de Extensão da Uern, Wanderlei de Lima, o crescimento
visualizado em Mossoró é reflexo do "boom" econômico pelo qual o país
inteiro vem passando nos últimos 10 anos. "Houve sim um crescimento
substancial, devido principalmente à dinâmica econômica vivenciada em um
cenário nacional, sendo que os gestores, que têm seus méritos,
capitalizam esse crescimento como de sua responsabilidade, o que não é",
afirma.
Conforme Wanderlei de Lima, em relação ao fato de Mossoró
perder o posto de segunda cidade mais desenvolvida do RN para o
município de Parnamirim, é preciso destacar que este tende a se
fortalecer como parque industrial do Estado, devido também a sua
proximidade com a capital. "É impreciso comparar Mossoró com Parnamirim,
pois o agora segundo maior município do Estado vive uma dinâmica
econômica que faz com que ele supere as demais cidades do RN", enfatiza.
Ainda
de acordo com o sociólogo, um dos fatores que podem estar influenciando
a queda de Mossoró nos indicadores de desenvolvimento é a crise
econômica mundial. "A crise vem sim refletindo, impactando as cidades
que vinham sendo favorecidas com o crescimento econômico", diz.
Secretário de Desenvolvimento Econômico diz
que indicadores negativos representam
realidades "sazonais"
realidades "sazonais"
Questionado a respeito dos mais recentes índices divulgados pela Firjan e pela FGV, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Nilson Brasil, afirmou que os índices que colocam Mossoró em 3º e 6º lugares, respectivamente, apontam realidades "sazonais", não representando assim a visão globalizada do desenvolvimento da cidade.
"Nós respeitamos os números estatísticos, mas é preciso avaliar que se trata de uma realidade sazonal, que pode transparecer que houve queda como um todo. Claro que alguns segmentos passam em algum momento por um período de dificuldade, mas a cidade está sim em pleno desenvolvimento", pontua Nilson Brasil.
Para o secretário, as afirmações de que o crescimento econômico de Mossoró não tem proporcionado uma melhoria na qualidade de vida da população não se justificam. "Não concordo com esse pensamento. A qualidade de vida melhorou consideravelmente, e falo isso não como secretário, mas como cidadão, empresário", conta.
Nilson Brasil
argumenta ainda que os problemas relacionados à saúde, educação e
segurança, por exemplo, não são encontrados somente em Mossoró, e fazem
parte de uma conjuntura nacional.
"A falta de segurança não é um mal
isolado da cidade. Com a saúde não é diferente. Mossoró tem uma
qualidade razoável, vai melhor até do que em relação a outras cidades do
Nordeste. Assim como na educação também alcançamos indicadores de
qualidade", relata.
O secretário também defende que a concentração de
renda é um processo que ocorre no país inteiro. "É algo que independe
do gestor público. É uma conjuntura do sistema socioeconômico do país.
Sempre haverá uma camada de pessoas com uma renda baixa, e outra com uma
renda mais elevada", conclui Nilson Brasil.
Fonte: O Mossoroense

















































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