segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

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A VERDADEIRA MOSSORÓ


 ÍNDICES DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL
 NÃO ACOMPANHAM ACENTUADO
 CRESCIMENTO ECONÔMICO

Na semana em que a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) divulgaram o ranking das cidades mais desenvolvidas do país e do Estado, respectivamente, os mossoroenses puderam constatar, baseados nos resultados apresentados, que o município, ao contrário do que é alardeado pelo poder público, não é possuidor de números que o credenciem ao status de "metrópole do futuro".

O ranking da Firjan, por exemplo, aponta Mossoró como a terceira cidade mais desenvolvida do RN. A posição, apesar de significativa, representa uma queda para a cidade no índice desenvolvido pela Federação, uma vez que a "capital do Oeste potiguar" era detentora, desde 2005, da segunda colocação no ranking, posição essa que agora passa a ser ocupada pelo município de Parnamirim.
 
Levando-se em consideração o ranking nacional, Parnamirim ocupa a 593ª posição, enquanto Mossoró aparece em 678º lugar no Índice que considera três áreas de desenvolvimento: Emprego e Renda, Educação e Saúde, utilizando ainda estatísticas oficiais divulgadas pelos Ministérios do Trabalho, Educação e Saúde.
 
Já o Indicador Social de Desenvolvimento dos Municípios (ISDM), da Fundação Getúlio Vargas, aponta Acari, na região do Seridó, como a cidade mais desenvolvida do Rio Grande do Norte, enquanto Mossoró surge apenas na 6ª posição, atrás ainda de cidades como São José do Seridó, Parnamirim, e Caicó. O estudo da FGV avaliou pontos como habitação, renda, trabalho, saúde, segurança e educação.
 
Para o professor do curso de Economia da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), Carlos Escóssia, os resultados refletem a tese que ele vem defendendo: Mossoró cresce, mas não se desenvolve da forma como deveria.
 
"Eu sempre questionei essa imagem que tentam passar de Mossoró. A cidade vem passando sim por um processo de crescimento econômico, mas há uma diferença muito grande entre crescer e se desenvolver. O crescimento está relacionado a capacidade produtiva da economia, enquanto o desenvolvimento está acompanhado de uma melhoria na qualidade de vida da população, atrelado a vetores sociais como saúde, educação, segurança", argumenta o professor.
 
Na opinião do professor universitário, o poder público não tem conseguido melhorar a qualidade de vida dos mossoroenses. "A cidade cresce de forma desorganizada, e há ainda o grave problema da concentração de renda. De um lado temos uma cidade rica, do outro uma população pobre, sem renda", diz.
 
Segundo Carlos Escóssia, uma das formas de reverter esse quadro é investir em qualificação, principalmente para os setores da economia primária e secundária, e planejar a cidade para as próximas décadas. "Mossoró é uma cidade privilegiada devido a sua posição geográfica, mas é necessário pensar o município para o futuro. Mossoró precisa de um gerente, não de um prefeito", enfatiza.
 
Na opinião do cientista político, sociólogo e pró-reitor de Extensão da Uern, Wanderlei de Lima, o crescimento visualizado em Mossoró é reflexo do "boom" econômico pelo qual o país inteiro vem passando nos últimos 10 anos. "Houve sim um crescimento substancial, devido principalmente à dinâmica econômica vivenciada em um cenário nacional, sendo que os gestores, que têm seus méritos, capitalizam esse crescimento como de sua responsabilidade, o que não é", afirma.
 
Conforme Wanderlei de Lima, em relação ao fato de Mossoró perder o posto de segunda cidade mais desenvolvida do RN para o município de Parnamirim, é preciso destacar que este tende a se fortalecer como parque industrial do Estado, devido também a sua proximidade com a capital. "É impreciso comparar Mossoró com Parnamirim, pois o agora segundo maior município do Estado vive uma dinâmica econômica que faz com que ele supere as demais cidades do RN", enfatiza.
 
Ainda de acordo com o sociólogo, um dos fatores que podem estar influenciando a queda de Mossoró nos indicadores de desenvolvimento é a crise econômica mundial. "A crise vem sim refletindo, impactando as cidades que vinham sendo favorecidas com o crescimento econômico", diz. 

Secretário de Desenvolvimento Econômico diz
 que indicadores negativos representam
 realidades "sazonais"

Questionado a respeito dos mais recentes índices divulgados pela Firjan e pela FGV, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Nilson Brasil, afirmou que os índices que colocam Mossoró em 3º e 6º lugares, respectivamente, apontam realidades "sazonais", não representando assim a visão globalizada do desenvolvimento da cidade.
 

"Nós respeitamos os números estatísticos, mas é preciso avaliar que se trata de uma realidade sazonal, que pode transparecer que houve queda como um todo. Claro que alguns segmentos passam em algum momento por um período de dificuldade, mas a cidade está sim em pleno desenvolvimento", pontua Nilson Brasil.
 

Para o secretário, as afirmações de que o crescimento econômico de Mossoró não tem proporcionado uma melhoria na qualidade de vida da população não se justificam. "Não concordo com esse pensamento. A qualidade de vida melhorou consideravelmente, e falo isso não como secretário, mas como cidadão, empresário", conta.
 
Nilson Brasil argumenta ainda que os problemas relacionados à saúde, educação e segurança, por exemplo, não são encontrados somente em Mossoró, e fazem parte de uma conjuntura nacional. 

"A falta de segurança não é um mal isolado da cidade. Com a saúde não é diferente. Mossoró tem uma qualidade razoável, vai melhor até do que em relação a outras cidades do Nordeste. Assim como na educação também alcançamos indicadores de qualidade", relata.
 
O secretário também defende que a concentração de renda é um processo que ocorre no país inteiro. "É algo que independe do gestor público. É uma conjuntura do sistema socioeconômico do país. Sempre haverá uma camada de pessoas com uma renda baixa, e outra com uma renda mais elevada", conclui Nilson Brasil.

Fonte: O Mossoroense 

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