terça-feira, 5 de abril de 2011

POR JACQUELINE AMARAL


COPIADO DO BLOG DE 

THURBAY MAGUILA 


Caro Thurbay, a natureza sempre conspira. Estava terminando esse texto quando você o solicitou. Não precisa enredar a Eliete não, deixe de golpe baixo.

"Elegante" Morou na casa da minha mãe, Eliete, uma senhora chamada Francisca Barreto. Pantica para a gente de casa. 

Durante toda minha vida jamais conheci alguém tão elegante, discreta, conveniente. 

Passou 20 anos de sua existência convivendo com a nossa família. Jamais levantou a voz, jamais interferiu ou se intrometeu em conversas que não lhe diziam respeito. E quando requisitada sua opinião, a manifestava de forma coerente, profunda, como verdadeira sábia, na sua forma mais simples e sempre com muita alma. 

Sabedoria e compreensão popular da melhor qualidade. Alta, preta, com seu cabelo duro muito bem cortado, roupas discretas em tons de marrom, aura bondosa; Pantica era a expressão máxima da gentileza e da finesse no sentido mais singelo da palavra; características essas, dentre tantas outras, que influenciaram a mim e a minha irmã Jeannine, nos ensinando o verdadeiro sentido de dedicação, carinho e amor, destituído de qualquer interesse que não fosse o bem servir. 

Tinha um filho problemático chamado Manoel, que bebia muito e freqüentemente se postava sentado na pracinha em frente de casa , aos berros gritando por ela. 

Nesses dias lembro-me de como ela ficava aperreada, pedindo muita desculpa pelo barulho que ele fazia, e corria a ter com ele para acalmá-lo. Com aquele seu jeito terno, mas firme, o tangia para casa. 

Elegância na mais pura essência da palavra, jamais ensinada em bancos escolares, até por que nenhum mestre, doutor ou pós-doutores, nenhum deles, jamais poderia retratar em suas teses o que tinha de espetacularmente profundo na sábia alma daquela senhora.

Faleceu ano passado. 

E eu enquanto a observava dentro da urna mortuária, percebi nitidamente que ainda pairava aquele leve sorriso que sempre trazia nos lábios e que foi marca indelével de sua personalidade, mantida até os seus noventa anos de idade com a elegância de quem sabia ser chique guiada pela própria natureza. 

Fique com Deus Pantica e premie o céu com sua presença. 




Um comentário :

Jacqueline Amaral disse...

Carlos,

Obrigada pelo espaço. Não tenho pretensões literárias, no entanto sempre consigo me expressar melhor escrevendo do que falando. Nesses momentos, alivio minha alma e satisfaço meu coração.
Saudações.