terça-feira, 5 de abril de 2011


A CRIAÇÃO DA MULHER


 
Após criar o homem, Deus não tinha mais material adequado para formar outro ser humano. Mas queria criar a mulher. Então tomou a redondeza da lua, a sinuosidade da serpente, e entrelaçamento da ramagem das plantas, a esbelteza do talo da rosa, a vaporosidade da neblina, a inconstância do vento, a timidez da lebre, a vaidade do pavão, a amargura do fel, o suave sabor do mel, o ardor do fogo, a frieza da neve, a tagarelice do gaio, o arrulho amoroso da pomba, misturou todos esses elementos e fez a mulher. E ofereceu-a ao homem.

Durante cinco dias, o homem ficou feliz com a inesperada companheira. Mas no sexto dia, apresentou-se diante de Deus e disse: "Meu senhor, esta criatura que me deste envenena-me a vida. Fala demais, queixa-se o tempo todo, não se desculpa de nada e está sempre doente. Por favor, aceita-a de volta." Deus pronunciou então o primeiro divórcio humano.

Cinco dias depois, porém, o homem voltou à presença de Deus, mortificado: "Meu senhor, disse, não consigo mais aguentar a solidão. Aquela criatura fazia a alegria de minha vida. Por favor, devolve-ma."

Mais uma vez, Deus acedeu ao deseja do homem. Depois de outros cinco dias, contudo, o homem voltou com novas queixas. Mas desta feita Deus não o atendeu, sentenciando: "Não podes viver com ela. Mas tampouco podes viver sem ela. Trata de encontrar nesse dilema tua felicidade." E o homem foi-se, resmungando: "É verdade. Não posso viver com ela. Mas tampouco posso viver sem ela."

Lenda indiana 


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