sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

POR TOGO FERRÁRIO


 UM BEATLE ENTRE NÓS


Em uma noite memorável, estivemos assistindo um verdadeiro show de rock and roll com a presença de Sir Paul McCartney no Morumbi. Ele que, ao lado de John Lennon, George Harrison e Ringo Star, formou uma banda que, até os dias de hoje, influencia a história da música.

Pautada por composições que marcaram, e ainda marcam a lista de sucessos nas paradas desde o início da década de 1970, ele esteve pela 3ª vez no Brasil – as outras duas foram em 1990 no Maracanã-RJ, e em 1993 com duas apresentações, uma em Curitiba-PR e outra em São Paulo, no Pacaembu.

Paul demonstrou que, fora dos BEATLES, mantém uma carreira solo de impressionar muitos artistas, inclusive brasileiros, cuja presença foi notada pela mídia especializada na 1ª noite da apresentação do show ‘Up and coming tour’.

Pontual, como todo britânico, Paul subiu ao palco, precisamente, às 21h30min e chamou-nos a atenção, principalmente, de ver e ouvir jovens de faixa etária entre 15 e 20 anos, cantando o repertório do músico inglês, em exatas três horas de um som com qualidade perfeita – não teve aquela chata pré-afinação de instrumentos e graduação de equipamentos – sem nenhuma microfonia e, o que mais nos impressionou, sem intervalo algum, nem ao menos para ele tomar um simples copo d’água. Um exemplo de profissionalismo e respeito ao público que lotou o local do show, com 64.000 fãs em cada noite de apresentação em São Paulo.

Apresentando 40 músicas que mostrou todas as fases de sua vida musical, Paul McCartney nos brindou com instantes maravilhosos de puro êxtase, como por exemplo, quando interpretou ‘Live and let die’, tema de filme do agente secreto 007 (James Bond), quando o palco se transformou em um verdadeiro campo de explosões de fogos de artifícios, surgindo de todos os lados e, também, por trás da banda. Da platéia, sentíamos o cheiro de pólvora.  

Com uma imagem perfeita, gerada em dois imensos telões instalados em cada lateral do palco, era possível assisti-lo de qualquer local do estádio sem perder nenhum detalhe, inclusive o emocional, quando ele demonstrou em momentos de pura inspiração, ao homenagear os amigos John (‘Here today’) e George (‘Something’), além é claro, sua ex-esposa Linda McCartney (‘My Love’). Foi, em minha opinião, um dos pontos mais emocionantes do concerto.

Portador de uma simpatia incomum para artistas que falam um idioma diferente do nosso, Paul ousou, e conseguiu, se comunicar em um bom português com um público extremamente gentil que, no intervalo de uma música e outra, gritava o nome dele, além de frases em inglês do tipo ‘we love you, yeah, yeah, yeah, fazendo uma paródia ao refrão de ‘She loves you’ composta por ele e John em 1963.

Com direito a dois bis e sem a platéia querer ir embora, ele nos brindou com uma interpretação fenomenal de ‘Yesterday’, minha canção favorita, tocando um violão acústico e acompanhado pelo teclado de Paul ‘Wix’, ‘enchendo’ o Morumbi de uma harmonia sem precedentes.

Para fechar o mega-show, nada melhor do que a lendária ‘Sgt. Pepper’s’ onde Paul, tocando guitarra solo, mostra seu lado rockeiro com os outros dois guitarristas, Rusty Anderson e Brian Ray, além de uma batida forte do baterista, super dançante, Abe Jr.

Para finalizar, ‘The end’ onde a letra diz: “E no final, o amor que você leva é igual ao amor que você faz”. E, convenhamos, de amor ele entende muito bem.

Após presenciar todo esse espetáculo musical, vinte anos depois da primeira oportunidade de vê-lo ao vivo, chegamos à seguinte conclusão: Paul McCartney, mesmo aos 68 anos de idade, está cada vez mais vivo e conseguiu reunir quatro gerações de fãs onde todos cantam suas maravilhosas canções, com muita energia.

Obrigado Paul, por sua obra imortal! 





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