terça-feira, 22 de setembro de 2009

JÓIAS DO PENSAMENTO



JUVENTUDE

A juventude não é um período da vida: é um estado de espírito, um efeito da vontade, uma qualidade da imaginação, uma intensidade emotiva, uma vitória do valor sobre a timidez, do gosto pela aventuras sobre o apego ao conforto.

Alguém não se torna velho por haver vivido determinado número de anos; torna-se velho quando deserta os ideais.

Jovem é o que se deslumbra e se maravilha. Jovem é o que desafia os acontecimentos e encontra alegria no jogo da vida. As provocações o galvanizam, os fracassos o tornam mais determinado, as vitórias o fazem melhor.

Serás tão jovem como teu entusiasmo, tão velho como teu desânimo; tão jovem como a confiança que tenhas em ti, tão velo como tuas dúvidas e hesitações.

Permanecerás jovem enquanto permaneceres generoso, enquanto sentires a alegria de dar alguma coisa de ti.

Se, um dia, qualquer que seja a tua idade, teu coração for invadido pelo pessimismo, ou o egoísmo, ou o cinismo, que Deus tenha então pena de tua alma de velho!
General Douglas MacArthur

ENCONTROS E DESENCONTROS NO RN

Luis Fausto ( www.nominuto.com/blog/brasilia-urgente)

Seis, quase sete dias de silêncio no Rio Grande do Norte, entre Natal e Mossoró, em um mergulho no passado cada vez mais presente na minha história.

Tempo de ouvir, de ver de perto o que de longe a gente já sabe desde sempre.

Tempo de reencontrar amigos, pessoas que guardo para a vida inteira.

Cá e lá, na capital do oeste ou na capital potiguar, o rio do norte permanece grande na extensão, mas é pequeno, e está ficando cada vez menor, nas perspectivas da história.

A ladainha se repete, como se o tempo estivesse parado.

Em Natal, o verde da prefeita Micarla de Souza se assemelha apenas à cor da moeda que move o mundo, os 30 anos de vida pública do senador José Agripino Maia são contados como se todos nós não tivéssemos memória, o desfile de Lands Rovers guiadas por homens públicos e permanentemente notórios corrói os olhos mais sensíveis e há no ar e também no mar a sensação de que a cidade adormeceu, anestesiou-se, diante de tantos e tão repetidos golpes contra ela e contra os seus.

Em Mossoró, a despeito das vozes dissonantes de uma meia dúzia de cidadãos e cidadãs ainda esperançosos, o século XX não chegou a XXI e a pronúncia dos números continua afrancesada. O hoje é ontem, não dando chance alguma para o amanhã.

Bom, repito e reitero, foi rever os velhos amigos e fazer novos, sentindo que o pulso ainda pulsa (obrigado, Arnaldo Antunes) mesmo com tão pouco ar.

Encontros que superaram os desencontros e os desatinos inevitáveis, como topar na noite com o deputado Gustavo Carvalho, ouvir dele um rosário de elogios a Dorian Jorge Freire ("amigo de meu tio Carlos Lima") e depois, ao fim e ao cabo, escutar a pergunta incabível:

- Como está seu Pai?

- Morto, respondi.

Tal e qual o Rio Grande do Norte, pensei.

JUROS - PRECISA CAIR MAIS

Por Gilson Luiz Euzébio, de Brasília


TAXAS CAI, MAS CONTINUA ALTA
Taxas cobradas das pessoas físicas ainda são extorsivas


Em julho, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic, a taxa básica de juros, que serve de parâmetro para toda a economia, para 8,75%. Trata-se do nível mais baixo das últimas décadas. O novo patamar permite vislumbrar mais acesso ao crédito, geração de empregos e aquecimento da economia. Surgem oportunidades para a atividade produtiva e perspectivas de menores ganhos para aplicações no mercado financeiro


Temos, desde o mês passado, a menor taxa básica de juros (Selic) das últimas décadas: 8,75% ao ano fixados pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Mesmo assim, o Brasil ainda tem uma das maiores taxas de juros do mundo, já que a maioria dos países reduziu a taxa para níveis muito baixos ou até mesmo próximos de zero desde o início da crise econômica. O Brasil, diferentemente, reagiu à crise com juros elevados, que chegaram a 13,75% em setembro de 2008, e demorou muito para inverter a trajetória de alta. Juros elevados resultam em mais despesas para os cofres públicos e no agravamento da recessão que tivemos no final do ano passado e início deste ano.

Na justificativa para a manutenção de juros elevados, o Copom expressou o entendimento de que "a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos". Para João Sicsú, diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea, a constatação é correta, mas a manutenção da taxa Selic em patamares de dois dígitos foi equivocada. A mesma ata falava em risco de pressão inflacionária pela expansão da demanda, quando o país já estava entrando na recessão. Sicsú lembra que a justificativa não mudou no mês de outubro, ocasião em que o Brasil já estava mergulhado na crise. "Avaliações desconectadas da realidade marcaram a ata de outubro", afirma. A ata de dezembro, da reunião que manteve a taxa em 13,75%, não foi diferente, embora os sinais da recessão já estivessem bem claros na queda de arrecadação de impostos e contribuições federais desde novembro. Além disso, houve uma queda abrupta do número esperado de criação de novos empregos com carteira assinada nos meses de novembro e dezembro de 2008.

Para um país acostumado com juros altos - em 2003, a Selic estava em 26,5% -, a taxa de 8,75% soa como um grande avanço. Mas precisa baixar mais, já que não há pressões inflacionárias, defende João Sicsú. Com isso, haveria redução do custo de rolagem da dívida do setor público, liberando maior volume de recursos para investimentos e programas sociais, por exemplo. No estudo A gravidade da crise e a despesa de juro do governo, João Sicsú afirma que a redução da Selic para 7% ao longo de 2009 faria com que o governo economizasse entre R$ 40 e 50 bilhões. Essa folga permitiria ao governo ampliar os investimentos em infraestrutura, programas sociais e programas educacionais, por exemplo.

Além disso, a redução da taxa básica, utilizada na remuneração dos títulos do governo, ajuda a reativar a economia, embora haja uma grande distância entre a Selic e as taxas efetivas que os bancos cobram dos clientes. De acordo com relatório do Banco Central, na última semana de julho, alguns bancos cobraram no cheque especial, por mês, taxas superiores ao rendimento da Selic no ano (até 9% ao mês para uma Selic anual de 8,75%). Os juros anuais do cheque especial estão em torno de 160%. Esses valores exorbitantes podem ser atribuídos à falta de concorrência no mercado de crédito: pouquíssimas instituições financeiras dominam mais de 90% desse mercado.

No crédito pessoal, as taxas são menores, porém ainda altas em comparação com a Selic. Segundo o Banco Central, o custo dessa linha variou no final do mês passado de 1,08% a 3,08% ao mês. Já as empresas pagaram até 5,46% de juros por mês para descontar duplicatas.

As reduções feitas pelo Banco Central não são repassadas, na mesma porporção, aos tomadores de empréstimo. Ao fixar a taxa em 8,75%, o Copom fez uma redução de meio ponto percentual. Em consequência, o Itaú Unibanco anunciou uma queda de apenas 0,04% em suas taxas cobradas no cheque especial e crediário. O Bradesco informou uma redução de 8,28% para 8,24% ao mês. No crédito pessoal, a redução da taxa máxima seria de 5,68% ao mês para 5,64%. Nas linhas destinadas às empresas, a redução também ficou em 0,04. Ou seja, para uma redução de 0,5 ponto na Selic, os bancos reduzem 0,04.

Três erros - O próprio Banco Central vem sinalizando em suas atas que a trajetória de queda está chegando ao fim, o que, na avaliação de muitos economistas, inclusive do governo, seria um erro. Estudos do Ipea apontam que a elevação da taxa básica de juros, em 2008, contribuiu para a queda do PIB do país no quarto trimestre de 2008 e no primeiro de 2009. A taxa Selic em 2008 passou de 11,25% ao ano para 13,75%. Nesse período, a inflação ficou em 5,9%, acima do centro da meta do governo, de 4,5%, mas abaixo do teto de tolerância de 6,5%. Para o Ipea, não era hora de aumentar os juros, visto que o consumo não era excessivo e registrava-se uma forte expansão de investimentos privados.

Remédio sem efeito - A principal alegação para a elevação ou manutenção dos juros altos no Brasil é a inflação. Mas o aumento dos juros não tem dado resultado no combate à inflação, de acordo com o técnico do Ipea e autor do livro Regimes Monetários: Teoria e Experiência do Real, André Modenesi. "A inflação tem-se mostrado pouco sensível à taxa Selic. Apesar do excesso de rigidez que marca a política monetária no país desde a adoção do Plano Real, a inflação se mantém em patamares moderados. Ou seja, a despeito das doses cavalares de juros, a inflação não cede muito. Isso é uma clara indicação de que há problemas no mecanismo de transmissão da política monetária", comenta.

Na visão de Modenesi, o gerenciamento da demanda agregada - feita pelo BC por meio de variações na taxa de juros - deve ser fortemente complementado por uma política focada na redução das pressões inflacionárias pelo lado da oferta. Também é preciso, por exemplo, avançar na desindexação da economia. "A inflação brasileira não é um fenômeno meramente monetário", afirma.

O diretor João Sicsú divide com vários economistas a esperança que a taxa básica caia para 7% ainda este ano. Segundo ele, desde o início deste governo, quando a taxa de juros era de 26,5%, ele ouve dizer que se a taxa de juros fosse reduzida haveria inflação, ninguém mais compraria títulos públicos, os capitais iriam embora e o câmbio explodiria. "No entanto, nada disso aconteceu", afirma.

"Vão deixar de comprar título da dívida pública brasileira para comprar qual papel? Os da dívida pública americana que rendem quase nada. Não existe papel mais seguro e rentável que o brasileiro, com essa taxa de juro que ainda é muito alta", argumenta. Segundo ele, não houve fuga de capitais porque "não existe alternativa melhor do que a compra de títulos públicos do governo brasileiro".

Para Sicsú, há espaço para novas reduções dos juros, porque não há pressão inflacionária. "A economia deve crescer este ano apenas entre 0,2% e 1,2%. Um crescimento dessa ordem provoca alguma demanda que não possa ser satisfeita pela capacidade de ofertar dos empresários?" Segundo ele, a infl,0ação deste ano deve ficar abaixo da meta de 4,5% estipulada pelo governo, e o foco deve ser o combate ao desemprego e a recuperação da capacidade de produção e de investimento da indústria.

Economia para investimentos
- Os recursos economizados com juros podem ser investidos em programas sociais de transferência de renda, que geram resultados imediatos. Ou em infraestrutura, que tem um retorno mais lento. Para o Ipea, a melhor maneira de enfrentar a crise e reativar a economia é aumentar os gastos públicos. Mas o professor da FGV, Ricardo Araújo, ressalta que o setor privado também precisa participar do processo de investimento. "Se a carga tributária e os encargos trabalhistas forem reduzidos, o custo de investimento de um empresário será menor. A melhor forma de gerar renda para as pessoas é com as empresas crescendo", argumenta Araújo.

Segundo ele, pequenas e médias empresas, com menos acesso ao crédito, enfrentam dificuldade para investir e crescer: "O crescimento delas não depende apenas da taxa de juros. Depende fundamentalmente dos encargos trabalhistas e tributários".

O grande vilão - No Brasil, o spread bancário gira em torno de 30 pontos percentuais, um dos mais altos do mundo. Quando questionadas sobre esse aspecto, as instituições financeiras se valem da justificativa de que precisam se proteger do risco de inadimplência. Muitos consumidores demoram a perceber uma eventual redução na Selic, justamente porque o spread bancário, que deveria diminuir após cada corte na taxa básica de juros, não cai. Tal fenômeno se deve não apenas a impostos e a gerenciamento de risco de inadimplência, mas, sobretudo, à alta margem de lucros dos bancos.

"As instituições financeiras desfrutam de uma alta margem de lucro no País, porque existe uma grande concentração bancária, uma combinação de preços e poucas alternativas para o correntista sair de um banco para outro", avalia o coordenador do Grupo de Análises e Previsões do Ipea, Roberto Messenberg. Ele lembra que o banco capta recursos dos clientes pagando 9% ao ano, mas chega a cobrar desse mesmo cliente 160% de juros numa operação de cheque especial: "Um verdadeiro absurdo".

O professor da FGV, Ricardo Araújo, acrescenta que cobrar taxas de juros tão elevadas na ponta do crédito para cobrir um eventual prejuízo não se justifica. E defende alguma forma de regulamentação. "Tarifas telefônicas são reguladas, têm um teto; tarifas de energia são reguladas, têm um teto; planos de saúde são regulados, têm um teto; mas as taxas de juros na ponta de crédito na economia brasileira não têm teto, não são reguladas", compara. "O mercado financeiro brasileiro, especialmente os bancos maiores, os bancos múltiplos formam um oligopólio bancário em que taxas são combinadas", denuncia Araújo.

Para estimular a concorrência, o Banco Central divulga na internet um levantamento semanal das taxas efetivamente praticadas pelas instituições financeiras. Os números demonstram, no entanto, pouca eficácia da medida na redução dos juros. De 35 instituições pesquisadas pelo BC, 24 cobram mais de 6% ao mês no cheque especial, sendo que metade delas mantêm taxas acima de 8%. Na faixa entre 8,76% e 9,04% ao mês - taxa acima da taxa básica anual -, há cinco instituições. E apenas quatro cobram menos de 2% ao mês. Já as taxas do crédito pessoal variam, de acordo com o Banco Central, de 1,08% a 3,08%. Mas, de 47 instituições incluídas na pesquisa, apenas cinco oferecem taxas inferiores a 2%.

A questão da falta de concorrência foi agravada nas últimas décadas pelo aumento da concentração no setor. De acordo com o Comunicado da Presidência nº 20, divulgado em abril pelo Ipea, entre 1996 e 2006, a participação dos 20 maiores bancos no total de ativos aumentou de 72% para 86%, em decorrência da transformação da indústria bancária no país a partir de 1990. "Com a concentração bancária no Brasil houve redução em 32,2% na quantidade de bancos em operação nos últimos 11 anos", afirma o documento. Em 2007, havia apenas 156 instituições operando no Brasil, enquanto na Alemanha eram 2.130 bancos e nos Estados Unidos, 7.282. A transformação no Brasil resultou também no aumento da presença de instituições estrangeiras no mercado nacional e no desaparecimento das instituições públicas (na década de 1990, o governo federal adotou uma política para forçar os estados a privatizar seus bancos).

Perdas e ganhos com a queda da Selic
- O professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Luiz Fernando de Paula, explica que "a diminuição da taxa básica de juros reduz os ganhos financeiros" e estimula o setor produtivo. A queda dos juros, segundo ele, vai impor uma nova realidade aos empresários: terão que aprender a conviver com uma taxa de juros mais baixa e com menos ganhos em aplicações financeiras. Aliás, as empresas brasileiras com grandes aplicações no mercado financeiro foram as que mais sentiram a crise econômica. "Agora, essas companhias precisarão ser mais eficientes e investir os recursos na sua atividade produtiva, o que gera emprego e aumento da produção", afirma.

Do ponto de vista do investidor estrangeiro, observa-se maior fluxo de investimentos para a bolsa brasileira do que para a compra de títulos públicos do governo. Isso porque os papéis das companhias brasileiras estão muito atrativos, com uma altíssima rentabilidade durante o ano de 2009. Outro cenário que se descortina com a redução da Selic é a possível emissão de papéis de empresas do setor privado com ganhos superiores aos do governo, tornando-os mais atraentes para os investidores.
Fonte: Revista Desafios do Desenvolvimento - IPEA

LINGUA BRASILEIRA DE SINAIS


CÂMARA ESTIMULA LÍNGUA DE
SINAIS NA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL

No Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, hoje (21), a Câmara Municipal de Mossoró aguarda sanção de Projeto de Lei, aprovado na semana passada, que reconhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio de comunicação e de expressão dos surdos em Mossoró.

A proposição é de autoria da vereadora Cláudia Regina (DEM) e assegura aos surdos o direito à informação e ao atendimento através de Libras em toda a administração pública municipal, por servidor qualificado.Também inclui a Libras nos cursos de formação de Educação Especial na rede municipal.

Cláudia Regina informa que o Projeto de Lei faculta à Prefeitura firmação de convênio com entidades sociais para atendimento de pessoas surdas, determina capacitação de quadro de servidores para comunicação em Libras e cessão de funcionários para atuação de intérpretes em ocasiões necessárias.

A Libras é a língua gestual usada pela maioria dos surdos brasileiros e que permite a comunicação entre os surdos e não-surdos. Com a aprovação desse projeto, facilitaremos o acesso de surdos às repartições públicas através da eliminação de barreiras de comunicação, observa Cláudia Regina.
Assessoria de Comunicação
Regy Carte

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

CAMISETAS DO COPÃO

Carlos Escóssia

As pessoas que desejarem comprar a camiseta da Confraria do "Copão" com a sua logomarca, é só procurar o amigo Alex Polayrino Brito, através do telefone: 8801-5589 ou do e-mail alexpolary@gmail.com.

O custo unitária da camiseta é de R$ 20,00. E quem desejar, divulgar sua empresa, seu comércio ou prestadora de serviço nas camisetas do "Copão", também podem procurar o Polayrinho no telefone ou e-mail acima mencionado.

MOSSORÓ É QUEM MAIS EMPREGA NO RN

Carlos Escóssia

Segundo informação do Ministério do Trabalho e Emprego, no mês de agosto, foram criado no país 242 mil postos de trabalho formal, o melhor resultado do ano.

No acumulado do ano (janeiro/agosto), foram criadas 680 mil vagas, queda de 62% na comparação com o mesmo período do ano passado (2008), quando o país gerou 1.8 milhões de postos com carteira assinada.

Das 50 cidades que mais geraram postos de empregos no Brasil, 18 são capitais. A décima cidade que mais gerou empregos formais, foi o município de Igerassu em Pernambuco, que tem uma população de um pouco mais de 90 mil habitantes, de acordo com dados do IBGE.

A expansão da indústria foi a grande responsável pela criação de empregos com carteiras assinadas em pequenas cidades que apresentaram dados positivos sobre o mercado de trabalho no mês de agosto.

Mossoró, como foi amplamente divulgado pela mídia local, ficou entre as cinquenta cidades que mais geraram empregos formais no país no mês de agosto, ocupando a quinquagéssima posição.

No referido mês, a cidade de Mossoró realizou 2.358 admissões, 1.475 demissões, apresentando um superavit de 883 postos de empregos formais, como pode ser visualizado no quadro abaixo.

Em termos absolutos, os destaques por Unidades da Federação foram: São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro, Paraná, Ceará, Bahia e o Rio Grande do Sul.

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de agosto aponta um significativo incremento do emprego nas cinco regiões: Nordeste, 65.751 postos(1,38%); Norte, 16.675 postos(1,41%); Sudeste, 106.085 postos(0,59%); Sul, 37.408 postos(0,63%) e Centro Oeste, 14.209 postos(0,59%).

No caso específico do nosso Estado (RN), o bom desempenho apresentado no mês de agosto indica um estágio de recuperação da nossa economia. No acumulado o ano (janeiro/agosto), ainda apresentamos um deficit na geração de emprego formal de 4.844 postos, tendo em vista que nesse período o RN assinou 98.340 novos trabalhos contra 103.180 pessoas que infelizmente perderam o vínculo formal de trabalho.

No ranking das cidades com melhor desempenho no nosso Estado (RN) na geração de postos de empregos com carteira assinada é liderada por Mossoró.
Com relação a Mossoró, esses dados são importantes, positivos, significativos e animadores.

Para mim e para os que analisam os "fatos e situações" com racionalidade, frieza, equilíbrio, tecnicidade, independência, pragmatismo e outros "ismos" mais, nada de euforismo, festa, desbunde, cirandas e foguetões.

Querer atribuir ou relacionar esses dado as ações da administração "Mossoró da Gente?", é o mesmo que tentar tapar o sol com uma peneira, pisar em ovos sem quebra ou tentar fazer omeletes sem ovos, frigideira e margarina ou óleo.

Querer também preconizar ou afirmar, baseado nestes dados que Mossoró está trilhando ou vivenciando um estágio de desenvolvimento econômico é o mesmo que vestir uma calça cor de burro e sair dando coices Mossoró afora. Em outras palavras é ufanismo periférico, bizarro e jactancioso; é infantilismo latente e exacerbado; é desconhecimento total dos princípios e objetivos básicos das ciências econômicas.

Querer ainda afirmar ou querer induzir a uma, duas ou meia dúzia de pessoa a acreditar que o crescimento (nunca desenvolvimento) de Mossoró, que é real, depende exclusivamente do poder público municipal e que todo retrocesso é obra ou culpa da oposição ou dos que não concordam com a administração "Mossoró da Gente?", é cegueira pura e contagiosa

Finalizando, gostaria ainda de fazer uma ou duas ponderações a respeito do assunto:

1. Mossoró cresce fruto das suas potencialidades, das suas riquezas naturais, do empreendedorismos de alguns mossoroenses, da nossa privilegiada situação geográfica, das opções que a cidade apresenta ao investimento externo e sobretudo induzida pela lei natural do capitalismo que preconiza que o capital, no caso investimentos, se direciona para o local e atividade em que ele é mais rentável e o seu retorno é mais rápido, garantido e lucrativo para o seu investidor.

2. Independente de quem é ou fosse o (ou a) prefeita de Mossoró: Fátima Rosado, Larissa Rosado, Renato Fernandes, Gilson Cardoso, Carlos Heitor Montoya (ou até mesmo o "Paulo Doido"), a situação de Mossoró, não seria , como não é diferente da atual.

3. Não custa nada lembrar, que no período em que os dados a respeito da expansão dos postos de empregos formais foram coletados, foi exatamente o período que que á prefeitura de Mossoró mais demitiu trabalhadores com carteira assinada no últimos dez anos.

Posição

Município

Admissões

Demissões

Saldo

1º

São Paulo (SP)

153.343

126.696

26.647

2º

Rio de Janeiro (RJ)

66.302

57.417

8.885

3º

Belo Horizonte (MG)

48.755

41.397

7.358

4º

Manaus (AM)

17.584

11.463

6.121

5º

Salvador (BA)

21.609

16.239

5.370

6º

Fortaleza (CE)

20.854

16.480

4.374

7º

Porto Alegre (RS)

22.146

18.269

3.877

8º

Recife (PE)

14.798

11.185

3.613

9º

Curitiba (PR)

28.464

25.037

3.427

10º

Igarassu (PE)

3.194

219

2.975

11º

Goiânia (GO)

17.765

14.928

2.837

12º

Brasília (DF)

25.568

22.801

2.767

13º

Ribeirão Preto (SP)

8.903

6.576

2.327

14º

Sobral (CE)

3.015

708

2.307

15º

Belém (PA)

8.742

6.557

2.185

16º

Florianópolis (SC)

7.462

5.393

2.069

17º

Guarulhos (SP)

9.880

7.836

2.044

18º

Teresina (PI)

5.709

3.737

1.972

19º

Uberlândia (MG)

9.369

7.463

1.906

20º

Timbaúba (PE)

1.800

95

1.705

21º

Campinas (SP)

14.643

12.952

1.691

22º

Porto Velho (RO)

5.101

3.509

1.592

23º

Sao José dos Campos (SP)

7.550

6.064

1.486

24º

Coelho Neto (MA)

1.514

35

1.479

25º

Sorocaba (SP)

6.689

5.257

1.432

26º

Matão (SP)

2.463

1.051

1.412

27º

São Bernardo do Campo (SP)

8.061

6.693

1.368

28º

Duque de Caxias (RJ)

5.644

4.282

1.362

29º

Londrina (PR)

7.395

6.044

1.351

30º

Franca (SP)

4.781

3.529

1.252

31º

Santo André (SP)

6.784

5.538

1.246

32º

São Caetano do Sul (SP)

5.500

4.256

1.244

33º

Bebedouro (SP)

2.740

1.509

1.231

34º

Feira de Santana (BA)

3.510

2.368

1.142

35º

Aracaju (SE)

4.909

3.783

1.126

36º

Birigui (SP)

2.354

1.249

1.105

37º

Marabá (PA)

2.243

1.176

1.067

38º

Joinville (SC)

7.327

6.267

1.060

39º

Maceió (AL)

4.484

3.443

1.041

40º

São José do Rio Preto (SP)

4.781

3.744

1.037

41º

Contagem (MG)

8.441

7.405

1.036

42º

Taubaté (SP)

3.402

2.415

987

43º

Santa Rita (PB)

1.203

218

985

44º

Aparecida de Goiânia (GO)

4.875

3.906

969

45º

Lauro de Freitas (BA)

3.240

2.288

952

46º

Sete Lagoas (MG)

2.426

1.506

920

47º

Sapé (PB)

934

24

910

48º

Campo Grande (MS)

7.949

7.044

905

49º

Maringá (PR)

6.187

5.301

886

50º

Mossoró (RN)

2.358

1.475

883

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego



domingo, 20 de setembro de 2009

POESIA MATEMÁTICA

Millôr Fernandes

Às folhas tantas
Do livro matemático
Um quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base.
Um Figura Impar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo otogonal, seios esferóide.

Fez da sua
Uma vida
Paralela a dela
Até que se encontraram
No Infinito.
"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Eu sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."

E de falarem descobriram que eram
- O que em aritimética, corresponde
A alma irmãs -
Primos-entre-se
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
Nos jardins da Quarta Dimensão.

Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclideanas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E, enfim resolveram se casar
Constituir um lar
Mais que um lar,
Uma perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.

E foram felizes
Até aquele dia
Em que tudo, afinal.
Vira monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
Freqüentador de Círculos Concêntricos
Viciosos.

Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Demominador Comum
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Topo,Uma unidade. Era o Triângulo,

Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era a fração
Mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
E tudo que era espúrio passou a ser
Moralidade
Como, aliás, em qualquer
Sociedade.

FESTA VERDE ROSADO

Carlos Escóssia

O Chefe de Gabinete da Prefeitura Municipal de Mossoró, Gustavo Rosado filiou-se ontem em solenidade festiva ao Partido Verde (PV).

Entendo ser um direito e uma opção pessoal de Gustavo e do seu grupo político comandado pela sua irmã e prefeita de Mossoró, Maria de Fátima Rosado. Qualquer crítica a decisão de Gustavo e ao seu grupo político, não tem nenhum sentido ou racionalidade.

Qualquer grupo que estivesse a frente da prefeitura de Mossoró e com o apoio garantido da prefeita de Natal, Micarla de Sousa, não pensaria duas vezes, lançaria (com toda certeza) um componente do grupo político ou um membro da família para disputar uma vaga a câmara federal.

Se vai ganhar ou não, são outros quinhentos, eu particularmente não tenho bola de cristal. Prefiro esperar o resultada das urnas.

Aproveito para comunicar as leitoras e leitores desse blog que eu não azulei, não tenho motivos, razões, vontade e tesão por nem uma cor partidária. Estou muito bem incolor e assim desejo continuar

ATA OFICIAL

Transcrevo do conceituado blog "Folgo cruzado", do amigo e também conceituado blogueiro Aclesivan Soares, ata oficial da reunão ordinária da Confraria do "Copão" da última sexta-feira (18) realizada no Restaurante Picanha Griil, localizado no bairro na Nova Betânia.


Informamos as amigas e amigos leitores e aos frequentadores da confraria do "Copão", que está circulando uma ata (que não é a oficial) em um importante blog dessa comuna, que segundo informações, foi eleaborada conjuntamente pela colunista social Marilene Paiva e o blogueiro Tio Colorau. Clique aqui e leia a referida ata, que volto a afirmar: "não é a ata oficial da última reunião do "Copão".

Vamos a ata:

O presidente ditador do Copão, José Erasmo Sarney Firmino estava exultante demais na noite de ontem, 18, na milésima centésima segunda reunião, que aconteceu no Picanha Grill, bairro Nova Betânia.


O motivo da euforia do Sarney tupiniquim foi devido ao grande número de participantes , que elevou o quórum em quase ‘trocentos’ por centos.


Muitos daqueles que estavam presente já são ‘malhados’. Ou seja, todos se já conhece do mesmo encontro.


Mais ontem várias caras novas, isso é: que ainda não haviam comparecido ao Copão, resolveram marcar presença para a felicidade da nação.


Não é aquela nação ao qual nos referimos que paga combustível, cartão corporativo, etc, etc, viu Polairinho?


O jornalista-poeta e estudante de Direito, Cid Augusto, acompanhado da esposa, advogada Samara Couto que é candidatíssima a presidente da OAB, seccional Mossoró.


O jornalista Luís Fausto, filho do mestre Dorian Jorge Freire, ele que mora em Brasília e ontem estava na terrinha e foi ao Copão.


Riu, riu, riu e só conseguiu contar até 597 vezes que Alexandre Admcontrol Marques disse o famoso “vou embora”.


E, claro, não saia do lugar.


Outro que compareceu ao Copão foi Carlos Magno, conhecido no submundo das noitadas como Maninho, que trazia a tiracolo sua namorada ou esposa. Ajeite aí Maninho quando for ler, como diz o famoso Cosme, ou vovô, lá do jornal O Mossoroense.


Agora vamos as tramóias.


Polairinho mostrava e vendia as camisas do Copão. Cuja cor, ele que não é besta, puxou para o branco com...


... laranja, só podia ser. Que é a cor utilizada na campanha pelo vereador Lairinho, para quem Polairinho presta assessoria, já que ele tem quase uma dezena de vereadores e deputado, em sua cota.


É quase um fantasma. Ops, não se pode falar esse nome, vai deixar algumas pessoas da Câmara Municipal de Mossoró azulzinhas ou roxas.


O vereador Genivan Vale, idêntico ao apresentador Zeca Camargo, da Globo, mas que o próprio vereador diz que pode parecer, mais somente da cintura para cima, discordou de pronto da cor de camisa.


Claro, ele não vai utilizar o laranja de Lairinho, quer o seu azul.


Já próximo das 23h, chega o Major Alvibar anunciando que o coronel Erasmo Firmino estava vindo.


E o coronel chegou minutos depois, acompanhado de sua esposa, mas já chegou declarando seu voto para o xará Erasmo Firmino, o ditador presidente do Copão, que na reunião passada havia sido destituído do cargo por descumprir o regimento.


Como a atitude do coronel Erasmo Firmino foi por demais suspeita, se resolver não realizar votação no encontro de ontem.


Ao avisarmos que houve fraude na eleição passada, foi sugerido que Major Alivibar trouxesse reforço policial para que a próxima eleição transcorra dentro da normalidade.


Só que não sei não, viu?


Vai que o coronel Erasmo Firmino, que já declarou seu voto para o xará resolve aplicar o golpe militar?


Pelo jeito, o ditador José Erasmo Sarney Firmino vai continuar ocupando o cargo de presidente.


Principalmente agora que conta com o apoio fechado dos homens da lei, o cérebro do sistema.



CANDIDO MENDES

Por Annie Nielsen, do Rio de Janeiro

"NÃO É UM DIPLOMA QUE TIRA UMA PESSOA DA MISÉRIA"


A frase sintetiza o pensamento do advogado e professor Candido Mendes sobre a visão de que a educação seria o remédio de todos os males. No seu entender, a educação precisa integrar uma pauta maior de políticas de desenvolvimento para o país. Com base em anos de trabalho como educador e intelectual atento ao panorama educacional, Candido Mendes discorre com segurança sobre política de educação, estratégia de combate ao analfabetismo e impacto da internet sobre os jovens

Desafios - Os graves problemas de pobreza, miséria e falta de distribuição de renda têm como causa a falta de educação ou será o contrário: a pobreza é que condena as pessoas ao analfabetismo?

Mendes - A pergunta registra um dos estereótipos da subcultura brasileira, a mesma que, na década de 1920, achava que ou o Brasil acabava com a saúva ou a saúva acabava com o Brasil. A mesma visão de subcultura está na noção segundo a qual a educação tem o condão mágico de resolver os problemas que, afinal de contas, são problemas do subdesenvolvimento e envolvem um fato social total, um grande número de correlações e a necessidade de um ataque simultâneo a todos esses pontos de vista. Enquanto se considerar que a educação é a fonte de todos os bens e sua ausência a explicação do progresso de todos os males, ainda estaremos numa clássica subcultura do desenvolvimento. Isso me parece muito importante para se entender a necessidade de uma tomada de consciência para mudança.

Desafios - Prevalece um discurso segundo o qual a educação é o remédio para todos os problemas do Brasil. Mas se todos os brasileiros forem para as faculdades, não ficaremos com milhões de doutores desempregados? Será que um diploma vai tirar a pessoa da miséria?

Mendes - Isso é o famoso apólogo do "advogado-taxista" e um pouco consequência da primeira pergunta. O problema é vencermos, ao mesmo tempo, como marca dessa subcultura, a noção de que a universidade é um ótimo educacional em todos os pontos de vista. Não podemos nos esquecer que, mesmo dentro da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio), o ideal de uma formação universitária não chega a mais de 15% do extrato de população ligada a uma mesma definição etária. No entanto, conforme veremos numa discussão no final deste ano e início do próximo, o Brasil não chegou nem aos 8,5%. Os números são modestos e, evidentemente, não é um diploma que tira uma pessoa da miséria, e sim uma política educacional cada vez mais vinculada ao realismo de uma estratégia de mudança e da mobilidade do desenvolvimento.

Desafios - Quando se fala em educação, logo vem sempre a reclamação de falta de recursos. Não há também problema de gestão, de professores com poucos alunos?

Mendes - Acredito que haja uma política de apoio crescente à educação. Observamos um aumento de recursos muito claro entre 2007 e 2008; passamos de 4,5 bilhões para mais de 9 bilhões em 2008, o que mostra um claro fortalecimento do ensino médio e a busca da formação do nível médio. O grande problema é que a educação média, não universitária, continua vivendo da dificuldade do obstáculo constitucional, de responsabilidade dos estados, o que torna difícil computar ou definir o acompanhamento desses recursos que são determinados por pressupostos estaduais e segundo uma política de dispersão e de clientela que a União não pode necessariamente controlar.

Muitas vezes, porém, a questão da educação também não se limita a aumento ou pobreza de recursos. A produtividade da educação não está efetivamente definida. O que eu quero com isso é: qual a proporção ideal da relação entre professor e aluno? Uma ratio normal entre professor e aluno no ensino superior deve fica entre 30 e 40 alunos, no máximo 50, para se evitar a massificação dentro da sala de aula.

Também temos de analisar não apenas a quantidade de recursos, mas a administração deles, sobretudo com respeito à oferta do ensino. Enfrentamos um problema ainda muito constante do "mandarinato acadêmico", que é a dificuldade das universidades públicas em oferecer cursos noturnos pela comodidade professoral. Existe uma condição improdutiva de oferta de educação. Nesse caso, o ensino privado supre uma lacuna imensa.

Desafios - O ensino superior privado atende a um número maior de alunos hoje em dia?

Mendes - De 2000 a 2007, o número de estudantes no ensino privado chamado lucrativo, ou seja, as universidades que ganham com a educação, aumentou de 324 mil para mais de 1 milhão. Nas não-lucrativas, também conhecidas como filantrópicas, passou de 1 milhão 453 mil estudantes para cerca de 2 milhões e trezentos mil no mesmo período. Trata-se de um aumento de 74% em sete anos. Hoje, 65% do ensino superior são providos pelo ensino privado. Isso é um dado que as pessoas às vezes esquecem: o domínio privado no ensino superior brasileiro.

Desafios - O pagamento de mensalidades é um fator que pesa para muitos alunos que desejam cursar uma universidade. Como enfrentar esse entrave?

Mendes - Há as bolsas do Prouni e do Fies, mas ainda estão muito vinculadas à noção do empréstimo público, através do Banco do Brasil e da Caixa Econômica. Nós, das universidades privadas, queremos propor um empréstimo mais amplo. Queremos criar um sistema pelo qual o aluno pague uma parte da mensalidade, mas só comece a ser cobrado os outros 50% um ou dois anos depois de formado e provavelmente já com esse quantum incorporado na carteira de trabalho. E para evitar o problema do embaraço de financiamento, que ainda está muito burocratizado no sistema de crédito público, as universidades privadas se dispõem a avalizar esses créditos. À universidade privada interessa que esse aluno estude e pague a sua metade. Apostamos que ele vá pagar depois de formado. E temos também a constante de que tanto mais ele venha da classe B, ou da classe C, mais pontual ele é nos pagamentos.

Desafios - Seria possível ampliar o número de alunos na universidade com um sistema de empréstimo mais amplo?

Mendes - É importantíssimo que esse processo de acesso que o Prouni e o Fies tentaram começar entre no financiamento pela rede privada de ensino, com apoio dos próprios bancos privados. A população estudantil universitária anual no Brasil é de 4 milhões e 250 mil. Poderia passar para 5 milhões e 600 mil. Cerca de 1 milhão e 200 mil, 1 milhão e 300 mil estudantes ficam de fora. A grande tarefa é colocar esse 1 milhão e tanto dentro da universidade. Para isso, não basta o Fies e o Prouni. Precisamos de um sistema efetivo de financiamento em bases como a que o Forerj (Fórum de Reitores do Rio de Janeiro), que eu presido, levou ao governo e está em estudo nesse momento pelo MEC.


Desafios
- Em algumas áreas há falta de profissionais qualificados e vagas de emprego sobrando. Na área de tecnologia da informação e comunicação, por exemplo, a Índia leva vantagem sobre o Brasil, porque os indianos falam inglês e também são bons em desenvolvimento de software. O que podemos fazer para termos profissionais mais qualificados?

Mendes - Em primeiro lugar, devemos estimular o acesso interdisciplinar ao conhecimento. Em geral, o professor se enrijece na superprofissionalização e especialização do seu conteúdo de comunicação. Em segundo, manternos atualizados e, em terceiro, termos consciência da relevância do conhecimento, sobretudo para uma sociedade em mudança como a nossa.

Essa pergunta também permite discutir uma questão que levo muito em consideração aqui, na Universidade Candido Mendes. Para preparar um profissional de conhecimento, ligado a mudanças, dentro de uma sociedade como a nossa, o mercado quer o quê? Uma hiperespecialização ou uma versatilidade dentro da adaptação a mudanças? Chegamos à conclusão, pelos nossos profissionais empregados, que, devido às velocidades das mudanças, cada vez mais é necessário um profissional versátil, em vez de um ultraespecializado.

Desafios - No Brasil, além de a população ser monoglota, há 14 milhões de analfabetos, sem falar nos "analfabetos" com diploma. A que se deve esse cenário?

Mendes - Eu me pergunto se a língua é um condicional fundamental de barreira ou de estímulo no mundo da internet. Trata-se de um mundo em que o acesso à informação já independe da questão da língua, no seu sentido mais importante, da palavra.

Atualmente, um dos dados mais importantes do avanço da educação no Brasil é a preocupação do governo em melhorar a qualidade do ensino. Eu falo do programa de formação de professores do MEC, o problema da mudança da estrutura da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e o novo programa do conselho técnico de cooperação pela educação básica. Há também o novo sistema nacional de formação de professores e um novo Enem que integra numa mesma prestação, numa mesma atividade, a formação de alunos e de professores.

Desafios - Como melhorar o nível dos docentes nas universidades?

Mendes - Convalescer e reforçar os regimes do tempo integral, que é a grande hora, o grande esforço. Manter e garantir o tempo de 40 horas, mas permitir que o professor só vincule 50% desse tempo à práxis. Os outros 50% têm que estar vinculados à atividade de acompanhamento monográfico de aluno e à publicação. O professor que não publica um determinado número de artigos em um período estabelecido deve perder a condição de 40 horas.

Desafios - O senhor é a favor do sistema de cotas nas universidades?

Mendes - Eu sou inteiramente a favor do sistema de cotas, mas tenho uma grande preocupação com respeito a elas. As cotas estão revelando um fenômeno inquietante sobre mobilidade social brasileira. Quando a pessoa tem que se reconhecer no quadrículo como preto ou pardo, ela não se reconhece. Cada vez mais eu tenho candidatos que preferem não ter bolsa a se reconhecerem como pretos ou pardos. Evidente que isso é um percentual limitado, mas é justamente por isso que se torna revelador.

Desafios - Os alunos cotistas sofrem alguma espécie de discriminação?

Mendes - No começo, temi que fossem discriminados, mas isso não aconteceu. Mas também porque não temos um excesso de alunos, não chegamos a uma compressão escolar. De modo que o estudo é flexível, ninguém está tirando o lugar de ninguém. Esse problema da cota existe na universidade pública. Na privada, em nome de todas que conheço, posso dizer que a discriminação não existe e o aluno não se sente discriminado.

Desafios - Todos concordam que é preciso investir em pesquisa para desenvolver o país. Mas como fazer isso de forma eficaz?

Mendes - Primeiro temos que definir o que é pesquisa. A noção de pesquisa tem uma definição na Capes, outra no CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), outra no Ministério de Ciência e Tecnologia, outra no Conselho Nacional de Educação, outra no Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). E a pesquisa é um dos temas mais sérios da educação superior no Brasil. Isso porque uma universidade tem que ter ensino, pesquisa e extensão. Pesquisa é a descoberta de novas correlações nos fenômenos causais, no acontecer e na realidade? É saber o maior número de fontes de um conhecimento? É descobrir a inovação dentro do conhecimento? Ou estabelecer os seus correlatos interdisciplinares? Nenhuma dessas autoridades defi ne isso, a tal ponto que, para avaliar se uma universidade tem pesquisa, partiu-se para um sistema muito prático e a meu ver grosseiro: a presunção de que a instituição com certo número de mestres e doutores dispõe de pesquisa.

Em contrapartida, temos outro processo ligado à pesquisa. Existe hoje uma bela política de pesquisa aplicada, mas que não tem nada a ver com a universidade. É a chamada pesquisa dos fundos setoriais. A previsão orçamentária gira em torno de R$ 1,3 bilhão e engloba agronegócios, biotecnologia, energia espacial, hidromineral, petróleo, saúde, transporte. Nada disso tem a ver com a universidade, tudo vai para a empresa. Então, um dos grandes dramas do Brasil é que a política pública de pesquisa descartou a universidade. E, mais do que isso, na definição constitucional de exigência de pesquisa não há obrigação constitucional de apoio à universidade privada para esse fim. A Constituição deveria falar em pesquisa indeterminada, mas ela fixa obrigatoriedade de pesquisa na universidade pública. Isso gera um dilema muito grande. Como a universidade privada pode financiar pesquisa? Tira do guichê? Da sua mensalidade?

Geralmente as universidades privadas obtêm dinheiro para pesquisa a partir de subvenções, grants ou doações por meio de empresas, como Petrobras ou Vale do Rio Doce. Mas elas financiam pesquisas para áreas técnicas e tecnológicas do ensino universitário e não em ciências sociais. Seria importante criar uma espécie de Lei Rouanet para a pesquisa, em que o mecanismo de subvenções e o de estímulos pudessem ser perfeitamente definidos para a pesquisa dentro da universidade brasileira.

Desafios - Como o senhor vê a substituição do vestibular pelo Enem?

Mendes - O Enem ainda está com um problema sério. O MEC permite que ele qualifique a adequação para o acesso ao ensino superior, mas isso só vale para o ensino privado. Pela ordenação legal, o Enem não é um processo seletivo. E o acesso à universidade pública exige o processo seletivo.

Desafios - Qual a diferença básica entre as questões do Enem e do vestibular? O que o senhor observou de interessante?

Mendes - O Enem se preocupa em ter uma visão abrangente do conhecimento, uma visão referenciada e, sobretudo, uma visão histórica do conhecimento. Nós conhecemos a capacidade, o número de categorias que normalmente existe no vestibular. Hoje, o Enem avalia melhor qual é de fato o conteúdo do conhecimento humanístico. O Enem consegue fazer isso muito mais do que as clássicas questões fechadas de um exame vestibular.

Desafios - O que o senhor acha então desses cursos a distância, o chamado e-learning?

Mendes - Esses cursos ainda não se institucionalizaram, porque não têm a noção da arbitragem e do conhecimento referido. Não se pode ter um efetivo controle do acesso num curso a distância. Eu não sou contra esses cursos, mas acho que eles são um complemento do conhecimento. Como avaliação do conhecimento, porém, são impotentes, visto que essa tarefa exige ainda a pedagogia. Não se pode dar um diploma em conhecimento a distância. Como vou creditar junto à sociedade se aquele personagem sabe tudo aquilo que ele diz que sabe?

Desafios - Como o senhor vê o impacto da internet sobre a educação universitária?

Mendes - Acho que não nos demos conta ainda da mudança radical que o panorama universitário irá sofrer com o avanço da internet. Cada vez mais temos acesso imediato à informação. Acredita-se que, a todo instante, seja possível ter acesso à memória da realidade. O enciclopedismo muda o ethos da informação dessa nova geração. Ela não tem mais que memorizar nem ir aos livros, pois dispõe de computador. O grande problema é que não há mais juízo de valor sobre a informação. A internet está acabando com isso, e a universidade precisa recuperar a ágora, a praça, o cânon. O mundo da universidade começou com a possibilidade de discussão, visto que é, antes de tudo, um centro de arbitragem do valor do conhecimento. Como se faz a transmissão geracional senão pelo valor do conhecimento e sua relevância? Universidade não é só a informação, mas a valoração da informação.

Desafios - Que medidas podem ser tomadas para reduzir a repetência e a evasão escolar?

Mendes - Há uma correlação entre repetência e mau ensino e entre evasão e mau ensino. Não há dúvida de que quanto melhor o ensino, menor a repetência. A repetência não é só problema de vagabundagem e inaptidão. Agora, a segunda questão para resolver o problema é a penalização da repetência. O aluno não pode pensar que pode repetir indefinidamente. O acompanhamento familiar é fundamental para evitar o desinteresse e a evasão. Pais aplicados, filhos aprovados. É essa a solução.

Desafios - Como enfrentar o grande contingente adulto de analfabetos e analfabetos funcionais no país?

Mendes - O velho programa de alfabetização de adultos se fixava por demais dentro no analfabetismo strictu sensu. Mas o grande problema hoje do Brasil é o analfabetismo funcional. Precisamos ligar ao código de acesso à língua as quatro operações, a inserção geográfica, a inserção histórica e o começo da noção de cidadania. Creio que a grande solução para o analfabetismo é o Bolsa Família. Cria-se um ambiente em casa para o aprendizado e a socialização e mais uma vez o agente disso é a família. O drama do analfabetismo antigo era a reclusão, o isolamento do Brasil marginal. Ao se socializar, o país deixa de fica analfabeto.

Fonte: Revista Desafios do Desenvolvimento - IPEA