GOVERNO ACUMULA DÉBITO DE
MAIS DE R$ 15 MILHÕES COM
PEQUENAS EMPRESAS
De um lado, o discurso de geração de empregos e lançamento de
programas para incentivar o desenvolvimento econômico do Estado. De
outro, a falta do pagamento de débitos com micro e pequenas empresas,
que acaba por levá-las à falência, causando demissões e,
consequentemente, diminuindo a arrecadação de impostos estaduais. Assim
está a situação no Rio Grande do Norte, onde a dívida do Governo do
Estado com as fornecedoras de material e serviços já chega a mais de R$
15 milhões. Detalhe: nesse caso, a atual gestão não pode nem dizer que a
culpa foi da administração anterior, afinal, todos os débitos estão
datados depois do início do mandato de Rosalba Ciarlini.
E esse valor, inclusive, somando apenas os montantes devidos pelo
Governo do Estado as micro e pequenas empresas que já procuraram a
Associação Comercial. Foram aproximadamente 80, que tem débitos até R$
300 mil para receber do Executivo Estadual cada uma. Porém, é bem
provável que o número seja maior. “Estamos procurando fazer esse
encontro (marcado para hoje, às 18h, no auditório da Associação
Comercial, na Ribeira) justamente para isso. Queremos reunir os
empresários e abrir um canal de comunicação do o Governo na cobrança
desses débitos”, afirmou Itamar Maciel, presidente da Associação
Comercial do RN.
Apesar do momento de dificuldade financeira atual, ressalta-se que
não é de hoje que o Governo do Estado está devendo a essas empresas.
“Estamos convocando as empresas que possuem débitos referentes ao
fornecimento de bens e serviços durante os anos de 2011, 2012 e 2013, ou
seja, só desta gestão, mas muitas dessas dívidas são anteriores ao
período de crise financeira”, afirmou Itamar Maciel, acrescentando que
essa falta de pagamento nada tem a ver com uma eventual “burocracia”
para o pagamento ser feito.
“São casos onde as empresas venceram as licitações, na maioria,
forneceram o material ou o serviço, já tem o empenho feito, emitido, já
foram apresentadas as notas fiscais regulares, mas mesmo assim o
pagamento não foi efetuado. Entendemos a situação de crise financeira,
mas essas dívidas representam valores significativos”, afirmou Maciel.
A declaração do presidente se justifica pelo fato desses débitos não
terem sido feitos com empresas que têm um alto faturamento anual. São
apenas com as micro e pequenas, o que faz dívidas de até R$ 300 mil
terem um peso muito maior no orçamento anual. “Os valores são
consideráveis para essas empresas. Por isso, temos vários exemplos de
empresas quebradas e outras trincadas na lista daquelas que esperam o
pagamento por parte do Governo”, afirmou Itamar Maciel.
O presidente da Associação Comercial fez questão de lembrar, também,
que a partir do momento em que o Governo do Estado não paga seus
débitos, as empresas também ficam em dificuldades financeiras e não
conseguem pagar seus fornecedores – e até os impostos. Ou seja: quem
seria responsável por fomentar a economia, está sendo o motivado de uma
reação em cadeia negativa para as empresas.
“Temos que lembrar que as micro e pequenas empresas são responsáveis
pela geração de 96% dos empregos formais do Brasil. Elas entrando em
dificuldade, vão atrasar seus fornecedores, provocando crises em outras
empresas. Além disso, haverá também demissões, cortes orçamentários,
mais atrasos de impostos e mais problemas de arrecadação”, enumerou
Itamar Maciel.
Apesar do momento de dificuldade paras as empresas, Itamar Maciel
evitou falar, pelo menos nesse instante inicial, de qualquer
judicialização de cobranças. “O momento agora é de buscar um
entendimento, abrir um canal de diálogo com o Governo do Estado. Não
queremos falar por enquanto de buscar a Justiça para cobrar esses
débitos, até porque entendemos a situação de dificuldade pela qual passa
a gestão estadual”, afirmou o presidente da Associação, Itamar Maciel.
ATRASO DE PAGAMENTO
É importante lembrar que em contato com O Jornal de Hoje na coletiva
de imprensa concedida na semana passada, atrasos de pagamentos de
fornecedores era algo que “poderia acontecer” nesse momento de crise,
segundo ressaltou o secretário estadual de Planejamento e Finanças,
Obery Rodrigues. Entretanto, o ordenador de despesa fez questão de
deixar claro que isso não era algo que estava “previsto”. “Nenhum
Governo planeja atrasar pagamentos”, afirmou ele.
Momento de crise financeira esse, inclusive, que fez o Executivo
anunciar um corte de despesas que pode chegar a 50%. Alguns contratos
com terceirizados e fornecimento de bens, segundo o Governo, seriam
revistos com o objetivo de reduzir os custos em 25%.
Fonte: Jornal de Hoje
Por: Ciro Marques
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