DIAS TOFFOLI DIZ QUE PENAS DURAS
REMONTAM À ÉPOCA DA INQUISIÇÃO
Sergio Lima/Folhapress
Ministro Dias Toffoli no plenário do STF
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) José Antonio Dias Toffoli
questionou nesta quarta-feira o tamanho das penas aplicadas aos réus do
mensalão pela Corte e disse que parâmetros do julgamento não são mais da
época da "fogueira".
"A filosofia daquele que comete um delito está em debate na sociedade
contemporânea há muito tempo. Esse parâmetro do julgamento em 2012 não é
o parâmetro da época de Torquemada, da época da condenação fácil à
fogueira", apontou citando Tomás de Torquemada, famoso inquisitor
espanhol do século 15.
O ministro afirmou que, em seu entendimento, a pedagogia contra o crime
financeiro é recuperar os valores desviados e não colocar as pessoas na
cadeia. Para Dias Toffoli, "prisão combina com período medieval".
"As penas restritivas de liberdade que estão sendo impostas nesse
processo não tem parâmetros contemporâneos. Em termos de multa, também
não tem".
Até agora, com foram definidas penas para oito réus que somam 157 anos
de prisão e mais de R$ 11 milhões em multas. Ao todo, foram 25
condenados pelo esquema de desvio de recursos públicos e empréstimos
fictícios utilizados para a compra de parlamentares no início do governo
Lula.
Dias Toffoli citou a fala de ontem do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) de que preferia morrer do que ir para uma prisão brasileira.
"Já ouvi leituras dizendo que o pedagógico é colocar as pessoas na
cadeia, o pedagógico é recuperar os valores desviados, muitas vezes em
auto beneficio". E questionou: "Vale a pena passar tempo na cadeia pelo
custo benefício e depois usufruir os valores?".
Dias Toffoli afirmou ainda que, quando comandou a Advocacia Geral da
União, instalou um departamento de recuperação de recursos desviados.
"Sem medo de dizer o que eu penso, [numa linha] mais liberal, vamos
dizer mais contemporânea, porque prisão combina com período medieval, no
período que foi instituída. Vamos ser contemporâneo às multas",
defendeu.
Segundo o ministro, os critérios adotados pelo Supremo na definição das
penas são exagerados se comparados com penas de crimes contra a
sociedade. Ele chegou a citar a dona do Banco Rural, Kátia Rabello,
condenada a mais de 16 anos de prisão.
"Crimes contra o ser humano são apenados, volto a dizer, com penas mais
leves do que essa em termos de restrição de liberdade. Pessoas que não
são violentas, que não agridem o ser humano do ponto de vista real,
temos uma banqueira condenada, uma bailarina".
Para Dias Toffoli, o mensalão não colocou em risco a democracia. "Aqui o
intuito era financeiro, não era atentar contra a democracia, o Estado
de direito, que é mais sólido do que isso (...) Partindo dessa premissa,
que se pague com o vil metal".
O ministro também se disse preocupado com a simbologia do julgamento.
"Temos que repensar o que estamos a sinalizar para a sociedade", disse.
O ministro Luiz Fux disse que concordava com parte das declarações de
Dias Toffoli, mas que, no caso específico, era preciso seguir o que
prevê a Constituição. "Não podemos fugir da aplicação da lei porque essa
foi a opção do legislador", disse.
Fonte: Folha de São Paulo
Felipe Seligman, Flávio Ferrreira e Márcio Falcão
De Brasília

















































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