BARACK ABAMA É REELEITO
PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS
CHICAGO - Sob muitos aplausos e saudações, em um
discurso com forte tom emocional, o presidente dos Estados Unidos,
Barack Obama, fez um apelo pela união nacional em torno da recuperação
do país, após a acirrada disputa eleitoral concluída nesta terça-feira
com a vitória democrata. No discurso da vitória, em Chicago, Illinois,
seu berço eleitoral, Obama disse estar ainda mais determinado para o
segundo mandato. Elogiou Romney pela disputa e disse que procurará o
republicano para que possam trabalhar juntos pelo país — um discurso
conciliador que já havia sido sugerido pelo próprio Romney, ao
reconhecer a derrota.
"Não estamos tão divididos como sugere a política", disse. "Vimos,
recentemente, como é possível trabalhar juntos para lidar com desafios",
disse o presidente, referindo-se a pausa na disputa entre democratas e
republicanos poucos dias antes da eleição, durante a passagem da
tempestade Sandy pela costa leste do país. "Nunca estive tão otimista
quanto ao nosso futuro", afirmou Obama, prometendo que continuará a
"trabalhar por mais empregos" para que "a América, maior nação do mundo,
continue sendo a terra onde é possível vencer pelo próprio esforço".
A rede de TV CNN, conhecida pelos prognósticos em disputas
eleitorais, declarou às 2h19 que o presidente Barack Obama foi reeleito
para a Casa Branca, ao conquistar 274 votos no colégio eleitoral, ante
201 do candidato republicano, Mitt Romney. A vitória, por estreita
margem em Ohio, foi fundamental para a conquista de Obama, conforme
projeção da CNN. São necessários 270 votos no colégio leitoral para que a
disputa se defina.
Há pouco, a vantagem de Obama era de 303 votos, contra 206 de Romney,
no colégio eleitoral, segundo a CNN. O republicano reconheceu há pouco a
derrota. Ele disse que parabenizou Obama por telefone e desejou o
melhor para o presidente e sua família no segundo mandato. "Ao final de
uma disputa como esta, devemos esquecer as divisões partidárias, pelo
país, para que todos possam voltar ao trabalho", disse Romney.
Após passar a maior parte da disputa atrás de Mitt Romney no voto
popular, o presidente Barack Obama passou a liderar a disputa também
neste quesito. Há pouco, Obama computava 55,248 milhões de votos, contra
54,095 milhões do candidato republicano.
A eleição americana, contudo, não é definida pelo maior número de
votos conferidos pelos eleitores, mas pela quantidade de votos no
colégio eleitoral, conquistados pelas vitórias nos Estados que
constituem a federação.
A distância no voto popular deve se ampliar também à medida que são
computados os resultados em Estados do oeste, como Califórnia e
Washington. A vitória no voto popular, embora não seja essencial à
definição do resultado no colégio eleitoral, é considerada um fator
psicológico importante, especialmente em uma campanha de reeleição.
Para conseguir a reeleição, Obama precisou superar o descontentamento
do eleitorado com o atual estado da economia americana. Ainda sofrendo
os efeitos da crise econômica global de 2008-2009, os Estados Unidos
lutam contra taxas baixas de crescimento e alto desemprego. Obama é o
primeiro presidente a ser reeleito desde a Segunda Guerra Mundial com o
desemprego acima de 7,5% — atualmente, está em 7,9%.
O presidente também teve que lidar com um certo grau de decepção em
relação aos seus primeiros quatro anos por parte dos eleitores
simpatizantes do Partido Democrata. As enormes expectativas geradas pela
sua campanha — sintetizadas no slogan “Sim, Nós Podemos” — entraram em
choque com a realidade de um país que caiu em recessão e de um Congresso
em que a oposição ficou em maioria a partir de 2010.
Nos dois anos em que os democratas contaram com o controle da Câmara
dos Deputados e do Senado, Obama concretizou uma luta de décadas do seu
partido e que talvez seja o maior feito do seu governo: a aprovação da
reforma da saúde. Outra importante realização, que ajudou a diminuir a
tradicional vantagem dos republicanos junto ao eleitorado na área da
segurança, foi o assassinato do terrorista Osama bin Laden, em maio de
2011.
Um fator decisivo para o triunfo de Obama foi o apoio das mulheres,
dos negros e principalmente dos eleitores latinos. “Se eu conquistar um
segundo mandato, uma grande razão .... [será] porque o candidato
republicano e o Partido Republicano alienaram o grupo demográfico de
mais rápido crescimento no país, a comunidade latina”, disse Obama em
conversa com jornalistas do “Des Moines Register” há duas semanas.
Agora, com mais quatro anos na Casa Branca, o primeiro desafio do
presidente será evitar que o país caia em nova recessão por conta do
chamado “abismo fiscal” (leia texto abaixo). Durante a campanha, Obama
deu a entender que entre as suas prioridades estão a aprovação de uma
reforma das leis de imigração, a qual facilitaria a obtenção de visto de
residência e naturalização para estrangeiros ilegais, e um acordo no
Congresso para a redução do enorme déficit orçamentário dos Estados
Unidos — a previsão para o ano fiscal de 2012 é de um rombo superior a
US$ 1 trilhão.

















































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