terça-feira, 11 de setembro de 2012

.Por José Romero Araújo Cardoso



CHICO CARDOSO E O CENTENÁRIO DE 

NASCIMENTO DE LUIZ GONZAGA


As comemorações do centenário de Luiz Gonzaga no sertão da Paraíba atingiram o índice máximo de aceitação com a realização de notável evento em São João do Rio do Peixe, fruto do empenho e da devoção à sublime arte do sanfoneiro do riacho da Brígida sob responsabilidade magistral do grande comunicador e advogado Francisco Alves Cardoso

O Festival Gonzagueano reuniu importantes personalidades ligadas à cultura da nossa terra, as quais atendendo ao apelo do mantenedor do site do Caldeirão Político, também condutor de programa radiofônico de grande repercussão na região, ilustraram com invulgar perfeição a grande proposta paraibana de homenagear o “rei do baião”.

O frenesí épico efetivado na histórica terra de Rosilda Cartaxo, de saudosa memória, contagiou brilhante magistrado pombalense de nome Dr. Onaldo Queiroga, cuja presença assinalou com pompas as comemorações realizadas nas plagas onde palmilharam meus antepassados, destacando-se a Sra. Catarina Moura Mariz, natural da localidade de Mari dos Seixas, a qual era minha trisavó, esposa do Sr. João Ignácio Cardoso D´Arão.

Adornado com bandeirolas coloridas, com inúmeras fogueiras que assinalam o período junino e enriquecido com os acordes de sanfonas, marcas registradas da pregação musical da autêntica cultura popular nordestina enfatizada por Luiz Gonzaga, a qual imprescindia ainda do triângulo e do zabumba, o lócus escolhido para efetivar a manifestação de reconhecimento a um dos mais importantes ícones nordestino, tornou-se histórico em razão da dimensão exponencial assumida pelas festividades ímpares que inseriram a Paraíba no circuito notável que vem se formando em torno das comemorações do centenário de nascimento de Luiz “Lua” Gonzaga.

A distribuição de prêmios aos principais colocados nas diversas categorias que lembraram a arte gonzagueana foi um dos momentos mais importantes da festividade brilhantemente organizada pela comissão capitaneada pelo grande Chico Cardoso, contemplando pessoas de diversos lugares espalhados pelo Brasil, vindo demonstrar que a arte de Luiz Gonzaga continua viva, independente de espaço ou tempo.

Essa é uma garantia que a nossa identidade tão deturpada pode ser resgatada das brumas do esquecimento, pois são notórias as diversas maneiras como o capital vem desestimulando a cultura local visando concretizar processo contínuo de acumulação.

Luiz Gonzaga merece todas as honras em razão que cantou e decantou o sertão adusto, as aflições dos sertanejos e catalisou a essência da nordestinidade quando elevou a região ao panteão das grandes manifestações culturais brasileiras, imortalizando com suas canções a arte e o modo de vida de um povo.  

Parabéns à equipe organizadora das comemorações referentes ao centenário de nascimento desse grande nordestino, que a exemplo de Josué de Castro, mas ao seu modo e à sua maneira, mostrou ao mundo que o Nordeste precisa de atenção dos poderes públicos e privados a fim de que haja melhoria da qualidade de vida de sua população e do seu meio ambiente que no presente se encontra em lastimável estado de degradação graças à antropização exagerada e desmedida.

Louvemos personalidades ímpares como Chico Cardoso, Kydelmir Dantas, João de Sousa Lima, entre inúmeros outros espalhados pelas veredas da terra do sol, que não escondem a emoção quando escutam, estudam e reverenciam a sublime arte do grande sanfoneiro do Araripe pernambucano que ganhou notoriedade internacional justamente por quê soube como ninguém traduzir os problemas, as incertezas, as glórias e as alegrias da sua terra, bem como os anseios dos seus irmãos nordestinos sofridos com os descasos dos donos do poder.

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.



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