CHICO CARDOSO E O CENTENÁRIO DE
NASCIMENTO DE LUIZ GONZAGA
As comemorações do centenário de
Luiz Gonzaga no sertão da Paraíba atingiram o índice máximo de aceitação com a
realização de notável evento em São João do Rio do Peixe, fruto do empenho e da
devoção à sublime arte do sanfoneiro do riacho da Brígida sob responsabilidade
magistral do grande comunicador e advogado Francisco Alves Cardoso
O Festival Gonzagueano reuniu
importantes personalidades ligadas à cultura da nossa terra, as quais atendendo
ao apelo do mantenedor do site do Caldeirão Político, também condutor de
programa radiofônico de grande repercussão na região, ilustraram com invulgar
perfeição a grande proposta paraibana de homenagear o “rei do baião”.
O frenesí épico efetivado na
histórica terra de Rosilda Cartaxo, de saudosa memória, contagiou brilhante
magistrado pombalense de nome Dr. Onaldo Queiroga, cuja presença assinalou com
pompas as comemorações realizadas nas plagas onde palmilharam meus antepassados,
destacando-se a Sra. Catarina Moura Mariz, natural da localidade de Mari dos
Seixas, a qual era minha trisavó, esposa do Sr. João Ignácio Cardoso D´Arão.
Adornado com bandeirolas
coloridas, com inúmeras fogueiras que assinalam o período junino e enriquecido
com os acordes de sanfonas, marcas registradas da pregação musical da autêntica
cultura popular nordestina enfatizada por Luiz Gonzaga, a qual imprescindia ainda
do triângulo e do zabumba, o lócus escolhido para efetivar a manifestação de
reconhecimento a um dos mais importantes ícones nordestino, tornou-se histórico
em razão da dimensão exponencial assumida pelas festividades ímpares que
inseriram a Paraíba no circuito notável que vem se formando em torno das
comemorações do centenário de nascimento de Luiz “Lua” Gonzaga.
A distribuição de prêmios aos
principais colocados nas diversas categorias que lembraram a arte gonzagueana
foi um dos momentos mais importantes da festividade brilhantemente organizada
pela comissão capitaneada pelo grande Chico Cardoso, contemplando pessoas de
diversos lugares espalhados pelo Brasil, vindo demonstrar que a arte de Luiz
Gonzaga continua viva, independente de espaço ou tempo.
Essa é uma garantia que a
nossa identidade tão deturpada pode ser resgatada das brumas do esquecimento,
pois são notórias as diversas maneiras como o capital vem desestimulando a
cultura local visando concretizar processo contínuo de acumulação.
Luiz Gonzaga merece todas as
honras em razão que cantou e decantou o sertão adusto, as aflições dos
sertanejos e catalisou a essência da nordestinidade quando elevou a região ao
panteão das grandes manifestações culturais brasileiras, imortalizando com suas
canções a arte e o modo de vida de um povo.
Parabéns à equipe organizadora
das comemorações referentes ao centenário de nascimento desse grande
nordestino, que a exemplo de Josué de Castro, mas ao seu modo e à sua maneira,
mostrou ao mundo que o Nordeste precisa de atenção dos poderes públicos e
privados a fim de que haja melhoria da qualidade de vida de sua população e do
seu meio ambiente que no presente se encontra em lastimável estado de
degradação graças à antropização exagerada e desmedida.
Louvemos personalidades
ímpares como Chico Cardoso, Kydelmir Dantas, João de Sousa Lima, entre inúmeros
outros espalhados pelas veredas da terra do sol, que não escondem a emoção
quando escutam, estudam e reverenciam a sublime arte do grande sanfoneiro do Araripe
pernambucano que ganhou notoriedade internacional justamente por quê soube como
ninguém traduzir os problemas, as incertezas, as glórias e as alegrias da sua
terra, bem como os anseios dos seus irmãos nordestinos sofridos com os descasos
dos donos do poder.
(*) José Romero Araújo
Cardoso. Geógrafo. Professor-adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade
de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do
Norte.

















































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