quarta-feira, 5 de agosto de 2009

NOTA DE REPÚDIO

Carlos Escóssia

Toma a liberdade de publicar neste espaço, a nota de repúdio da Comissão de Defesa Profissional, entidade representativa dos médicos trabalhadores integrantes do quadro funcional da Prefeitura Municipal de Mossoró. Leiam na íntegra, a nota de repúdio:


NOTA DE REPÚDIO

A Comissão de Defesa Profissional, representativa dos médicos trabalhadores integrantes do quadro funcional da Prefeitura Municipal de Mossoró, reunida no Auditório do Conselho Regional de Medicina (Julita Gomes de Sena – 20 Mossoró), vem de público, formalizar veemente repúdio à postura administrativa repugnante e inadmissível de ATACAR A CLASSE MÉDICA com insultos e inverdades.

Esquecem os notáveis administradores que saúde não se faz “BOTANDO OS MÉDICOS PARA TRABALHAR”.
Cada profissional da saúde merece respeito e tem importância, até mesmo o médico. A AVERSÃO aos médicos (as) há muito tem se manifestado inexplicavelmente na atual administração, de modo que É PROIBIDO VALORIZAR O TRABALHO MÉDICO.

Tentam de toda forma denegrir o profissional médico. SAÚDE PÚBLICA NÃO SE FAZ COM:
1) “Uma Lista “ dos médicos das UPAS 1 e 2 (uma espécie de dossiê usado durante atos administrativos);
2) Calote salarial em forma de erro técnico cometido por DAS;
3) Exercício ilegal da Medicina;
4) Exclusão do Principio da Publicidade;
5) Falta de parceria entre a PMM e os médicos;
6) Falta condições técnicas de trabalho;
7) Escusos interesses políticos;
8) Assédio moral;
9) Ambulâncias sucateadas inclusive as do SAMU;
10) UPAS sem alvará da Vigilância Sanitária;
11) UPAS sem Diretores Médicos e Técnicos;
12) Financiamentos sem transparências;
13) Ausência de discussão de indicadores de qualidade;
14) Ausências de hospitais públicos;
15) Intimidações;
16) Um só plantonista médico nas UPAS para atender em todas as especialidades;
17) Suspensão dos direitos fundamentais dos servidores;
18) Recomendações judiciais;
19) Contratos individuais duvidosos e estapafúrdios; etc, etc.

SAÚDE PÚBLICA SE FAZ COM:
1) salários dignos e profissionais motivados, satisfeitos e com condições de trabalho adequadas, seguras e com o cumprimento dos deveres constitucionais (Artigos 37 e 196 – CF).
Infelizmente não podemos botar alguns administradores públicos para trabalhar.
Mossoró, 3 de agosto de 2009
Comissão de Defesa Profissional

LÁ VEM MOSSORÓ, DESCENDO A LADEIRA...



PREFEITURA DE MOSSORÓ TERÁ QUE ECONOMIZAR R$ 26 MILHÕES ATÉ O FIM DO ANO PARA FUGIR DA CRISE


Em primeiro de janeiro de 1997, quando a senadora Rosalba Ciarlini (na época no PFL, atual DEM) assumiu pela segunda vez a Prefeitura de Mossoró, a administração municipal poderia ser comparada a uma família de classe média de conjunto habitacional. Poucas fontes de receita e gastos apertados para cumprir os compromissos.

Com ajustes e a generosa colaboração de royalties pagos pela Petrobras pela exploração de petróleo no município, a administração municipal passou a acumular recursos. Com a bonança que levaria a família de classe média se mudar para o Nova Betânia, área mais nobre da cidade, os gastos aumentaram. Afinal de contas, se trata de uma casa maior, num bairro mais elegante que exige ‘status’.

Assim surgiram o Mossoró Cidade Junina, o Auto da Liberdade e aumento do número de servidores de cargos comissionados. A arrecadação foi aumentando ano a ano e os gastos seguiram o mesmo ritmo.

Como em uma família que avançou socialmente, mas que esqueceu de se preparar para tempestades durante o período de bonança, a Prefeitura de Mossoró entrou em crise. A alegação foi a crise econômica mundial.

Vários cortes estão previstos para serem publicados na edição do Jornal Oficial do Município (JOM) extraordinária prevista para ir às bancas hoje.

Serão anunciadas medidas saneadoras como a redução da folha de pessoal com a possibilidade de exoneração de 20% dos servidores detentores de cargos comissionados (tendo como base a reforma administrativa aprovada ano passado que estabeleceu 450 funções comissionadas, serão demitidas 90 pessoas), suspensão de férias até janeiro e economia em gastos com água, luz e telefone. O objetivo da Prefeitura de Mossoró é economizar R$ 26 milhões até o final deste ano.

Para o economista Carlos Escóssia, os cortes chegam tarde. "Esses cortes no Orçamento chegam de forma tardia porque todos sabiam da existência da crise, mas a prefeitura preferiu o Mossoró Cidade Junina. Se tivesse tomado essas providências há 120 dias a situação hoje seria mais tranquila. A crise começou em 2006, chegou ao Brasil em 2007 e Mossoró caiu no discurso do presidente Lula e achou que estava imune. Várias prefeituras e o governo do Estado se preveniram durante a crise e hoje não estão tendo que tomar medidas drásticas como essa", explicou.

Segundo Carlos Escóssia, a administração municipal não soube aproveitar os recursos provenientes de royalties. "Mossoró tem em relação as outras prefeituras o pagamento de royalties. Se não fosse isso a administração estaria um caos", acrescentou.

Secretário municipal de Planejamento, Canindé Maia disse que a Prefeitura de Mossoró vem fazendo a sua parte desde o início do ano. Como exemplo, ele cita o contingenciamento das despesas na ordem de R$ 54 milhões feito em janeiro. "Aos poucos fomos liberando uma parte desses recursos. Nos prevenimos com o cenário de crise. Vamos economizar R$ 26 milhões até o fim do ano", explicou.

O secretário atribuiu a perda de receita aos cortes que estão sendo feitos no Orçamento. Canindé Maia informou que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) teve uma redução de R$ 785 mil em Mossoró num comparativo entre o primeiro semestre de 2008 e o primeiro semestre deste ano. Segundo ele, num comparativo ao mesmo período o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) teve uma redução de R$ 1,7 milhão. "Ficamos com R$ 3,7 milhões a menos do que o projetado no Orçamento. Mês a mês nós estamos fazendo economia. Se não fosse isso teríamos um corte mensal de R$ 6 milhões até o fim do ano", justificou.

Secretário nega atraso de salários de servidores da PMM

O secretário municipal de Planejamento, Canindé Maia, negou que os salários de parte dos servidores municipais estejam atrasados. Segundo o auxiliar da prefeita Fafá Rosado (DEM), houve alguns problemas, mas que não chegam a se configurar em atraso.

Sobre a questão dos agentes de trânsito, os "amarelinhos", Canindé Maia disse que se deixou de ser incluída uma gratificação (adicional noturno e de rua), mas que o problema já estava resolvido. "A folha de pagamento não está atrasada. O que existe é uma gratificação dos 'amarelinhos' que não foi incluída porque quando houve o acordo a gente já tinha fechado a folha. Depois disso houve uma reunião e a questão já está resolvida", garantiu.

O secretário negou que o 13° salário para os servidores que aniversariam no mês de julho tenha deixado de ser pago. "Não só está em dia como até o fim do ano todo mundo receberá o 'décimo' no mês do aniversário", disse.

Ele também garantiu que os plantões da saúde estão sendo pagos e que os demais benefícios para os servidores estão garantidos. "A concessão de férias retorna em janeiro, mas quem não tirou férias no ano passado poderá tirar o período de descanso ainda neste ano como garante a lei. Já os plantões serão quitados até o dia 15 do mês subsequente", completou.

Vereadores querem que secretários expliquem motivação de medidas

Dos 13 vereadores com assento na Câmara Municipal de Mossoró, 10 compareceram à sessão plenária de ontem que marcou o retorno das atividades legislativas. Dos que estiveram presentes apenas a metade optou por comentar a crise na Prefeitura de Mossoró.

O primeiro a falar foi o vereador Francisco José Júnior (PMN). Ele disse que os cortes ao Orçamento chegaram tarde e que prejudicam à população. "As medidas deveriam ser tomadas durante a crise e não agora. Esse governo não tem planejamento. Diante do quadro atual só posso imaginar que a prefeita está prevendo algo de muito ruim em Brasília", ironizou.

Líder da oposição, Lairinho Rosado (PSB) lamentou o não-pagamento de direitos dos trabalhadores e os cortes de verba para eventos culturais como a Festa de Santa Luzia. "A prefeita deveria ter economizado com o Mossoró Cidade Junina e não ter comprado aquele carro por R$ 200 mil. Acho que a prefeita precisa de um veículo confortável, mas esse não era o momento para a aquisição", disse o parlamentar que provocou a líder do governo Cláudia Regina (DEM) a trazer membros da equipe econômica da Prefeitura de Mossoró para prestar esclarecimentos. "Gostaria de entender porque só agora foram tomadas essas medidas se a recessão acabou em maio. Transparência é uma coisa muito importante até mesmo para a gente saber o que está acontecendo e não cometer injustiças", justificou.

Em resposta, Claúdia Regina disse que "entendia pouco de economia, mas que dá para saber que as coisas não ocorrem de forma automática".

O republicano Genivan Vale lembrou que desde maio conseguiu aprovar um requerimento convocando o secretário municipal da Cidadania, Francisco Carlos, para prestar esclarecimentos sobre a situação econômica da prefeitura. "A crise não é financeira. É de gestão. Faltou planejamento", acrescentou.

Para Jório Nogueira (PDT), é importante a presença da equipe econômica para explicar a situação financeira da administração municipal. "O secretário Francisco Carlos tem ido à imprensa explicar a situação econômica da prefeitura, mas é oportuno que venha a esta Casa prestar esclarecimentos até porque já existe insatisfação e os vereadores estão sendo culpados pela população. Muita gente queria que a situação chegasse a esse ponto para ter discurso bonito", lamentou.

Claudionor confirma atualização do duodécimo e exonerações na Câmara

O presidente da Câmara Municipal de Mossoró, Claudionor dos Santos (PDT), confirmou que o Legislativo mossoroense fará cortes de pessoal mesmo havendo a confirmação de que os repasses do duodécimo serão atualizados a partir deste mês.

Segundo Claudionor dos Santos, a Câmara terá um aumento superior a R$ 50 mil em sua receita mensal. "A atualização do duodécimo já um fato consumado. Contamos com a compreensão do Executivo, mas vamos fazer a nossa parte reduzindo as despesas", frisou.

Evitando falar em números, Claudionor dos Santos disse que o assunto está sendo discutido com os demais vereadores. "Os colegas têm sido compreensivos e nós estamos conversando. Haverá contensões na folha de pagamento. Estamos fazendo o possível para exonerar o número mínimo de servidores", declarou.

O vereador Jório Nogueira (PDT) explicou que ontem ao final da sessão plenária foi realizada uma reunião para debater os problemas da Câmara. "O presidente ficou de apresentar a realidade financeira da Casa para a gente amanhã (hoje). Somente com esses números podemos nos posicionar contra ou a favor de qualquer decisão", explicou.
Fonte: Jornal O Mossoroense - Bruno Barreto (Editor de Política)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A CRISE QUE ASSOLA O PAÍS DE MOSSORÓ

Carlos Escóssia

Quando o pior da crise econômica mundial já passou e a economia global dá sinais de recuperação, eis que, a administração "Mossoró da Gente?", anuncia cortes de gastos em eventos culturais, cortes na folha de pagamento, que já está em atraso e outras medidas equivocadas, que deveriam ter sido pensadas e amadurecidas a pelo menos a uns 120 dias atrás. A administração "Mossoró da Gente?" também ameaça, a possibilidade de exoneração de servidores contratados através de cargos comissionados. Segundo a assessoria econômica da administração "Mossoró da Gente?" os gastos ou enxugamento para adequar às despesas do município as suas receitas, serão proporcional, à queda e as perspectivas de arrecadação até o final do exercício financeiro de 2009.

Com relação a crise que assola a economia local, tenho as seguintes ponderações a fazer:
1- A crise é real, ela existe, apenas foi tratada com desdém e de forma amadora e irresponsável pelos que fazem a administração "Mossoró da Gente?", o que comprova todo o despreparo, toda ingenuidade e imaturidade, falta de equilíbrio e principalmente a falta de aptidão, suporte técnico e consciência política para gerenciar a coisa pública.

2- Por mais ingênua e desinformada que seja (ou queira ser) uma administração municipal, todos tinham conhecimento da crise da economia mundial, que teve seu inicio na economia americana (no inicio do ano 2007), e como uma bola de neve, contagiou toda a economia global. Lógico também, que todos sabiam que a economia de Mossoró não estava imune a essa crise - muito pelo contrário - todos sabiam da nossa vulnerabilidade e dos efeitos catastróficos que a mesma traria para a economia local.

3- O bom gestor é aquele que se destaca em período de crise e dificuldades, mostrando suas afinidades com novas mudanças e cenários, tendo a capacidade de reagir a situações onde o controle é fundamental, além de ter autocrítica. O bom gestor, principalmente em períodos de crises e adversidades, deve além da liderança, possuir atitudes, tais como: competência estratégica; saber obter resultados e agregar valores; ter objetividade e agilidade; ter senso de prioridade na implementação de medidas, planos e programas; competência para mudar e desenvolver cultura; saber compartilhar objetivos; ter grande habilidade de relacionamento e interação; ser multifuncional, adaptavél e flexivel; ser automotivo, assetivo e persistente.

4- É incrível como a mídia, os políticos, os economistas, empresários e acadêmicos ligados a adminstração "Mossoró da Gente?", em momento algum - até hoje - alertaram a senhora prefeita dos efeitos que a economia global traria para a nossa economia. Pergunto, o porque da equipe gestora, que assessoraram a elaboração do plano de governo da atual administração, uma espécie de conselho consultivo, até o momento ainda não se pronunciou.

5- No dia 15 de fevereiro de 2009, na coluna "Notas... Notas... Notas... Notas...", publiquei o seguinte:
"Para alguns futurologistas, do chão sagrado de Mossoró, que há bem pouco tempo afirmavam (não sei, se hoje afirmam ainda), que a crise americana não afetaria o Brasil e principalmente o país de Mossoró. Gostaria de lembrar, que estamos vivendo ainda a fase inicial de uma grande crise financeira, que diferentemente da Grande Depressão da década de 30, iniciou-se dentro do próprio setor financeiro em 2006 com a economia em plena expansão e só agora está começando a atingir plenamente este último setor. Em 2009, a grande contração da economia real em andamento, começará a repercutir de volta, agravando ainda mais a situação financeira dos bancos e das empresas não financeiras.

Ainda para esses iluminados futurologistas que habitam o chão sagrado de Mossoró, gostaria de alertar, que diante deste cenário conturbado desencadeado pela crise americana, resta para o Brasil e o país de Mossoró nadar contra a maré. Pois no passado, quando tínhamos um choque externo desfavorável, a resposta da política econômica, ao invés de contribuir para resolver o problema, agravava ainda mais a situação. Em outras palavras: o paciente deveria ser medicado e mandado para casa. Porém, o tratamento era tão ruim, que ele acabava na UTI. Em 2009, temos que ser cuidadosos bastantes para não comermos o pão que os Estados Unidos amassaram em 2008". (Clique aqui) e veja na íntegra a coluna Notas...Notas...Notas...Notas...

6- No dia 8 de Abril de 2009, publiquei no meu blog "FPM e a Crise dos Municípios", quando eu afirmava:
"Está na hora dos prefeitos e de toda classe política se articularem em seus estados, para pressionar o governo federal, a olhar com urgência a situação dos municípios, criando políticas compensatórias, pois a grande maioria das pequenas cidades sobrevivem exclusivamente da receita do FPM. Caso contrário, as prefeituras vão fechar suas portas, pois não têm condições financeiras. É necessário e urgente que a classe política do nosso Estado e dos demais, tomem uma posição firme, no sentido de pressionar o governo federal para realocar recursos financeiros de outras fontes para amenizar o estrago provocado pela queda do Fundo de Participação dos Municípios. Permanecendo como está, as prefeituras obrigatoriamente terão que demitir muito mais do que está desempregando as montadoras". (Clique aqui) e veja na integra o artigo.

7- No dia 3 de junho de 2009, publiquei no meu blog o artigo "Mossoró Cidade Junina! Quem vai pagar a conta?". Quando eu alertava:
"Não que eu seja contra o evento Mossoró Cidade Junina, pelo contrário, sou adepto do evento criado pela senadora Rosalba Ciarlini, quando prefeita de Mossoró, colocando a nossa cidade ao lado de outras cidades de maior expressão nacional para esse tipo de evento, como Caruaru (PE) e Campina Grande (PB). Apenas acho precipitada a sua realização este ano, em virtude de vários fatores, os quais a princípio eu poderia citar a crise econômica mundial, que provocou a queda significativa do repasse do Fundo de Participação do Município, além de um fator aleatório, que independe da vontade do homem, que são as chuvas em grandes proporções (o que não é normal na nossa região), provocando o estrago generalizado da nossa frágil e de péssima qualidade, malha viária e ainda, o que é mais preocupante, a quantidade de famílias que tiveram que abandonar seus lares em virtude da cheia do Rio Mossoró Apodi.

Qualquer administrador sério e com um pouco de responsabilidade, antes de realizar um evento desse porte em um período adverso de crise e calamidade, escutaria a população para coletivamente decidir qual seria a verdadeira prioridade para o momento. Realizar o evento "Mossoró Cidade Junina", ou recuperar integralmente a malha viária da cidade; resolver a triste situação das famílias desabrigadas, assegurar o pagamento sem corte e atraso da folha de pagamento de seus servidores, cumprir religiosamente o calendário de pagamento dos fornecedores e prestadores de serviços. Na verdade, infelizmente a senhora prefeita de forma normativa optou pela realização do evento Mossoró Cidade Junina, levando em consideração apenas o aspecto eleitoreiro do evento, aumentando ainda mais os gastos da prefeitura com o engodo da fajuta terceirização.

Como se pode ver caro leitor, a prefeita de Mossoró teria e tem justificativas plausíveis e convincentes para não realizar o evento "Mossoró Cidade Junina" este ano, em virtude das incertezas e previsões pessimistas com relação ao prolongamento e afunilamento da crise na economia global. Em última hipótese, poderia até realizar o evento, através de um procedimento transparente, legal, viável e politicamente correto que seria a sua privatização e nunca a sua terceirização. (Clique aqui) e veja a matéria na íntegra.

8- Para as amigas e amigos leitores acompanharem outras matérias postadas nesse blog a respeito dos reflexos da crise economica mundial na economia local, vejam ainda:
(Clique aqui): "Notas... Notas... Notas... Notas...", postado em 28 de fevereiro de 2009
(Clique aqui): "A Crise e os Fumantes", postado em 31 de março de 2009
(Clique aqui): "Receituário Contra Crises", postado em 20 de abril de 2009
(Clique aqui): "Por uma Política de Geração de Emprego e Renda para Mossoró," postado em 29 de junho de 2009.


ATENÇÃO: ADMINISTRAÇÃO "MOSSORÓ DA GENTE?", ANUNCIA NOVAS MEDIDAS
Li agora mesmo, na coluna do bem informado jornalísta César Santos, que a Administração "Mossoró da Gente?", divulgará amanhã no Jornal Oficial do Município (JOM), novas medidas que, tardiamente ou de forma retardada, objetiva minimizar os estragos provocados pela crise econômica mundial, que apresenta sinais de superação pela economia global e que infelizmente começa a germinar tipo cogumelos em tempos de chuvas no solo causticante do País de Mossoró. Veja o que diz César Santos na nota Pacote Amargo:

"O Jornal Oficial do Município (JOM), que circulará amanhã, publicará o pacote de medidas que visa ao enfrentamento da crise financeira. São cortes de grande intensidade que, certamente, provocarão reações contrárias, porém necessárias e urgentes. O funcionalismo, que antes passaria ileso pelo “corte na carne”, também será atingido e terá de oferecer a sua parcela de sacrifício.

A coluna teve acesso ao pacote e observou cinco medidas de forte impacto: 1 - Corte de 20% dos cargos comissionados, algo em torno de 150 exonerações. Atingirá todas as secretarias e gerências executivas. Os nomes foram selecionados e estarão na edição do JOM. 2 - Horário corrido de trabalho, com expediente das 7h às 13h, o que permitirá redução nos gastos com horas extras. Medida idêntica foi adotada no início do ano, com sucesso. 3 - Será suspensa até dezembro próximo a permissão de qualquer tipo de licença, exceto os casos garantidos por lei, como por exemplo a licença-maternidade. 4 - Será suspenso até dezembro o pagamento de 1/3 de férias, exceto os casos previstos em lei. 5 - Todas as pastas terão de reduzir em pelo menos 20% as despesas com telefone, energia, água, combustível, entre outras.

Soma-se a essas medidas outra mudança já em validade na área da saúde. É a readequação do pagamento dos plantões médicos. As escalas serão pagas com novo período de verificação, compreendendo o dia 15 do mês atual até o dia 15 do mês subsequente, diferentemente do que vinha ocorrendo, cuja medição era feita apenas no dia 20 de cada mês. Dessa forma, não se sustenta a tese de que o Município está atrasando o pagamento dos plantões. As novas medidas entrarão em vigor de imediato e se juntarão aos cortes anunciados há pouco mais de uma semana, que atingirão a área da cultura. A prefeita Fafá Rosado (DEM), depois de seguidas reuniões com a equipe econômica, acredita que os cortes são inevitáveis e que o resultado será positivo, à medida que as áreas essenciais, como Saúde e Educação, não sofrerão prejuízos. A estimativa é de que o Município possa reduzir os gastos em mais de R$ 4 milhões até o final do ano".




INDICADORES ECONÔMICOS - 07/08/2009

ÍNDICES DE INFLAÇÃO
IPCA
Jul/09
0,2400
Jun/09
0,3600
IGP-M
Jul/09
-0,4300
Jun/09
-0,1000
IGP-DI
Jul/09
-0,6400
Jun/09
-0,3200
IPC-FIPE
Jul/09
0,3300
Jun/09
0,1300


POUPANÇA
Rendimento diário

0,5336
Rendimento mensal
0,6056
Rendimento anual
4,2109

CÂMBIO
DÓLAR COMERCIAL
Compra
1,848
Venda
1,85
EURO X REAL E EURO X DÓLAR
Euro x Real
2,6155
Euro x Dólar
1,4138

INDICADORES MACROECONÔMICOS
RISCO PAÍS (EM PONTOS)
Argentina
860
Brasil
238
México
175
Uruguai
255
BALANÇA COMERCIAL (US$ MILHÔES)
Jul/09
Exportação
14.143,00
Importação
11.215,00
Saldo
2.928,00
Jun/09
Exportaçãp
14.468,00
Importação
9.843,00
Saldo
4.625,00
Mai/09
Exportação
11.985,00
Importação
9.334,00
Saldo
2.651,00
Abr/09
Exportação
12.322,00
Importação
8.610,00
Saldo
3.712,00
PRODUÇÃO INDUSTRIAL
Jun/09
-10,93
Mai/09
-11,30
Abr/09
-14,83
Mar/09
-9,96
Fev/09
-16,97
TAXA DE DESEMPREGO
Jun/09
8,10
Mai/09
8,80
Abr/09
10,40
Marc/09
10,10
Fev/09
8,80
Jan/09
8,10
RELAÇÃO DÍVIDA/PIB
Jun/09
43,09
Mai/09
42,48
Abr/09
38,42
Mar/09
37,37
Fev/09
37,00
Jan/09
36,59
PIB (TAXA DE CRESCIMENTO ANUAL)
Ano de 2008
5,08
Ano de 2007
5,67
Ano de 2006
3,75
Ano de 2005
3,16
Ano de 2004
5,71

OUTROS INDICADORES
SALÁRIO MINÍMO
R$ 465,00
ÍNDICE DE GINI
0,5557095514
Fontes: O Globo e outros institutos de pesquisa

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

STANISLAW PONTE PRETA


GAROTINHO CORRUPTO

Aqui no Brasil pegou a moda de subversão. Tudo que se faz e que desagrade a alguém é considerado subversivo. Outro dia eu vinha andando na rua e um cara, dirigindo uma Mercedes espetacular, entrou lascado num cruzamento e quase atropelou um pedestre. Foi o bastante para o andante dar o maior grito: “Subversivo, comunista”. Depois eles dizem que é marcação da gente, mas a notícia que veio de Curitiba é de lascar. Eles fecharam um Jardim de Infância, chamado Pequeno Príncipe, e o general-comandante da Região Militar de lá disse que este título era subversivo. O general – o nome dele é Caudal – disse que o colégio deveria se chamar “Pequeno Lenine”. Já entrou fácil no Festival.

Acontece que a maior das criancinhas que ali estuda tem cinco anos de idade e a menorzinha ainda está molhando a sala de aula e o resto. É o Festival de Besteira que segue em caudal. O general e os encarregado de um IPM contra o Jardim de Infância dizem que as professoras estavam ensinando marxismo e leninismo. Esta então foi a pior. Coitado do garotinho, que mal sabendo o a, e, i, o, u, terá que soletrar “Kruchev”, “Stalin”, “Gromyko” e outras bossas. O aviador católico Saint – Exupéry, cujo livro serve do nome para a escola, jamais pensou, depois de tantas proezas aéreas, que ia entrar pelo caudal, digo cano. E em terra firme.

Quem conhece a vida de aventuras do coleguinha escritor Saint-Exupéry sabe que ele mais de uma vez esteve perdido no deserto do Saara, quando servia ao Correio Aéreo da França. Duas vezes ele caiu e ficou perdido nas areias candentes do terrível deserto. Duas vezes se salvou. Mesmo que Saint-Exupéry estivesse vivo, jamais imaginaria que iria cair neste deserto de idéias, no qual acaba de aterrissar sem a menor esperança de salvamento.

Não irmãos, esta também é demais. Criancinhas subversivas também já é dose pra elefante. Ainda se fosse por corrupção, vá lá. Vamos que o Juquinha, vitima de pertinaz ideia diurética, levantasse de sua carteira e fosse fazer pipi na sala da professora. Crime de corrupção, sem dúvida. Mas subversão? Aqui ó...


A AMEAÇA DA NOVA GRIPE

O aumento repentino de casos de pessoas infectadas pela gripe suína (vírus H1N1, influenza A) no país, de 398% em uma semana, levou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a recomendar o adiantamento de viagens ao Chile à Argentina, onde muitos brasileiros foram recentemente contaminados. A recomendação é direcionada a idosos (acima de 60 anos), crianças (até dois anos) e pessoas com baixa imunidade. Na sexta-feira, havia 522 casos da gripe confirmados no Brasil. Veja medidas para prevenção e controle da doença.

CARACTERISTICAS DA DOENÇA

A publicação da Organização Mundial da Saúde (OMS) Weekly Epidemiological Report, de 22 de maio, informa que as principais características dos 10.243 casos laboratorialmente confirmados de infecção pelo vírus influenza A em 41 países, incluindo 80 óbitos, são:
- a infecção varia de doença leve não febril do sistema respiratório (gripe) a doença grave ou pneumonia fatal;
- a maioria dos casos se desenvolve côo uma gripe comum, sem complicações, evoluindo para a cura espontânea;
- os principais sintomas incluem tosse, febre, dor de garganta, mal-estar e dor de cabeça.

MINISTÉRIO SEGUE PROTOCOLO
Veja as definições do Protocolo de Procedimentos para o Manejo de Casos e Contatos de Influenza A (H1N1), do Ministério da Saúde:
Caso suspeito: Doença de inicio súbito, com febre (temperatura acima de 37,5° C°), tosse ou dor de garganta, com ou sem outros sintomas – como dores de cabeça, musculares ou nas articulações, ou ainda dificuldade para respirar. Esses sintomas devem estar vinculados às seguintes situações:
- paciente retornou, nos últimos dez dias, de países com casos confirmados da gripe; ou
- teve contato próximo, nos últimos dez dias, com um caso suspeito ou confirmado.

Caso confirmado:
Infecção confirmada por exame em laboratório de referência ou, caso não tenha sido possível coletar amostra, confirmação de contato próximo com pessoa cujo contágio foi constatado.

Caso descartado:
Caso suspeito cujo exame deu negativo.

Contato próximo:
Contato com pessoa com caso suspeito ou confirmado, um dia antes e até sete dias após o inicio dos sintomas, nas seguintes situações:
- durante viagem internacional (passageiros da mesma fileira, das fileiras laterais e das duas fileiras à frente e atrás da pessoa com caso suspeito ou confirmado);
- pessoas que cuidam, convivem ou que tiveram contato com secreções respiratórias da pessoa com caso suspeito ou confirmado.
ATENÇÃO: os menores de 12 anos infectados podem armazenar o vírus até 14 dias após o inicio dos sintomas.

A ORDEM É PREVENIR
O ministro José Gomes Temporão ressaltou que não há proibição de viagens para países afetados pela gripe suína e a recomendação é uma medida adicional e preventiva, já que a maioria das ocorrências no Brasil teve origem em pessoas infectadas vindas do exterior e não na transmissão da doença do país. Essa foi a razão de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter aumentado o nível de alerta em todos os portos e aeroportos, com o objetivo de detectar, diagnosticar e tratar casos suspeitos. A Anvisa tornou obrigatório o preenchimento da Declaração de Saúde do Viajante para monitorar todos os passageiros do Mercosul que chegam ao país, com a distribuição de formulários nos portos, aeroportos e nas áreas de fronteiras. Além disso, as companhias aéreas serão obrigadas a fornecer a lista de passageiros junto com a Declaração Geral da Aeronave no momento da chegada do avião.

COMO EVITAR O CONTÁGIO

Veja as recomendações do Ministério da Saúde para que as pessoas evitem o contágio pelo vírus da gripe suína:
Para quem vai viajar para áreas afetadas:
- usar máscaras cirúrgicas descartáveis durante toda a permanência no local e substituí-las sempre que necessário;
- ao tossir ou espirrar, cobrir o nariz e a boca com um lenço, preferencialmente descartável;
- evitar locais com aglomeração de pessoas;
- evitar contato direto com pessoas doentes;
- não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal;
- evitar tocas olhos nariz ou boca;
- lavar as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente depois de tossir ou espirrar;
- em caso de ficar doente, procurar assistência médica e informar história de contato com doentes e roteiro de viagens;
- não usar medicamentos sem orientação médica.

Para quem chega de áreas afetadas e apresenta sintomas:

Viajantes que apresentarem sintomas até dez dias depois de terem chegado de viagem a áreas com casos confirmados de gripe suína, como febre repentina superior a 38°C, acompanhada de tosse e (ou) dores de cabeça, musculares e nas articulações, devem tomar as seguintes medidas:
- procurar assistência médica na unidade de saúde mais próxima;
- informar seu roteiro de viagem ao profissional de saúde.

PESSOAS DE GRUPO DE RISCO PRECISAM FICAR EM QUARENTENA HOSPITALAR

Entre as medidas de prevenção e controle recomendadas pelo Ministério da Saúde, estão a quarentena e o isolamento. Saiba em que casos são indicados:
Quarentena domiciliar voluntária: recomendada às pessoas que tiveram contato próximo com pessoa com caso suspeito ou confirmado, mas que não apresentem sintomas. O período deve ser de sete dias, contados a partir do ultimo contado (14 dias no caso de crianças). Durante a quarentena, a pessoa deve:
- evitar compartilhar objetos;
- evitar tocar olhos, nariz ou boca;
- lavar as mãos frequentemente com água e sabão, em especial depois de tossir ou espirrar;
- manter o ambiente ventilado.
A Vigilância Epidemiológica deverá acompanhar a pessoa, por telefone ou presencialmente, durante sete dias.

Isolamento domiciliar: recomendado para pessoa que teve contato com a gripe e apresente os sintomas, mas que não pertença a grupo de risco para complicações e óbito. Além das orientações do item anterior, deve-se:
- usar máscara cirúrgica descartável;
- permanecer em quarto exclusivo;
- evitar contato próximo com pessoas.

Isolamento hospitalar:
para os pacientes de grupos de risco. Deve ser realizado somente nos hospitais de referência, divulgados no site do Ministério da Saúde. Segundo a OMS, deve ocorrer em quarto privativo, sinalizado, com vedação na porta, boa ventilação e acesso restrito aos profissionais de saúde. O isolamento (domiciliar ou hospitalar) será suspenso nas seguintes situações:
a) se for descartado o diagnóstico de influenza A;
b) nos casos confirmados, ao final do 7° dia após o inicio dos sintomas (14° dia para crianças).
Fonte: Jornal do Senado

domingo, 2 de agosto de 2009

A ATA DESTRAMBELHADA DE ONTEM

Primeiramente, o elenco:

Togo Ferrário; Emerson Linhares (Difusora); Diego Vale; Elzo Aki Pneus; Valcimon Nogueira; Gilson Cardoso (FM 93); Túlio Ratto (Papangu); Aclecivam Soares (Jornal Central); Wilson Cabral (Baraúna Notícias); Carlos Escóssia; Carlos Santos; Luciano Maia (O Mossoroense); Mário Gérson (Gazeta do Oeste); DJ Balinha; Rodrigo Nunes; Steverson Medeiros; Larissa Newton (O Mossoroense); Ana Paula Cadengue (O Mossoroense); Marcos Antônio (Gazeta do Oeste); Iran Veras; João Bosquinho; entre outros.

Os primeiros a chegar foram Togo e Emerson. Para começar “arrasando”, Carlos “Bar” serviu o uísque num copo feito para beber bananada. Diante da situação, chamamos Carlos e sapecamos:

- Ei, Carlos, traga um copo de uísque, homem.

Carlos trouxe outra dose de uísque num copo de bananada. Já sentimos que o atendimento “prometia”.

Mas era até compreensível, o bar ontem estava completamente lotado, como nunca dantes visto. Tal e qual Tibau no veraneio, a clientela de Carlos Bar na sexta-feira sobe assustadoramente. Ele garantiu que nas próximas aumentará o número de garçons.

E vamos às conversas:

Inicialmente, Togo queria por que queria que soubéssemos que música de Chico Buarque fala de funeral.

- Homem, é uma bem conhecida, fala de funeral.

- Tem essa não, Togo.

- Tem, homem, é bem conhecida.

- Conhecida por quem?

Foi meia-hora nesse negócio e até agora ninguém sabe que danado de música é essa.

Ontem, Carlos Escóssia estava virado no traque no celular. Passou a noite percorrendo os arredores do Carlos Bar com o celular no ouvido. Os maldosos disseram que era o último dia do mês e ele estava falando para gastar os créditos. Ô povo maldoso.

Lá pelas tantas começaram a criticar “Galvão Bueno”. O único a defender o locutor foi Gilson Cardoso. E num foi uma defesazinha qualquer não. Gilson sabe só “tudo” sobre Galvão. É fã do cara. Descobriram até que ele tem um pôster de Galvão na porta do guarda-roupa. Quando o assunto do pôster veio a tona Valcimon endoidou:

- Como é, Gilson, você tem um pôster de Galvão no guarda-roupa? Pelo amor de Deus…

Gilson ainda quis defender que não tinha, mas não convenceu. Ele tem mesmo. Hehehe.

Mário Gérson movimentou o bar todinho querendo trocar uma cédula de R$ 50,00. Vendo todo aquele aperreio, perguntaram:

- Para que você quer trocar tanto esta cédula?

- É para pagar a Fanta Uva que bebi.

Omi, pelamordedeus…

Balinha ontem estava inspirado, se apresentava num “modelito” totalmente verde.

- Bacural, Balinha?

- Não, palmeirense.

O homem passou a noite explicando como consegue trabalhar e a cada minuto atualizar Twitter, Orkut, teclar no MSN etc.

Diferentemente da vez passada, ontem ele estava mais falador, participando intensamente das discussões, sobretudo a de Galvão Bueno, aquele que Gilson tem um pôster no guarda-roupa.

Na outra ponta da mesa falavam de processos contra jornalistas. O assunto por lá era mais sério: Quem debatia era Carlos Santos, Iran Veras, Bosquinho, Togo e Carlos Escóssia.

E Emerson Linhares ouvia as conversas daqui, as dali, ouvia, ouvia, ouvia… - Fala, homem.

Túlio Ratto estava muito calmo. Levantaram até a suspeita de que ele tivesse ingerido calmantes. Suspeita esta que caiu por terra quando falaram da ação movida contra ele por Fafá Rosado. O homem pinotou.

Aclecivam estava louco, querendo entender o funcionamento do Judiciário. Rodrigo Nunes - que é o chefe do cartório Eleitoral de Areia Branca - passou 2h 13 minutos tentando explicar recursos, agravos, prazos etc.

Até agora tenho dúvida se vi ou não Polairinho por lá.

Wilson Cabral veio, foi, veio e acabou indo.

Por fim, descobrimos que a jornalista Larissa Newton é descendente de Isaac Newton. Pense…

E Carlos Skarlack não compareceu, apesar de ter ligado para Emerson dizendo que estava chegando. Fica para a próxima.

Ontem, restou decidido que a reunião da próxima semana será num outro local, para variar, mas ainda não se sabe qual.
Fonte: Tio Colorau

sábado, 1 de agosto de 2009

FOGO CRUZADO

ATA QUE NEM GILSON CARDOSO DESATA

Eita que o quórum da reunião do Copão de ontem, 31, no Carlos Bar foi surpreendente.


Cheguei um pouco atrasado e o “estirão” de mesas estava lotado.


Como sempre, não lembro o nome de todos, aqueles que eu se esquecer de nominar aqui, depois cobre ou pode deixar Pitaco que registramos.


Carlos Escóssia, Túlio RaTTo, Tio Colorau, os beatlesmaniacos Emerson “Liguinha” Linhares e Togo Ferrário, Alexandre da AdmControl, Elson da Aki Pneus,


Depois chegaram: o radialista e apresentador de TV Gilson Cardoso, o DJ Balinha, o professor Wilson Cabral, o estudante de direto Steverson, o engenheiro Weber Siqueira, da Weber Engenharia, Valcimon “Corretor de Sal”, o jornalista Carlos Santos e o professor Rodrigues Nunes, as jornalistas Ana Paula “RaTTo” Cadengue e Larissa e o jornalista Luciano, todos do jornal O Mossoroense.


Mário Gerson, feliz com sua publicação do livro que será lançado terça-feira, 4, na Feira do Livro e o professor Marcos Antônio, o famoso Marcos Demolidor, com sua estrutura de jogador de porrinha, também esteve no Copão.


O assunto principal de ontem foi se Galvão Bueno é ou não o melhor narrador-locutor esportivo.


O embate foi travado entre Gilson Cardoso e Togo Ferrário. Ao final, Togo descobriu o porquê de Gilson Cardoso defender fervorosamente Galvão Bueno: Gilson tem quase seiscentos pôsteres guardados, sendo um deles atrás da porta do guarda-roupa.


Outro assunto bastante discutido foi sobre o Twitter. Esse assunto puxou para Orkut, foi quando DJ Balinha disse que já tem quase quatro Orkut cheios. OU seja, com mil amigos cada um.


Foi quando Túlio RaTTo perguntou se DJ Balinha era aposentado. Ou seja:... cerveja. Não digo por que vocês já entenderam.


O engenheiro Weber Siqueira, que veio prestigiar ontem a reunião não demorou muito, saiu chateado com o atendimento do Carlos Bar, que ontem superaram todos os limites da ruindade.


E o professor Wilson Cabral encontrou ontem três companheiros de boca, que não é boca de fumo. É de comida: Elson da Aki Pneus e Togo Ferrário, os três são chegados a um frango assado.


Na verdade, o que não faltou ontem foi assunto. Era tanto assunto de um lado a outro das mesas que Túlio RaTTo que não estava bebendo teve que tomar algumas doses de uísque para poder anestesiar as “oiças”.


Uma pauta bem interessante foi sobre o “Copão Itinerante” que deverá acontecer já na próxima reunião.

Fonte: aclesivam Soares

COICE, QUALQUER JUMENTO DÁ

Carlos Escóssia
Sem comentários o texto do primo, amigo, poeta, escritor, jornalista, escritor, bom carácter e também bom de copo, Cid Augusto. Realmente um orgasmo real, prolongado e contagiante. Aconselho a leitura do precioso textos a todos, inclusive aos picaretas que a vida nos obriga à convivência. Vamos ao texto, que é o mais importante:

Costumo alertar, a quem perde tempo me dando ouvidos, para não confundir crítica e coice. Resgato a preocupação da oralidade, registrando-a neste inexpressivo Canto de Página, sem o menor desejo de bater de frente com jornalistas, blogueiros e outras personagens da mídia adeptas do chamado "estilo arrasa-quarteirão". Não seria eu, um ignorante de carteirinha, o conselheiro de seu ninguém. As palavras, no entanto, não hei de negá-las por medo de polêmica, se precisam ser ditas.

A mídia é ambiente propício ao debate, ao conflito de juízos, à liberdade de expressão, aos embates da inteligência. Na era da Internet, o aparato tecnológico amplia o alcance das ideias. O pretenso formador de opinião, esteja no grande centro ou na pequena cidade, terá ao dispor instrumentos capazes de levar seus pontos de vista a quase todas as partes do planeta. O salto das tecnologias da comunicação parece haver transformado o tempo e o espaço em circunstâncias puramente virtuais.

Tais possibilidades encantam muito mais do que a letra estática na superfície do papel ou lançada, como se falava antes, no éter das ondas de rádio e de TV. Esse alumbramento é, de certo modo, perigoso. Ele rouba, não raro, o discernimento, a capacidade das pessoas perceberem, por exemplo, que o poder da informação é nada diante da responsabilidade da informação. Leva-as, também, a confundir o sacrossanto direito à liberdade de expressão com o deplorável exercício do insulto.

Li há poucas semanas que determinada figura criará um "blog jornalístico" destinado a bater, a esfolar, a trucidar, a não deixar pedra sobre pedra. Isso, francamente, é triste e não tem nada a ver com jornalismo. Aproveitar espaços democráticos para atacar a honra alheia com palavras de baixo calão, empreendendo perseguições medonhas, porque recebe dinheiro para o dito fim ou simplesmente porque não vai com a cara de um sujeito, fere a lei, o bom-senso e a inteligência dos leitores.

Criou-se em Mossoró a equivocada escola, segundo a qual bom comunicador é aquele que diz desaforos e acerta o alvo com as quatro patas. Ao longo dos anos, as vítimas se acumulam. Muitos espectadores, impulsionados por sentimentos doentios, aplaudem e estimulam o espetáculo de horrores, mas só até o dia em que também apanham ou veem pessoas queridas debaixo de vara, sem direito a se defender. Afinal, quem esperneia é logo rotulado de antidemocrático e atrai novos escrachos.

Crítica é texto nobre elaborado por gente capaz de enxergar a mágica dos detalhes e traduzir a realidade com humor, leveza e fina ironia, levando-nos a refletir sobre aspectos das coisas. Grosserias e expressões humilhantes, longe de se confundirem com jornalismo ou com reflexão, não passam de gestos grotescos premiáveis com uma bela cangalha. Fico com Goethe ao afirmar que o mais duro dos críticos é "o amador malogrado", pois crítica é arte; coice, qualquer jumento dá!

STANISLAW PONTE PRETA


POIS, POIS

Março terminava com a imprensa publicando o caso criado em Natal (RN) pelo Secretário de Segurança - Ulisses Cavalcanti - que proibia o antor Ari Toledo de apresentar o seu espetáculo na capital potiguar, embora já tivesse sido exibido em quase todas as capitais do País. Tal espetáculo chamava-se A Criação do Mundo Segundo Ari Toledo (gravado até mesmo em disco), mas , em Natal, o Sr. Secretário declarou que aquilo era desrespeito e ameaçou o artista com a Lei de Idem, isto é, de Segurança. Ari Toledo andou espalhando, mais tarde, que o general Ulisses Cavalcanti não gostara do episódio de o descobrimento do Brasil ser relatado com sotaque português. Ora pois!

NOTAS...NOTAS...NOTAS...NOTAS...

Carlos Escóssia

MEDIDAS PARA ENXUGAR GELO

As medidas adotadas pela administração "Mossoró da Gente?", para conter gastos é uma farsa, é a mesma coisa que enxugar gelo, é uma forma de se querer justificar toda incompetência, imaturidade, despreparo, falta de suporte técnico, falta de aptidão para gerenciar a coisa pública e principalmente muita, mais muita irresponsabilidade. Todos tinham conhecimento dos efeitos da crise, foram alertados o suficiente e nada foi feito. Agora a bolha "Chico não sei de que" estourou, o efeito é desastroso. Pergunto a senhora prefeita, responsável direta, pela parafernália que se instalou dentro da máquina administrativa do município: quem vai ser punido pelo crime cometido contra o povo e a terra de Santa Luzia?, quem vai pagar a fatura?

COISA DE PSIQUIATRA
Várias pessoas já me abordaram pedindo-me para que eu escrevesse sobre o impacto e os efeitos das medidas adotadas pela administração "Mossoró da Gente?", para combater a crise mundial, que graças a Deus, está sendo superada pela economia global e infelizmente, tendo seu início no "País de Mossoró". Confesso, a minha dificuldade para escrever sobre o assunto, pois entendo que o mesmo, é mais para psiquiatra do que para economista. Mais atendendo ao pedido das leitoras e leitores desse blog, impreterivelmente até no máximo, segunda-feira publicarei matéria sobre "A crise que assola o país de Mossoró".

GOLBERY TUPINIQUIM
O secretário da Cidadania, uma espécie de "Golbery" da administração Mossoró da Gente?, afirmou no programa Cenário Político da TCM, que a prefeitura gastou R$ 1.5 milhão para realizar o espetáculo "Alto da Liberdade", no ano passado. Imaginem caros leitores, quanto foi o total da fatura paga e gasta com o evento Mossoró Cidade Junina, realizado recentemente. Pobre Mossoró!

SARNEY
A velha raposa maranhense, senador José Sarney, não tem a mínima condição de permanecer no cargo de presidente so senado. Só falta saber quando ele vai deixar o cargo. É só uma questão de tempo, foi assim com os ex-presidentes Jader Barbalho e Renan Calheiros.

EFEITO LINA VIEIRA
Pelo menos cinco dos dez superitendentes da Receita Federal ameaçam pedir demissão caso o presidente do INSS, Valdir Simão, vá mesmo ocupar o cargo que foi de Lina Vieira, injustamente, recém-demitida

ACORDA CLÁUDIA!
Parece que a vereadora Cláudia Regina dá sinais que vai acordar. A nobre vereadora, que é inteligente, bem articulada, culta e competente, lançou seu portal na Internet. Eu particularmente gostei muito. O seu endereço é: http://www.claudiaregina.net/index.php

PREGUIÇA
Li na coluna do conceituado e respeitado jornalisata Emery Costa e fiquei curioso para saber quem é o blogueiro que ele se refere. Veja o que disse Emery:
"Alguns blogueiros mais proeminentes da cidade estão articulando uma eleição entre si. E esta visa escolher o blogueiro mais preguiçoso. Imaginem que tem deles que atualiza o seu blog apenas uma vez por semana. Não dá."

BOLSA FAMÍLIA
Foi publicado na última sexta-feira (31 de julho) o decreto presidencial que reajusta o valor do benefício da Bolsa Família.
O valor da Bolsa Família que era de R$ 62,00 passou para R$ 68,00, e o benefício variável, pago de acordo com o número de crianças, que era de R$ 20,00 passou para R$ 22,00.
O benefício vinculado aos adolescentes, que era de R$ 30,00 passou para R$ 33,00 por adolescente, até o limite de R$ 66,00 por família. Os novos reajustes passam a vigorar, apartir do dia l de setembro.

VAMOS SOFRER JUNTOS
Amigo Gilson Cardoso, estou lhe esperando para assistirmos juntos: eu, você e o nosso querido e comum amigo Montoya, o jogo da vasco. Se necessário, também sofreremos juntos. Fique frio, o nosso Vascão, vai ganhar o jogo de hoje por 3x0, mesmo sabendo que a partida é fora de casa. Gilson, clique aqui e relembre.

CARLOS LESSA: É PRECISO DISCUTIR O FUTURO

Por Annie Nielsen
Carlos Lessa está sempre pensando no Brasil e nas imensas possibilidades de crescimento para o País - amparado sempre pelo planejamento. "Temos uma frente espetacular para nos lançarmos no futuro, mas não se discute o futuro", lamenta. Defensor da regulação do mercado e da centralização das operações de câmbio, ele há muito alertava para o risco de crise, mas acredita que o País tem enfrentado bem as dificuldades com investimentos produtivos como o PAC - "eu quero é mais PAC" -, um programa eficiente para o petróleo e o desenvolvimento de energias renováveis. Para Lessa, falta fazer uma integração do País através de um transporte rápido, barato e eficiente e ativar os municípios para que estes gerem empregos locais e dinamizem a economia. Autor de dezenas de livros e artigos - a edição 50 da revista Desafios trouxe a resenha do livro Desafios ao Desenvolvimento Brasileiro, Contribuições do Conselho de Orientação do Ipea, contendo um artigo seu sobre infraestrutura e logística -, Lessa está escrevendo no momento um trabalho sobre a crise e o Brasil e vem se dedicando a palestras sobre o assunto e às aulas de economia na UFRJ.

Desafios - A crise mundial do crédito era uma tragédia anunciada? Havia sinais de que ela ocorreria?


Carlos Lessa - Era uma tragédia anunciada, sim. As advertências se acumulavam, inclusive advertências semioficiosas, segundo as quais as coisas estavam caminhando para uma direção perigosíssima. Gente do FMI chegou a falar extraoficialmente sobre isso. O George Soros, que é talvez o especulador mais bem sucedido, cansou de advertir que o mundo caminhava para uma tragédia. Essa crise só surpreendeu quem queria ser surpreendido. O problema é que você não pode prever quando essas crises irão explodir.

Antes dessa grande crise de crédito ocorreram outras de inspiração ou fundamento semelhantes. Houve a crise da dívida externa do terceiro mundo em 1982, que começou no México e nos apanhou em cheio. No início de 1990, ocorreu a quebra da especulação colossal com ações de companhias de nova tecnologia. Também percebemos tremeliques no setor imobiliário. Houve uma grave crise de crédito imobiliário, de hiperinflação imobiliária no Japão, que seria a potência emergente e mergulhou na penumbra depois disso. Tudo isso sem falar nos problemas com bancos ingleses e na quebra de um ou outro banco por excesso de expansão de crédito. Estou mapeando a situação de 1980 para cá, porque se retrocedermos mais, encontraremos muitas outras manifestações na história.

As indicações de crise concentradas no sistema americano já datam de 2007, quando houve um estremecimento forte no sistema de crédito imobiliário. A crise começou por onde? Pelo crédito imobiliário. Houve tremeliques sérios em 2007, mas as pessoas se esquecem disso. Os sinais se acumulavam. O problema é que, ao longo de 20 e tantos anos, o sistema de globalização financeira sofreu diversos abalos - a dívida externa do terceiro mundo, a crise da bolsa de valores de 1980, algumas perturbações bancárias, a quebra de alguns bancos na Inglaterra -, porém, conseguiu superá-los. Diante disso, desenvolveu-se a convicção de que o sistema estaria vacinado e saberia sair de qualquer crise. Houve uma ampliação da autonomia desse sistema financeiro internacional em função do êxito relativo ao enfrentar as crises parciais que antecederam essa grande crise.

As crises foram crescendo porque o sistema se tornou permissivo com seus procedimentos. Você tem declarações incríveis de que o sistema alcançou sua maturidade, de que o sistema é capaz de se autogerir, com toda a pressão que fizeram para reduzir a regulamentação. E a globalização financeira criou imensos espaços para esses grandes bancos norte-americanos, mas não apenas eles, se moverem com uma enorme autonomia offshore, nos interstícios do sistema. Existem 72 paraísos fiscais. O ponto para o qual eu quero chamar atenção é que não houve surpresa com essa crise. Acho, porém, curioso que tenha havido uma espécie de nota de surpresa com sua chegada, visto que os sinais e as premonições sobre ela vinham de muito antes, com advertências acadêmicas e institucionais muito antigas.

Desafios - Qual a diferença entre a crise atual e a de 1929?


Lessa - Bem, em primeiro lugar, toda crise, do ponto de vista histórico, é um fato único. Toda grande crise é singular, ela nunca reproduz uma configuração passada. A crise de 1929 se deu num cenário macroeconômico mundial diferente. A organização monetária era menos sofisticada que a atual e apresentava níveis de articulação tecnológica frágeis. Como essa crise ocorreu num cenário completamente diferente, teve desdobramentos igualmente diferentes. E só foi superada com a Segunda Guerra Mundial. Foi só com a Segunda Guerra que Wall Street conseguiu recuperar o índice pré-crise. O índice da bolsa de valores norte-americano só recuperou o padrão anterior à crise em 1952. Isso demonstra a magnitude da crise de 1929 e o seu caráter inovador. O mundo vai à Segunda Guerra Mundial para resolver problemas que haviam aflorado com a Primeira Guerra. O que quero dizer com esse exemplo é que você não pode pegar uma grande crise e procurar respostas para ela no passado. Mas você pode verificar que as crises marcam o nascimento de uma nova organização e hierarquia mundiais. A hegemonia inglesa, por exemplo, começou a ser ameaçada pela crise que houve na Europa no último quartel do século 19, mas só foi sepultada em definitivo com a Primeira Guerra Mundial. Mas até a eclosão da guerra, os EUA já despontavam como o novo centro do mundo. Essa análise mostra como as configurações se modificam com as crises. Assim, a primeira convicção que precisamos ter é que essa crise atual vai reorganizar de forma muito poderosa o sistema econômico mundial.

Desafios - Como começou o problema nos Estados Unidos?

Lessa - Começou no setor imobiliário por volta de 2000. Houve o episódio de 11 de setembro, o medo de que a economia americana entrasse numa recessão, o que levou os bancos e instituições financeiras a jogar os juros para baixo e afrouxar as operações de crédito imobiliário. Isso gerou uma bolha. A bolha imobiliária americana, em última instância, refletiu o valor do imóvel que estava subindo. Se o valor do imóvel está em ascensão, aparentemente a garantia do crédito está dada no valor dos imóveis. Mas quando o valor dos imóveis estaciona e começa a cair, o que sobra? O endividamento das pessoas. Mas se as pessoas estão endividadas, como elas irão pagar? Elas só podem pagar com os rendimentos que elas têm, mas se a economia entrou em crise, os rendimentos caem. Isso se deu nos Estados Unidos em cima dos imóveis e gerou essa bolha colossal que acabou por arrebentar.

Desafios - E no Brasil? O que aconteceu?


Lessa - Nós fizemos uma "bolhinha" que eu costumo chamar de "bolha Casas Bahia", porque a loja se tornou uma espécie de símbolo das compras a longo prazo. Vender automóvel sem entrada em 90 prestações é uma temeridade porque não há garantia nenhuma. O credor pode tomar o automóvel de volta se a pessoa não paga, mas ele fará o quê com o veículo? Nós levamos o endividamento das famílias brasileiras a níveis que considero extremamente inquietantes.

Empurrar o desenvolvimento a partir de bolha de crédito é perigoso se isso não gerar um aumento imediato do investimento bruto. Eu esperava que em 2008 o investimento bruto começasse a ficar robusto, porém, a crise bateu pesado exatamente nisso. As empresas pararam os seus projetos, passaram a agir de forma mais lenta. Assim, você não dá continuidade ao endividamento "virtuoso", que promoveria a retomada dos investimentos produtivos. Esse é o calcanhar de Aquiles do Brasil hoje.

Desafios - Essa descontinuidade do endividamento "virtuoso" seria um dos sinais inequívocos de que a crise chegou ao País?


Lessa - Os sinais estão estampados para todo mundo ver: queda do preço das commodities, retirada abrupta de recursos do País, aumento das remessas de lucros, dividendos e royalties, movimentos especulativos oscilantes na bolsa, apostas temerárias de algumas empresas como a Aracruz e a Sadia, demissões em algumas áreas, segmentos em dificuldades como o setor metalúrgico e siderúrgico. São todos sinais inequívocos, porém, eles não configuram um momento de crise endógeno no País. O fantasma da crise no Brasil está na bolha do endividamento familiar com crédito consignado, desconto em folha, facilidade para comprar em noventa prestações.

Desafios - Como o senhor analisa a reação do Brasil diante da crise?


Lessa - Em relação ao Brasil, houve um componente extremamente curioso, que foi a enorme relutância do aparelho oficial do governo em admitir a existência da crise.

Desafios - Mas agora admite-se, não?

Lessa - Agora eu acho que reconheceram porque o ministro Paulo Bernardo disse há alguns dias que a economia só vai crescer 0,7%. Crescer 0,7% ou ficar parado é a mesma mediocridade. Não dá para soltar foguete por causa disso.

Desafios - Outros países não estão em situação pior?


Lessa - Sempre tem alguém que diz, "ah, mas a recessão em outros lugares é pior". Então somos privilegiados pela recessão aqui ser relativamente menor? Ou somos sofredores crônicos de uma estagnação econômica que retirou pouco proveito da globalização financeira e estamos pagando o mesmo preço dos outros? É um tipo de avaliação que me parece marcada por certa ingenuidade. Aliás, se você fizer a recomposição das declarações do presidente Lula, vai ver isso. Ele começou dizendo que a crise não atravessaria o Atlântico e depois disse que era só uma "marolinha". Eu sei que é necessário transmitir uma sensação de otimismo, mas o otimismo não pode ser feito em cima da revisão de declarações. Se as previsões de crescimento começam a cair, os empresários veem que não haverá crescimento e põem as barbas de molho. Isso é uma crítica que faço a nós, brasileiros, por não termos dado à crise a dimensão que ela tem.

Desafios - Instituições internacionais como o FMI afirmam que o Brasil é um dos países que tem mais chance de sair bem da crise. Podemos confiar nas especulações de organismos que erraram tantas previsões e não alertaram para a iminência da crise?


Lessa - O Brasil chegou a essa crise com algumas vantagens. As principais foram as reservas internacionais. Além disso, tinha a inflação sob controle. Esses dois fatores pesam a nosso favor. O País também dispõe de um sistema bancário que não foi tão contaminado pelo processo de globalização financeira e, felizmente, não privatizou o Banco do Brasil e nem a Caixa Econômica Federal. São dados extremamente positivos e explicam por que a crise está sendo menos devastadora no Brasil do que em outros países centrais do primeiro mundo. No entanto, temos problemas sociais colossais e um desemprego histórico, um subemprego disfarçado, que outros países não têm.

Desafios - Qual a saída social para o Brasil?


Lessa - A saída social do Brasil exige geração de emprego e renda. O problema é que nós estávamos gerando emprego e renda muito em cima do festival do otimismo da bolha. A bolha mundial foi uma bolha de crédito. Nós fizemos uma bolha tupiniquim em cima de vendas financiadas a longuíssimo prazo de automóveis e eletrodomésticos. As pessoas compram uma motocicleta, por exemplo, em 75 prestações. Isso gera o endividamento das famílias.

Desafios - E isso por sua vez gera...

Lessa - O problema é o seguinte. O endividamento das famílias consiste em trazer um mercado do futuro para o presente. Ao agir assim, a pessoa reforça a compra no presente e introduz uma injeção de ânimo no setor industrial. Por outro lado, esse procedimento onera todos os endividados. Mas se a economia mantiver o dinamismo, ou seja, se as empresas começarem a investir, ampliando a capacidade produtiva, será possível fazer com que emprego e renda se multipliquem e o endividamento fique contido num nível razoável. Mas o que acontece numa crise com os endividados? Aumenta a inadimplência. É o que está acontecendo agora.

Desafios - O que o governo tem feito para evitar o agravamento da crise?


Lessa - O governo tem procurado dar injeções de vitamina em todos os segmentos industriais que dependem da folha de crédito. Assim, reduziu o IPI para automóveis, veículos automotores, caminhões, eletrodomésticos, materiais de construção, móveis. Ao agir dessa forma, procurou segurar o funcionamento desses setores. O problema é que fazer isso sem a retomada dos investimentos produtivos é enxugar gelo.

Desafios - O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) seria um investimento produtivo?

Lessa - Claro. Aliás, eu só tenho uma coisa a dizer a respeito do PAC: eu quero é mais.

Desafios - Por quê?


Lessa - Porque eu acho o programa muito pequeno para a crise brasileira.

Desafios - Mas há recursos suficientes para ampliar o programa?


Lessa - Do ponto de vista macroeconômico é preciso perguntar se a economia brasileira tem capacidade de produzir o que for necessário para um PAC maior. Se tiver, é uma questão de financiamento.

Desafios - O que mais o governo tem feito de positivo para contornar a crise?

Lessa - É corretíssima a orientação que o governo tem seguido de restaurar a capacidade operacional do setor público. O setor público ainda está com a sua capacidade operacional prejudicada porque, em 1995, foi feita uma devastação em seus quadros. O Lula vem recuperando a capacidade operacional das agências públicas, mas ainda há lacunas graves como na área de saúde. Eu acho errado criticar o governo por causa de gastos públicos com funcionários. Pelo contrário, funcionário é o comprador ideal da rede de supermercado.

Também acho que o governo tem sido eficiente em "tapar buracos" em segmentos como o automobilístico e de eletrodomésticos. Acontece que a capacidade do governo para isso é limitada. O governo tem que dar uma resposta para evitar que surjam novos buracos, tipo o PAC e o programa da Petrobras. O programa da Petrobras cria uma larga frente para a expansão do investimento privado no Brasil. Tudo isso está corretíssimo.

Por outro lado, acho que o governo tem tido um comportamento tímido, de certa maneira acanhado, na discussão do futuro. Vou fazer uma crítica ao PAC. Eu disse que eu quero mais PAC. Eu quero que esse programa equacione a matriz do transporte brasileiro. Quero que o PAC coloque o dedo na ferida. A produtividade brasileira é extremamente ociosa. Vou lhe dar um exemplo. Nós embarcamos soja em grãos pelos portos da região amazônica e da região Sul e algumas vezes a soja viaja dois mil quilômetros de caminhão. A produtividade da produção agropecuária do Brasil é altíssima no perímetro do estabelecimento agrícola, mas fora dele é um horror.

Tenho outra informação assustadora sobre o problema do transporte. Não tenho conhecimento de estimativas mais recentes, mas, segundo dados de mais de dez anos, o deslocamento residência-trabalho-residência no Rio de Janeiro leva duas horas e dez minutos em média. Assim, quando você vê o deslocamento de pessoas, dá mais de 92% no Brasil na modalidade, de novo, em cima do motor de explosão. Então eu acho o PAC ultratímido em matéria de infraestrutura urbana para equacionar a questão do transporte urbano, que é uma tragédia social. Na verdade, todo esse processo de favelização é alimentado por esse fenômeno. Muitos preferem morar com precariedade, mas estar próximo ao local de trabalho e gastar menos tempo e dinheiro para chegar ao serviço, do que morar longe, porque a vida se esvai nesse deslocamento.

Desafios - O senhor disse que o mundo irá se reorganizar depois da crise. Seria possível fazer alguma previsão sobre como ele ficará daqui para frente?


Lessa - Eu não sei para onde o mundo vai. Não existem elementos para a gente prever o futuro. Só posso dizer que o mundo sairá dessa crise com padrões comportamentais e organizações bastante modificadas. Ele não irá reproduzir a situação pré-crise, mas viver uma nova configuração. Eu digo isso e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também.

Desafios - O que exatamente o presidente dos EUA disse que o senhor concorda?


Lessa - No seu discurso de posse, o presidente Obama afirmou que os EUA irão recuperar a sua liderança. Ou seja, assumiu que o país havia perdido essa posição. Pessoalmente, não acho que isso tenha ocorrido. Os EUA estão atônitos com a confusão produzida, mas o dólar continua a ser a grande portabilidade da riqueza mundial. Mas a segunda declaração dele ainda foi mais importante. Ele disse que, para liderar, o país terá de concentrar e refazer sua infraestrutura em ciência e tecnologia para descobrir novas formas energéticas. Obama está indo além da crise no seu discurso. Ele está anunciando um novo modelo de desenvolvimento para o país. O presidente americano percebe que se trata de uma condição segmentada. A era do petróleo já chegou ao seu apogeu. Daqui para frente terá que haver mudança. Isso está claro para o governo norte-americano, mas, para o governo brasileiro, aparentemente não.

Desafios - E por que o Brasil não enxerga isso?


Lessa - Porque, para o governo brasileiro, nós funcionamos assim, portanto, temos que recuperar a normalidade. Qual é a normalidade? Em um mundo em que há um volume colossal de empresas com enormes dificuldades, como a Sadia? A onda das fusões já avançou de um lado e na hora em que o processo reverte, fragiliza. Não é à toa que volta e meia estoura uma notícia segundo a qual uma grande organização está abalada.

Desafios - Como ficarão os EUA nessa nova configuração?


Lessa - Suponhamos que o plano do Obama dê certo e sejam encontradas novas formas energéticas e que o vetor petróleo possa ser parcialmente substituído por outro, quem sabe o hidrogênio. Se isso acontecer, você terá uma enorme destruição de ativos produtivos, mas, por outro lado, terá imensas possibilidades de realizar novos investimentos produtivos. É nesse sentido que a crise é uma espécie de parteira da história. As crises seriam momentos especiais de destruição criadora. Elas destroem alguma coisa e criam outra, só que esse processo não é instantâneo, há sempre um intervalo.

Desafios - E como ficará o Brasil?


Lessa - Nós, brasileiros, temos que pensar no papel que iremos desempenhar nessa nova configuração, porque o componente "vontade" é fundamental. O fato econômico não é produzido mecanicamente. Embora as determinações venham do passado, existe a atuação dos atores no presente. Os atores modificam o cenário que lhes foi dado com suas decisões.

Desafios - O Brasil também caminhará para uma revolução tecnológica como os EUA?


Lessa - Criaram janelas ideológicas e autorizações para o Brasil pensar grande. Vou fazer uma comparação com os Estados Unidos para você entender o que eu quero dizer. Conforme disse o presidente Obama, os EUA terão de fazer uma revolução tecnológica e científica para superar essa crise. E isso irá produzir um mundo novo, que não sei exatamente como será. Se eu sair desse mundo e olhar para o Brasil, percebo algo fundamental que curiosamente não está sendo discutido. O Brasil talvez seja o único país do mundo capaz de fazer uma revolução tecnológica sem quebrar nada porque já detém uma tecnologia conhecida e dominada pelos brasileiros. O Brasil tem uma admirável matriz energética. Talvez tenhamos a mais alta porcentagem de formas de energia renovável no consumo global de energia. As formas de energia renováveis no Brasil vão a 50%. A média mundial é inferior a 10%. Para você ver como nós estamos bem. Nós temos a eletricidade, os derivados da cana, a energia gerada pela cana, pela lenha, que também é renovável, porque você pode reconstituir florestas. Assim, do ponto de vista de matriz energética estamos bem, porém estamos mal pelo fato de a energia por habitante no País ser muito baixa.

Mas não devemos desenvolver nossa matriz energética para reproduzir a matriz bebedora de petróleo, mesmo tendo o pré-sal. Ou seja, o país deve continuar a preservar o padrão da sua matriz energética, mas é fundamental elevar a quantidade de energia por habitante. Porém, se nós temos essa matriz energética tão boa, temos uma das piores matrizes logísticas do mundo. Nosso eixo principal logístico é o transporte rodoviário. Transportamos mercadoria do Rio Grande até Belém tendo 7.500 km de costa navegável. Não temos nenhuma expressão na navegação das bacias do Amazonas e do Prata e as ferrovias brasileiras não integram todas as regiões do País. Além disso, damos "nós" no transporte brasileiro porque construímos portos nas grandes cidades. O porto de Santos, por exemplo, está sendo esmagado porque as ferrovias e as rodovias interestaduais passam pela grande São Paulo. Não houve planejamento. Instalamos uma matriz de transporte da primeira revolução industrial e depois utilizamos as características da economia do petróleo para fazer a nossa economia crescer.

Trata-se de um desafio (integrar o país através de um transporte eficiente e mais barato) radicalmente diferente do enfrentado pelos EUA. Os EUA e a Europa dependem de um novo retorno energético. Nós podemos fazer o quê nos próximos anos? Construir uma matriz de transporte que acople a ferrovia, a rodovia e a hidrovia. Com isso haveria uma redução de preço de todas as mercadorias que vão para o abastecimento brasileiro. Além disso, a população vai melhorar o padrão de vida por causa dessa revolução científica e tecnológica, com uma ciência e tecnologia dominada pela engenharia e pela indústria brasileira. Então, não há problema nenhum para resolver. Temos uma frente espetacular para nos lançarmos no futuro, mas não se discute o futuro.

Desafios - Voltando para a questão da crise. Quanto tempo o senhor acha que vai levar para o País sair dela?

Lessa - Não vou me arriscar a fazer nenhum prognóstico desse tipo. Só posso dizer que as decisões que dizem respeito ao futuro brasileiro têm um elenco de decisões ligadas à economia do petróleo. Achei as observações do presidente Lula sobre o assunto corretíssimas. Segundo ele, o Brasil não será exportador de petróleo e sim um país exportador de derivados do petróleo. Eu diria que o Brasil deve exportar o trabalho dos brasileiros utilizado nessa área. Vou explicar melhor o que quero dizer. Quando você pega soja em grão no porto, chama aquilo de produto de agricultura de transporte. Quando você moe os grãos e obtém farelo, óleo de soja, você tem de novo um aporte energético. Quando pega o farelo e dá para o boi, depois mata o boi e pega a carne, ela também incorpora energia. O que eu estou querendo dizer é que energia não é commodity. Petróleo não é commodity, e sim o vetor que organiza toda a base produtiva, junto com todas as outras formas de energia. O presidente está corretíssimo quando diz que devemos reservar o petróleo para uso interno, o que inclui a atividade exportadora, mas não vamos ser exportadores de petróleo. É uma maldição ser exportador de petróleo.

Desafios - É tão negativo assim ser exportador de petróleo?

Lessa - A Indonésia foi exportadora de petróleo e membro da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Vendeu petróleo a menos de US$ 3 o barril, andou recomprando em 2008 a uns US$ 120 e agora está comprando a US$ 60. O que você acha? É muito melhor ter petróleo debaixo do solo do que reserva internacional.

Desafios - Então podemos ter esperança com relação ao Brasil?

Lessa - Não tenho a menor dúvida. Acho que a questão do pré-sal é chave para o futuro brasileiro. Felizmente, eu assino embaixo de todas as declarações feitas pelo presidente Lula até agora sobre o pré-sal. Ele falou: "reserva-se a economia do petróleo para dinamizar a economia brasileira", o que é importantíssimo; "e os lucros obtidos para resgatar a dívida social", está corretíssimo. Politizar a questão do petróleo é uma tragédia. Precisamos ter uma Petrobras ultrassólida em nível mundial e nacional, mas subordinada ao povo brasileiro, e não à bolsa de Nova York ou aos seus acionistas.

Em matéria de petróleo estamos muito bem; em matéria de PAC podemos melhorar. O PAC tinha que ser muito maior e atender mais brasileiros. Vou dar uma sugestão. É preciso ativar os municípios no Brasil.

Desafios - E como se daria essa 'ativação' dos municípios?

Lessa - Se você ativar os municípios, eles começam a realizar um monte de pequenas obras que têm o efeito de gerar empregos locais, que é exatamente o que queremos. Eu tenho uma sugestão. Por que os royalties do petróleo não são distribuídos para todos os municípios brasileiros? Você vai me perguntar, "mas como podemos fazer isso?" O Lessa, um carioca, está propondo que o Rio de Janeiro perca a posição privilegiada que tem nos royalties em nome de todos os municípios brasileiros. Mas eu estou pensando é no pré-sal. Eu acho que os rendimentos do pré-sal deveriam ser distribuídos pelos municípios brasileiros. É somar as forças políticas em torno de quê? De preservar o pré-sal para o Brasil. Aí você vai me perguntar, "mas porque você está falando isso?" Por uma razão muito simples. Sabe quantos insumos o petróleo dá? Três. Então, qualquer modificação no setor energético vai fazer do petróleo residual uma misturinha ultravaliosa para os milhares de usos que são possíveis com o petróleo. A ideia de ser avarento com relação ao seu petróleo, ou seja, extrair do solo apenas a quantidade de petróleo de que você necessita e vendê-lo a conta-gotas para comprar o indispensável ao País. Seria uma maldição se embarcássemos numa trajetória semelhante a dos países do Oriente Médio. Copacabana não será uma Dubai e eu espero que o Brasil não se transforme num Iraque. Quero que vire uma Noruega. E o Brasil pode ser uma Noruega a partir dessa matriz energética brasileira, se houver inteligência no modo de construir o futuro.

Desafios - O crescimento que o Brasil vinha apresentando era calcado em bases sólidas?


Lessa - Não, porque a base sólida de um crescimento é a elevação da taxa de investimentos produtivos. E a taxa de investimento brasileiro estava medíocre. Se não me engano, melhoramos um pouquinho em 2008. Mas o Brasil andou com taxas inferiores a 20% do PIB, quando nós deveríamos ter pelo menos 25% do PIB. O ideal seria ter 30%.

Desafios - Falando em PIB, o governo ainda acredita em um crescimento em 2009 na ordem de 0,7% a 1%, apesar da crise. O senhor acredita que esse crescimento vai acontecer?


Lessa - Não me angustio com isso. Se houver um crescimento em 2009, sem dúvida será um dado alvissareiro, porém, não significa que tenhamos superado a crise. Em primeiro lugar, acho que o Brasil está estagnado desde os anos 1980. Os jornalistas batizaram a década de 1980 como a década perdida, mas os anos 1990 foram igualmente medíocres em termos econômicos. Durante esses 20 anos de mediocridade, a situação melhorou de vez em quando. Eu chamo isso de voo de galinha. E foi em cima de uma expansão de crédito colossal, que é a tal da "bolha Casas Bahia". Precisamos ter uma taxa de investimento macroeconômica alta. Isso só é possível com a elevação da taxa de investimento público. Por esse motivo, peço um PAC mais robusto. Acho fundamental reforçar essa passagem municipal de resgate nas obras, enquanto o governo federal articula as grandes. Isso é o coração de uma futura estratégia. Mas é preciso saber qual será a finalidade dela. O que foi definido para a economia do petróleo está muito bom, falta uma economia de transporte e falta uma inequívoca opção pelas formas de energia renováveis.

Desafios - O senhor acha que o sistema brasileiro de controle de crédito está bem regulado?


Lessa - Do ponto de vista estritamente conservador, eu diria que o sistema de crédito brasileiro tem sido administrado muito com os olhos no sistema de crédito privado e pouco com os olhos na sociedade brasileira. Foi feito um jogo de contas em que a economia não cresce. A única coisa que cresce são os lucros dos bancos, das operadoras privadas. O nível de proteção do tomador de crédito no Brasil é muito reduzido porque as tarifas aplicadas são abusivas. O sistema bancário se autofinancia com as taxas e ganha com as operações ligadas à tesouraria. Mas o Brasil pode modificar isso. Como temos a renda de bancos públicos de grande peso na economia, esses bancos podem operar com vistas a impor regras mais eficientes. Não podemos aplicar um tratamento de choque no sistema de crédito brasileiro porque isso seria muito perigoso, mas podemos arrumá-lo progressivamente.

Desafios - Há necessidade de alguma salvaguarda contra a crise?


Lessa - O Brasil precisa criar uma salvaguarda mais eficiente para fazer frente à crise financeira mundial e para isso é fundamental centralizar as operações de câmbio. Sou inteiramente favorável a uma centralização do câmbio, que seria formulada pelo Banco Central, submetida a uma aprovação pelo Congresso e executada pelo Banco do Brasil.

Desafios - Como fica a situação da iniciativa privada daqui para frente. Haverá retração de investimentos?

Lessa - Eu acho o comportamento da iniciativa privada muito estranho. Se eu tomar o que a Fiesp afirma como representativa dessa posição, diria, para a minha surpresa, que a Fiesp não defende um programa de investimentos produtivos e de investimentos públicos. A Fiesp só fala em redução de impostos e em flexibilização dos contratos de trabalho. Ora, a grande defesa em relação à crise é preservar o poder de compra das pessoas. A grande defesa frente à crise é aparecer um grande comprador, que é o setor público, que ativa cadeias de produção ao comprar. Se o setor público encolher porque perdeu receita tributária, e se os contratos de trabalho levarem a uma redução da massa salarial, a crise se agrava. O discurso da Fiesp parece ser pró-crise.

Desafios - Como o senhor vê o Brasil daqui a dez ou 15 anos?


Lessa - Não tenho bola de cristal para prever nada. Mas digo uma coisa. Não consigo ser pessimista em relação ao País. Quando eu nasci, o Brasil era um cafezal. Quando cheguei à maturidade, o Brasil já era a oitava economia industrial do mundo. Agora, na minha velhice, é a décima-quarta. Mas pode resgatar a antiga posição. Pode ver a integração latino-americana avançar. Enfim, o Brasil não está condenado a nada, a não ser a uma mediocridade que parece ser uma opção nossa.
Fonte: desafios do desenvolvimento - mensal do IPEA