"GERAÇÃO NEYMAR" VAI
PARA TESTE DE FOGO
Durante quatro anos, Neymar carregou o peso de ser o maior de uma
geração que disputaria uma Copa do Mundo em casa. A cada fracasso, ouviu
algo como: "Será que eles aguentarão a bronca na hora de decidir?". A
hora de decidir chegou. Nesta terça, às 17h, no Mineirão, o Brasil
enfrenta a Alemanha em sua prova de fogo. O maior teste dessa geração,
porém, será sem o seu ícone principal, lesionado de maneira dramática a
poucos dias dos jogos mais importantes da sua vida.
A ausência
de Neymar dominou a seleção nos últimos dias. Desde que se soube que o
camisa 10 não jogaria mais a Copa do Mundo por uma lesão na terceira
vértebra lombar, só se discutiu a gravidade do lance, o impacto que isso
tem no time e quem poderá substitui-lo. E claro, lamentou-se. O
atacante provocou choro, mobilizou torcedores e criou uma comoção.
Não é por menos. Neymar representa o time atual como poucos craques do
Brasil já o fizeram com a sua geração. Esquecido ainda jovem por Dunga
na última Copa, a então promessa santista estreou na seleção em 2010
como o expoente de um time que trazia novidades a uma seleção em
reformulação.
"O retorno do jogo bonito", estamparam jornais
europeus quando Neymar fez um dos gols da seleção na vitória por 2 a 0
sobre os Estados Unidos. Camisa 11 àquela altura, o atacante do cabelo
diferente foi capa de várias dessas publicações ao lado de Pato, que
completou o placar. Com Ganso, eles formavam o trio que parecia
destinado a guiar o Brasil rumo à sua Copa do Mundo em casa.
Os
dois pararam no caminho, por diferentes motivos, mas Neymar prosseguiu,
para o bem e para o mal. Quando o Brasil naufragou na Copa América de
2011, ele teve de ouvir a indireta de Lúcio de que "o símbolo na frente
da camisa é mais importante que o nome atrás", disse o zagueiro à época.
A cobrança nunca parou. Quando o Brasil perdeu os Jogos Olímpicos de
2012, de novo Neymar saiu mais chamuscado que o resto do grupo. Era do
atacante genial, capaz de levar o Santos ao título da Libertadores aos
19 anos de idade, que se cobrava o futebol da seleção.
O Brasil
passou três anos sem ganhar de um campeão mundial e quebrou o tabu
incômodo somente às vésperas da Copa das Confederações do ano passado.
Neymar viveu isso na pele, com a desconfiança constante de que não seria
decisivo contra os gigantes, quando a hora certa chegasse.
Na
Copa das Confederações, ele mostrou que poderia ser. Prestes a se juntar
ao elenco estelar do Barcelona, derrotou parte dos futuros companheiros
em um passeio contra a Espanha, no qual foi o maestro. A vitória mudou a
trajetória da seleção e a visão que se tem de Neymar. De vaiado pela
torcida brasileira ele passou a ídolo nacional, capaz de causar comoção
um ano depois ao ver o maior sonho interrompido.
"O Neymar
deixou muito dele conosco e levou muita coisa nossa com ele. Claro que
ficamos tristes. E ele, na primeira oportunidade, nas manifestações e no
jeito de conversar com os jogadores, fez eles entenderem que a parte
dele já está feita, que agora a gente tem de fazer a nossa parte, os
jogadores, a seleção e os torcedores", disse Luiz Felipe Scolari,
técnico da seleção.
Nesta terça, a "Geração Neymar" terá mais
uma grande prova de fogo, a maior até agora. Depois de duelos suados
contra velhos conhecidos sul-americanos, o Brasil medirá forças com a
tricampeã Alemanha.
Neymar, lesionado, terá de ver os amigos que
representou durante quatro anos o representarem. Do Guarujá, onde seu
estafe diz que ele assistirá à partida, o craque vai acompanhar se a
"Geração Neymar" é mesmo tudo o que promete, ainda que sem seu nome
principal.
Fonte: UOL Copa
Por Gustavo Franceschini

















































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