A ARBITRARIEDADE FERIU O DIREITO
Hoje faz seis meses que o meu pai, José Dirceu, foi preso. Ele
permanece em regime fechado, mesmo sendo condenado ao semiaberto, numa
gritante violação aos direitos humanos e uma afronta ao que diz o Código
Penal e a Lei de Execuções Penais.
Diante disso, lanço um desafio ao presidente do Supremo, ministro
Joaquim Barbosa, que na última semana desconsiderou uma jurisprudência
de décadas para negar o pedido de trabalho externo com o claro objetivo
de mantê-lo preso em regime fechado: para que leve a sua decisão para
discussão no STF, ouvindo todos os ministros no plenário.
A alegação do ministro Barbosa para negar ao meu pai o direito de
trabalhar apoia-se no fato de que ele precisaria cumprir um sexto de sua
pena em regime fechado. Mas não é isso o que diz há décadas o Superior
Tribunal de Justiça nem a legislação. A decisão do presidente do STF só
desnuda sua vontade política e evidente perseguição a meu pai e outros
réus da AP 470.
É evidente que o ministro não se conformou com a decisão do Tribunal de absolver José Dirceu e outros réus do crime de formação de quadrilha e, sozinho, com decisões que beiram a tirania, burla a lei e ainda desrespeita a instituição à qual preside.
É evidente que o ministro não se conformou com a decisão do Tribunal de absolver José Dirceu e outros réus do crime de formação de quadrilha e, sozinho, com decisões que beiram a tirania, burla a lei e ainda desrespeita a instituição à qual preside.
Desta vez, Barbosa quebrou um precedente de 20 anos de execuções
penais em todo o país que nunca exigiu cumprimento de um sexto de pena
no semiaberto para ter acesso ao benefício. Com o posicionamento
arbitrário, produziu um fato que pode prejudicar milhares de outros
presos que já estão liberados para trabalhar. Estima-se, segundo a
própria OAB, que no Brasil existam hoje 100 mil condenados que executam
trabalho externo que podem ter seus direitos banidos com esta decisão de
cumprimento de tempo de pena.
Nesta semana o próprio Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, novamente se posicionou a favor da liberação de trabalho externo de meu pai, contrapondo a decisão do presidente. Ele foi taxativo em dizer que o direito ao emprego fora do presídio faz parte do regime semiaberto. Mas Barbosa procede como se estivesse acima de todos e de todas as coisas, agindo sem considerar nenhuma outra opinião de seus iguais.
Nesta semana o próprio Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, novamente se posicionou a favor da liberação de trabalho externo de meu pai, contrapondo a decisão do presidente. Ele foi taxativo em dizer que o direito ao emprego fora do presídio faz parte do regime semiaberto. Mas Barbosa procede como se estivesse acima de todos e de todas as coisas, agindo sem considerar nenhuma outra opinião de seus iguais.
Não consigo imaginar que os demais membros do STF sejam coniventes
com esta situação e permaneçam calados. É preciso que se manifestem,
para o bem da nossa democracia e preservação do Estado Democrático de
Direito. Pela forma como as coisas estão se encaminhando, se os demais
ministros não se posicionarem sobre essa decisão de exceção, não me
surpreenderia se as próximas atitudes do ministro fossem ainda mais
extremistas, pois já perdeu a noção dos limites do autoritarismo.
Nenhum brasileiro está acima da lei, nem mesmo o presidente da
República ou do Supremo Tribunal Federal. A impressão é que voltamos à
ditadura, desta vez imposta por um representante do Judiciário que age
com poder desmedido.
O que posso dizer é que não vamos nos calar! Como filho e cidadão
brasileiro a minha esperança é que a história seja respeitada e ainda
haja a verdadeira justiça, imparcial e livre de todo tipo de
preconceito.
PS. Zeca Dirceu é deputado federal (PT-PR) e filho do ex-ministro José Dirceu.
Fonte: Brasil247
Por Zeca Dirceu
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