terça-feira, 8 de novembro de 2016

O NOBEL DA ECONOMIA
Observando os economistas honrados com o Prêmio Nobel nos últimos quatro anos, temos a impressão de que alguma coisa se move em Estocolmo. Infelizmente, a lista dos premiados de 1969 a 2016 não revela alguém que tenha, de fato, contribuído para melhorar o bem-estar da humanidade, como é o caso dos agraciados com o Nobel de Física, Química e Medicina.

Estamos diante de um clamoroso fracasso da ciência “macroeconômica”, revelado não apenas na sua incapacidade de antecipar a maior crise econômica desde 1929, mas porque, pela teoria, ela não poderia ocorrer...

De 2009 até 2016, entretanto, dos 15 premiados, nove, pelo menos, são “microeconomistas” que avançaram em novas soluções nos problemas de alocação de bens em mercados eticamente sensíveis e na harmonização de conflitos, como é o caso da chamada “teo­ria dos contratos”.

Os prêmios nesse período parecem reconhecer, implicitamente, o desencanto com a macroeconomia e aceitar que os avanços do conhecimento econômico eficaz, capaz de gerar maior eficiência produtiva e aumentar a harmonia entre os membros da sociedade, inclusive na relação público-privada, reside na microeconomia. É o caso dos trabalhos de Jean Tirole, prêmio de 2014, e de Bengt Holmström e Olivier Hart, o de 2016.

Essencialmente, trata-se de desenvolver instrumentos que facilitem a cooperação entre pessoas que têm interesses não necessariamente alinhados e garantam que os benefícios e os riscos dela decorrentes sejam distribuídos de uma forma sentida como “justa”, sem que haja coerção física ou institucional.

Temos, aqui, uma certa equiparação de poder entre as partes, apoiada num “contrato” garantido pelo Estado. Como o comportamento dos participantes é condicionado pelos “incentivos” que recebem, constrói-se uma relação (um “contrato”) entre um indivíduo ou uma organização (a que se dá o nome de “principal”) e um outro indivíduo ou uma organização (a que se dá o nome de “agente”), pela qual o “agente”, no seu próprio interesse, tem vantagem em obedecê-la, mesmo quando não vigiado diretamente pelo “principal”.

Deve ser claro que tal “contrato” transcende aos aspectos puramente econômicos da relação entre o “principal” e o “agente” que lhe deu origem: é um instrumento que, mediado pelas instituições que dão materialidade ao Estado, equilibra a relação de poder entre eles.

A teoria dos contratos, em parte criada pelos ganhadores no Nobel, é muito útil para explicar como melhorar as relações entre acionistas e administradores; como controlar a remuneração extravagante de “geniais” CEOs; como aumentar o valor das empresas com “fusões”; como avaliar os efeitos de transferência de atividades do Estado para o setor privado; como criar consórcios intermunicipais; como entender as eventuais vantagens da verticalização ou terceirização das empresas etc.

No Brasil de hoje, talvez a sua maior utilidade seja a de chamar a atenção para o nosso “contrato de trabalho”, de clara inspiração corporativista como então era moda, incluindo na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), outorgada por Getúlio Vargas em 1943.

Ela prestou excelente serviço civilizatório, mas, depois de 70 anos, carece de um aggiornamento em benefício da liberdade e do aumento da produtividade do trabalho, que, por definição, é sinônimo de desenvolvimento econômico.

Na última semana, por coincidência, dois magníficos artigos no Estadão, um publicado pelo competente economista, professor José Márcio Camargo (“Contratos falsos”, 9 de outubro) e outro pelo reconhecido jurista Ney Prado (“Disfuncionalidade do modelo trabalhista”, 12 de outubro), analisam o problema. Expõem as contradições internas de uma regulação que pretende proteger o trabalhador, porque ele é um hipossuficiente incapaz de entender onde está o seu interesse e o empresário é um contraventor “enrustido”, o que exige a mediação externa do juízo trabalhista.

O problema que se coloca na negociação direta é como buscar a “paridade de poder” exigida na teoria dos contratos, incentivo à criação de um autêntico sindicalismo. Ao contrário do que temos hoje, ele deve passar longe da unicidade e do financiamento obrigatório que – a história revela – são instrumentos que induzem à manipulação política dos trabalhadores nos estados corporativos, como em 1934...

Fonte: CartaCapital
Por Delfim Netto 
 

MANIFESTANTES PROTESTAM EM

 FRENTE AO FÓRUM DE MOSSORÓ 

CONTRA PRIVATIZAÇÃO DA UERN


Estudantes, professores e egressos da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) participam de protesto na manhã desta terça-feira, 08 de novembro, em frente ao Fórum Desembargador Silveira Martins, em Mossoró, contra a proposta de privatização da universidade feita pelo presidente do Tribunal de Justiça do RN (TJRN), desembargador Cláudio Santos.

A passagem do presidente do TJRN por Mossoró nesta terça-feira, como esperado, será marcada por protestos. Participam também dos atos em repúdio ao desembargador servidores da Justiça do Estado, que reclamam de cortes de salários e no Plano de Cargos Carreiras e Remuneração promovidos por Cláudio Santos nos últimos dois anos.

“Nós, servidores do Judiciário Estadual, fomos vítimas desse gestor. Há dois anos atrás esse homem [Cláudio Santos] iniciou uma campanha em Natal reduzindo apenas salários dos servidores. Jamais se falou em contenção dos aumentos dos magistrados ou dos desembargadores. Estamos sem perspectivas, por anos, de sequer uma correção em nosso vencimentos”, disse o diretor jurídico do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do RN (SISJERN), Fábio Antônio Menezes.

Os manifestantes chamam atenção ainda para o fato de, enquanto o desembargador aponta a UERN como um gasto para o Estado, o último vencimento do presidente do TJRN, de R$ 44.155,37, é o suficiente para manter uma turma de 30 alunos por um mês.

Manifestantes se posicionaram ainda contra as propostas do presidente do TJRN de que o Estado privatize também a Companhia de Águas e Esgotos do RN (CAERN) e a Potigás. O grupo informou que fará vigília em frente ao Fórum à espera da chegada do desembargador.

Fonte: O Mossoroense Online 
 

OCUPAÇÃO DA UERN EM

 PAU DOS FERROS DÁ EXEMPLO 

DE CIDADANIA E RESISTÊNCIA


O Campus Avançado Maria Elisa de Albuquerque Maia (CAMEAM), em Pau dos Ferros, já não é mais o mesmo desde a manhã do dia 1 de novembro. Nesta data, dezenas de alunos e alunas realizaram uma grande assembleia estudantil e ocuparam as instalações da unidade, protestando contra o sucateamento da UERN e o pacote de medidas federais que desmantelam a universidade pública como um todo.

Munidos de uma coesa pauta de reivindicações, os/as estudantes estiveram reunidos por mais de 6 horas com o Reitor Pedro Fernandes no último sábado (05), na tentativa de negociar alguns dos pontos e garantir a retomada das aulas.  

Os/as discentes cobram a limpeza imediata de todo o campus e garantia do pagamento das bolsas atrasadas para que a ocupação seja suspensa. Além destes pontos, o documento com as reivindicações dos/as estudantes ainda conta com outras 19 exigências, endereçadas tanto ao Governo do Estado como à administração da UERN. (veja o documento completo aqui)

O reitor e sua equipe administrativa se comprometeram a enviar até amanhã (08) uma equipe de Auxiliares de Serviços Gerais (ASG’s) para que seja feita a limpeza do CAMEAM. Quanto ao pagamento das bolsas, que há três meses se encontram atrasadas, o compromisso foi de que até o dia 20 deste mês os valores estarão quitados.

Além da conquista das reivindicações imediatas, ao longo desses dias os/as estudantes de Pau dos Ferros deram uma aula de respeito e cuidado com as instalações do CAMEAM. Juntos, eles assumiram a responsabilidade de limpar, organizar e zelar pelo Campus enquanto um acordo com a reitoria não é firmado.

Através de uma força-tarefa, os/as discentes mantiveram a unidade impecável, mesmo sem a ajuda dos servidores terceirizados, que até a última semana estavam com suas atividades paralisadas, mostrando a todos que uma ocupação em nada tem de vandalismo e depredação do patrimônio público.

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A estudante Taíza Barros, que participa da ocupação, destacou o respeito dos/as alunos/as ao espaço coletivo e ao direito do outro. Em conversa com docentes da UERN, a aluna destacou o amadurecimento dos discentes nos dias em que a mobilização está ocorrendo.

“ Aqui a gente passa por um processo psicológico forte, estamos longe de nossas casas, sem contato com nossos pais, confinado com pessoas até então desconhecidas. Mas tudo isso faz com que a gente tenha que dialogar com novas pessoas, conviver junto, conhecer suas personalidades”, afirmou.

Politização e cultura – Outro ponto importante na ocupação de Pau dos Ferros foram as ações voltadas para a formação política e cultural de estudantes e docentes que participam da mobilização. Já na primeira noite, os manifestantes realizaram um grande sarau que atraiu dezenas de pessoas com poesia, música, arte e debates.

Nos dias seguintes o movimento realizou as rodas de conversa como:  “Memórias e Histórias do movimento estudantil na UERN Pau dos Ferros: experiências e reflexões”, ministrada pelo Prof. Gilton Sampaio e “Uma História de Luta: O Manifesto Comunista e os Movimentos Sociais”, entre outras.  Além disso, foram realizadas uma sessão de cinema (que apresentou o clássico ‘O pianista’, grande vencedor do Oscar de 2002) e uma roda de capoeira, que contou com a presença de moradores de Pau dos Ferros.

Apoio e solidariedade – A ocupação na UERN de Pau dos Ferros mobilizou não só o movimento estudantil do município e região, mas também professores/as, servidores/as técnicos, docentes da rede municipal e estadual de ensino e a população em geral. Foram inúmeras as manifestações de solidariedade e apoio, com destaque para as doações de alimentos e suprimentos básicos para os/as estudantes.

O movimento também contou com a participação massiva de alunos secundaristas de Pau dos Ferros, que se integraram à ocupação. Muitos dos alunos decidiram participar da ação pensando na importância da UERN na cidade e em como ela é fundamental para o futuro de todas as pessoas daquela região.

Visita da ADUERN na ocupação – A diretoria da ADUERN também esteve presente na ocupação, garantindo o apoio do movimento docente à luta dos/as estudantes. No último sábado (05), professores e professoras foram à Pau dos Ferros e conversaram com representantes do movimento.

Durante assembleia docente, realizada na última sexta-feira (04) o estudante Jack Jones, que está ocupando o CAMEAM pode falar por alguns minutos para toda a categoria, apresentando a pauta de reivindicações dos/as alunos/as, que foi amplamente apoiada pelos/as professores/as.

Fonte: Assessoria de Comunicação da ADUERN
Por Cláudio Palheta Jr,

sábado, 5 de novembro de 2016

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

FÓRUM DE REITORES DO RN EMITE 

NOTA DE APOIO À UERN


O FÓRUM DOS REITORES DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS DO RIO GRANDE DO NORTE vem a público se manifestar em defesa da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) como Instituição pública, gratuita e de qualidade.

Há 48 anos, a UERN vem levando ensino superior público e de qualidade para o interior do Rio Grande do Norte, nos mais de 31 cursos de graduação (Bacharelado, Licenciatura e Tecnólogo) e 52 cursos de Pós-graduação (Mestrado, Doutorado, Especialização e Residência Médica). Atualmente, a UERN preenche 50% de suas vagas com o egresso das escolas municipais e estaduais do RN e devolve profissionais formados, em sua maioria, para atuarem na educação básica do RN e seus municípios, minimizando o déficit de formação do ensino superior, ainda muito expressivo na Região Nordeste.

É inquestionável que as Universidades Públicas do Estado atuam como permanente propulsoras da geração de conhecimento e da redução da desigualdade social. Desse modo, é com preocupação que recebemos a proposta de privatização da UERN como solução para os problemas financeiros do Estado.

A educação sempre será um caminho transformador. É por meio da ciência, do saber e do ensino, da pesquisa e da extensão que serão formuladas as propostas verdadeiramente úteis e viáveis para o enfrentamento dos problemas econômicos e sociais que o Estado vivencia. Um Estado que se pretende forte e estruturado não pode, de forma alguma, prescindir de uma instituição de ensino superior.

Acreditamos que juntas, as universidades públicas do Estado do Rio Grande do Norte reúnem o que há de melhor da educação superior do Estado e emergem como um patrimônio vivo de valor imensurável. Reiteramos, portanto, nosso total e irrestrito apoio à manutenção da UERN como instituição pública e gratuita. E mais que isso, que a instituição receba do Governo do Estado do RN a valorização e o financiamento necessários ao crescimento da UERN.

Mossoró (RN), 31 de outubro de 2016.

Ângela Maria Paiva Cruz
Reitoria da UFRN

Wyllys Abel Farkatt Tabosa
Reitor da IFRN
Pedro Fernandes Ribeiro Neto
 
Reitor da UERN

José de Arimatea de Matos
Reitor da UFERSA

Fonte: Assessoria de Comunicação da UERN 
 

AULAS DA UERN 

SERÃO RETOMADAS HOJE


O reitor Pedro Fernandes Ribeiro Neto assinou o ofício circular 004/2016 reestabelecendo o retorno das aulas da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) para hoje, 4 de novembro.


A decisão foi motivada pelo retorno dos trabalhos dos servidores terceirizados que atuam na vigilância e limpeza.


Você pode ler o ofício AQUI
 

quarta-feira, 2 de novembro de 2016


PARA ONDE VÃO OS R$ 50,9 BILHÕES 

ARRECADADOS COM A REPATRIAÇÃO?


Nem bem chegou aos cofres públicos, o dinheiro amealhado com a repatriação de recursos do exterior já tem destino certo. Parte dele irá para Estados e municípios. E outra parte será usada para tapar o buraco nas contas do Governo Federal.

A negociação para que o projeto fosse aprovado Congresso envolveu algumas contrapartidas, entre elas que governadores e prefeitos recebessem parte dos R$ 50,9 bilhões que foram arrecadados, segundo informações da Receita Federal.

Em uma conta ainda imprecisa, considerando-se o que foi pactuado, a União ficaria com R$ 28 bilhões (55% do total), os municípios com  R$ 11,96 bilhões (23,5%) e os Estados com R$ 10,94 bilhões (21,5%).

“Para o governo foi um excelente negócio, pois o que se arrecadou equivale quase a cobrança de uma CPMF por um ano”, diz o economista Gilberto Braga, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec- RJ). “Em um período de arrecadação em queda, de vacas magras, este dinheiro é muito bem-vindo.”

O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, informou nesta terça-feira, 1, que 25.011 contribuintes pessoas físicas e 103 empresas aderiram ao programa de repatriação. A maior parte dos ativos (R$ 163,87 bilhões) referem-se às pessoas físicas. Já as empresas declararam R$ 6,06 bilhões em ativos no exterior.

“Dinheiro carimbado”


A expectativa do Governo Federal é que o dinheiro obtido com a repatriação ajude a abater parte das contas que estão no vermelho neste ano. A previsão é de que as despesas do Planalto superem a arrecadação (meta fiscal do déficit) em R$ 170,5 bilhões em 2016.

 Um outro destino da parcela destinada ao governo federal com a repatriação de recursos será quitar  a conta de “restos a pagar” (dívida de outros anos) no orçamento, de acordo com informações divulgadas. Hoje essas dívidas somam cerca de R$ 180 bilhões.

Fonte: Isto É Dinheiro 
 

NÃO ACEITAMOS A 

PRIVATIZAÇÃO DA UERN


A Associação dos Docentes da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – ADUERN vem a público manifestar seu repúdio a declaração do presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, desembargador Cláudio Santos que, em entrevista concedida ao RN TV, primeira edição, no dia 31 de outubro de 2016, defendeu a privatização da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN, como sendo uma alternativa para a crise financeira do Estado.

Tal discurso fere o Direito à educação pública e distorce o artigo 211 da Constituição Federal no que diz respeito às responsabilidades dos entes públicos com o ensino superior, ao mesmo tempo em que desconsidera a história de contribuição da UERN para a formação de profissionais de várias categorias em todas as regiões desse estado, dentre eles, bacharéis em Direito que atuam nas atividades essenciais à justiça. Essa Universidade tem um valor importante social, político e econômico para o estado do Rio Grande do Norte e para os filhos dos trabalhadores de diversos outros estados que tem na UERN o acesso ao ensino superior.

A proposta de privatizar um patrimônio público significa retirar de grande parte da população o acesso à formação profissional; significa também transformar o direito à educação em uma mercadoria para os que podem pagar. A UERN vem passando por um processo de escassez de investimento e desrespeito com os seus estudantes, funcionários, terceirizados e professores com os constantes atrasos salariais e nas bolsas. Esse quadro é reflexo do processo em curso nos últimos anos em que o ensino superior público tem recebido menos investimentos em detrimento de uma acelerada e intensa expansão de um ensino superior privado.

A ADUERN coloca-se frontalmente contra propostas dessa natureza, que buscam desqualificar o ensino público, gratuito e de qualidade e rejeita qualquer discurso que aponte para a privatização da nossa universidade.

A UERN é patrimônio público da sociedade potiguar!

Diretoria da ADUERN

terça-feira, 1 de novembro de 2016


SENADORA FÁTIMA BEZERRA

 REAGE CONTRA A SUGESTÃO 

DE PRIVATIZAR A UERN


A senadora Fátima Bezerra protestou contra a declaração do presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, Claudio Santos, que defendeu nesta segunda-feira (31), em entrevista, a privatização da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (Uern), como forma de diminuir a crise financeira que o estado atravessa. Para o desembargador, privatizando a Uern e oferecendo bolsas aos estudantes carentes nas faculdades, o governo economizaria R$ 20 milhões.

“Isso é um equívoco e um absurdo” – reagiu a senadora. Ela ressaltou que embora a Constituição dê como prerrogativa à União a garantia do ensino superior – e aos Estados o dever de assegurar o ensino médio – a mesma legislação permite o chamado regime de complementariedade, que é quando uma esfera de poder toma para si um dever, ainda que não seja constitucionalmente sua obrigação. Ela lembra que o surgimento da maioria das Universidades Estaduais se deu devido à ausência do Governo Federal, sobretudo nos locais mais longínquos e mais carentes.

“Mesmo com o crescimento do acesso ao ensino superior via ampliação da oferta de vagas da UFRN, a instalação de mais uma Universidade (a antiga Esam que passou a ser Ufersa), e ainda depois da extraordinária expansão da educação tecnológica (com os IF’s, que também oferecem o ensino superior) é inaceitável e impensável abrir mão da Uern”, enfatizou a senadora. “Ao contrário, temos que valorizá-la e fortalecê-la pelo relevante papel social, afinal de contas, o déficit de escolarização do ensino superior no Brasil ainda é muito expressivo e mais ainda na região Nordeste”.

Ela assinalou que, pensando nisso, o Plano Nacional de Educação (PNE) prevê para a próxima década a ampliação dos atuais 17% das matrículas no ensino superior para 33%. “O país tem ainda uma enorme dívida do ponto de vista da democratização do acesso ao ensino superior. Nação nenhuma, estado nenhum pode prescindir de uma agenda para o desenvolvimento com sustentabilidade e justiça social como a da Educação”, completou.

Uma das principais especificidades da Uern é a interiorização dos cursos, possibilitando que o ensino superior público chegue às localidades mais longínquas do estado, além de manter a população em seu próprio município. “Se um aluno que é do alto oeste, por exemplo, tem a possibilidade de estudar Medicina em sua terra natal, a chance de este profissional ficar por ali é grande”, enfatizou Fátima, uma das principais defensoras da interiorização das faculdades durante os governos do PT.

Universidade

A Uern possui 15 mil alunos, que cursam 83 cursos de graduação em seis campi e 11 núcleos acadêmicos espalhados pelo estado. Isso sem falar nos cursos de pós-graduação e até de doutorado. “A Uern é um dos principais formadores de recursos humanos do estado. Falar em privatizar uma universidade desse porte e dar bolsas para os estudantes mais necessitados é um total desrespeito, especialmente com a população mais carente”, ressaltou a senadora.

Fátima fez questão de lembrar também que a universidade já apresentou sua contribuição, reduzindo sensivelmente seus gastos com custeio no ano passado.

As declarações do presidente do TJ foram dadas logo após o governador convocar os representantes do Judiciário e Legislativo, para que eles repassassem ao estado seus excedentes orçamentários, a fim de ajudar na solução da crise. “Sabemos que a situação do estado é grave. Atraso no pagamento do funcionalismo público, falta de dinheiro para custear hospitais, enfrentamos há anos a pior seca de nossa história, mas privatizar ensino público não é a solução para reverter crise financeira. Ao contrário, isso se constitui em um enorme retrocesso”, argumentou Fátima Bezerra.

Para a senadora, o que os representantes do Rio Grande do Norte precisam é cobrir do Governo Federal uma atitude de respeito e de justiça com os estados nordestinos, do Norte e do Centro-Oeste. “Há meses, os governadores dessas regiões peregrinam em Brasília em busca de ajuda e o Governo ilegítimo até o presente momento tem feito ouvido de mercador”.

Renegociação

Ela defende que o projeto de renegociação das dívidas, que atualmente tramita no Senado e que privilegia estados mais ricos da federação, pode ser de grande ajuda para aplacar a crise. “Defendemos que haja compensação aos estados do NE, Norte e Centro-Oeste, sobretudo uma ajuda emergencial de no mínimo R$ 7 bilhões, como os governadores têm pedido”. “O Governo que nega ajuda ao Nordeste desembolsou quase R$ 3 bilhões de ajuda para o Rio de Janeiro”, acrescentou.

Em audiência a convite do Fórum dos Servidores do Estado, na Assembleia Legislativa do RN, a senadora propôs ao presidente da Casa, deputado Ezequiel Ferreira, que se uma aos demais representantes dos legislativos para somar esforços. Nesse sentido, ela já formalizou pedido de audiência com o presidente do Senado, Renan Calheiros, para que ele receba, em audiência pública, os presidentes das Assembleias Legislativas no Norte, NE e Centro-Oeste, em uma tentativa de encontrar alternativas para que as unidades dessas regiões também sejam beneficiadas no projeto de renegociação de dívidas dos estados.

Texto: Fátima Bezerra